Mesmo
quando vens lá de longe - Se vislumbrar os recados, vem de longe a minha
necessidade de me centrar em objectos. Em pontos de partida, uma roda que vem
da pausa desse escopo. Gira dele em diante. É amor pelo descanso da matéria.
Prefiro, se me é permitido, chamar-lhe encantamento, por ser o amor um terreno
de génio estouvado. Base melindrada mas capacitada para qualquer máquina, assim
é o cimento e o alcatrão que inventam um palco. Rua decorada e boémia. Não se
queixam as gentes, por não lhes resistirem. Às banquetas, cadeiras e sofá
encostados a uma parede lavada de arte do desvio. Um friso sem igual. O amarelo
fica-lhe bem, ao sofá. Senta-se a miúda que descarrila nas amizades de
circunstância. Senta-se como se fosse o seu destino. Tem os joelhos
melindrados. Descruza as pernas e leva os pés calçados ao assento. Sorrindo,
pergunta se temos um cigarro. Soa a resposta em uníssono. Despreocupada,
foge-lhe a mão para a mala e tira um cigarro. Arriscando, as pessoas procuram
os lugares.
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21.1.15
17.11.14
Mesmo quando vens lá de longe.
Se
vislumbrar os recados, vem de longe a minha necessidade de me centrar em
objectos. Em pontos de partida, uma roda que vem da pausa desse escopo. Gira
dele em diante. É amor pelo descanso da matéria. Prefiro, se me é permitido,
chamar-lhe encantamento, por ser o amor um terreno de génio estouvado. Base
melindrada mas capacitada para qualquer máquina, assim é o cimento e o alcatrão
que inventam um palco. Rua decorada e boémia. Não se queixam as gentes, por não
lhes resistirem. Às banquetas, cadeiras e sofá encostados a uma parede lavada de
arte do desvio. Um friso sem igual. O amarelo fica-lhe bem, ao sofá. Senta-se a
miúda que descarrila nas amizades de circunstância. Senta-se como se fosse o
seu destino. Tem os joelhos melindrados. Descruza as pernas e leva os pés
calçados ao assento. Sorrindo, pergunta se temos um cigarro. Soa a resposta em
uníssono. Despreocupada, foge-lhe a mão para a mala e tira um cigarro.
Arriscando, as pessoas procuram os lugares.
1.9.14
A (des)medida do (des)amor.
Uma
sem noção de vezes, não importa o mote, senão quando a matéria que dele nasce
não oferece petisco. Outras, por tanto se encerrar no todo, guardamos o
principio, por temer uma negligente e inóspita composição. O ideal era desmaiar
de amor. Guardar, sempre, a ressalva. Recuperar, se possível e necessário, na
vontade seguinte. Esquecer os contos de outras ideologias, das que jogam com o
prisma das emoções e sensações. Sossegar os romances pesados num canto. Deixar
para depois o quadro que conta histórias de amor. De desamor. O amor tem sempre
um lado tão mais apetecível. Para quem conta, relata. Para quem lê, escuta e,
por fim, pensa. A tragédia atrai. A felicidade de outros repele. Ler
desenfreadamente, desde cedo, é ter a convicção de que o amor e todos os seus
predicados, move interesses. Acções, por certo. Ensina-se que o amor mata. Mas
não lembram soluções, sequer opções. Ler o amor é pensar no lugar de quem está
de fora, à margem dessa medida. Viver o amor é regredir, voltar ao lugar de aprendiz.
27.8.14
Formar ideias sobre o (des)embaraço.
Justifica
a selfie, ou o desfile de selfies que, guardadas no iPhone, desafiam várias caras, com a
independência. A vulgaridade do termo e do acto desinteressa-lhe. Importa-se um
nada. Perturba-lhe tanto como o destino de bandas desapossadas de talento.
Fotografar-se é um talento. Um privilégio fazer um retrato sem que precise de
outras mãos. É um tempo que não ganha rugas de espera e desespero. É
instantâneo, como se pretende por estes dias. A alternativa da longevidade é o
desinvestimento. Não convém prestar atenção à qualidade. Veste-se a vaidade.
Mostra-se o momento à sociedade. Ganham-se posturas e posições que favorecem a
fotografia de objectiva que treme. Justificar, por si só, comporta culpa. Ou,
no limite, desconforto, constrangimento. A selfie,
assim como, outras modas e manias, é uma opção. Válida se não contrariar.
Altera-se todo o tabuleiro de posturas e coerência no jogo, quando a explicação
e sobrepõe à acção. Quando demora bem mais do que a reacção.
5.8.14
Verão matizado, impetuoso como sereno.
Veranear
algures. Percorrer o encanto nacional, conhecer e fotografar o ambiente de um
exterior tão desejado como a saudável condução de um país. Também o nosso, de
preferência. Guardem-se os costumes, poupem-se as palavras, apavorem-se as pessoas,
ridicularizem-se as acções. De umas e das outras. Toca desafinado o movimento
bolsista de um antro. Um cenário que soa desacorde com uma sucessão de opções
que persistem numa alinhavada separação de classes. Opiniões de outrora,
recentes como o verão delicado, suportavam a solução interna, poupando o
desgaste, mal-grado a dificuldade de encontrar concordância e veracidade na
combinação das ideias expelidas em discurso de horário nobre. É um mistifório
pegado, ausente de senso. Experimentam-se, neste canto de privilégios sem fim,
um pedaço do tanto que é um rolo sem fim de expectativas e necessidades
imediatas de fazer acontecer. Fazem-se ensaios. Depois perguntas. Escutam-se os
mesmos. Discursos e aqueles que os lêem. Enquanto nos assaltam os primitivos
acontecimentos, penso como é sereno olhá-la a passar a mão no cabelo. Há sempre
melhor.
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3.7.14
O objecto perdido.
Fim
do dia. Sou visita. Gente a chegar e estacionar. Outros a partir. Na rua que não tem saída.
Os portões são os números. Os jardins que espreitam ensaiam nas mentes
distraídas um paraíso. Quebra-se o silêncio e soa um clamor sem fim. Foi levada
em braços um tanto de vezes. Desgrenhada e de voz gritada. A roupa denunciava
desleixo de quem havia de ser surpreendida na cama de quem pagou. Naquele
bairro não é típico esse rancho aglomerado de desavindos actos. Tanto quanto sei.
Preferem calar os desgostos, mantê-los da porta para dentro. Não se amarrota o
tecido, não se desvia a gravata, não se ousa pensar, sequer, em tocar nas jóias
penduradas num corpo que desliga, por não ser próprio. O outro corpo, carregado
como um animal de caça, praticamente desnudado foi a excepção. Pendurada nos
braços de quem a chamou. A magreza num todo mistifório. Berros de quem foi, uma
vez mais, posta à margem. Naquele bairro, tanto quanto conheço, não se expõe.
Compõe-se. A bronca é transversal. Lamento a desumanização autónoma ou
induzida. Lastimo a carência de quem deixou o corpo e a alma por mãos alheias.
18.12.13
O charme de disfarçar o medo.
O
Carlos, quando está sozinho, tem medo do escuro. A cada noite, despido de
companhia, acende uma lâmpada em cada divisão do moderado apartamento. Só
assim, dá permissão, a si mesmo, para se passear pelo ébrio e acinzentado
andar. Até ao dia em que uma das imprescindíveis luminosas, se fundiu. Homem
enganado, pensa em tempos e termos redobrados. Desde então, as velas fazem a
honra da casa. Há males que vêm por bem. Assim, o charme da dançante e
hipnótica chama que remexe sobre a vela, ultrapassa a solidão e o baço do
candeeiro. O Carlos, agora, tem companhia, mesmo quando não está sozinho.
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