Ultrapasse
e finte, ficando inerte na passadeira, os que se encontram pouco adiantados e,
mesmo assim, empreendem com ousadia, sentar-se ao volante de um qualquer
automóvel, conduzindo como se tivessem, de modo sarcástico, o caminho besuntado
com alcatrão, reservado na garagem. Manifeste-se. Não é putativo contraditório.
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10.7.14
9.6.14
Maravilhas num banho de delicado caldo cor de vinho.
Partilhei
um prato requintado, um crepe atrevido e um vinho de qualidade. Derreti um
beijo de vagar demorado. Disse palavras bonitas, por serem sentidas. Sinto-me
espontaneamente romântico. Tal e qual um repentista. Quiçá, esteja certo. Já me
posso casar. Já sou um rapaz de interesse público. Vista-se a noiva a rigor.
Salte-se-lhe o ramo das mãos para lá do véu. Mas não me ofereçam máquinas.
Entendo que sou aquele que não as dispensa, mas não traz sempre consigo o que
ainda não se inventou. Tanto havia para partilhar à entrada. Vamos numa
demorada troca de olhares? O espectáculo merece-nos atenção. Rufem os tambores.
Aproveitemos a acústica. Há dias que vão. Outros tantos que se resumem a vir.
Românticos ou não.
22.4.14
Um apontamento.
É,
apenas, um apontamento literal do que acabei de ver. Daqueles pormenores e
momentos que guardaria, descritos, por tempo indeterminado, num dos meus
cadernos, de capa vigorosa, negra ou azul forte, de elástico a forçar o segredo.
Sobre a calçada portuguesa, está um casal a fotografar-se mutuamente. Em poses
várias. Em emoções diferentes. Em expressões atraentes e atractivas. Imitam um
género de dança. Coordenada à mercê da vontade que os acompanha e sugere que se
procurem. Ali mesmo, no centro da cidade. A calçada portuguesa aos pés. O rio,
se imaginarmos, ao fundo. Um monumento, que é uma cidade, num espectáculo que,
sem convite, merece apontamento. Há quem viva para lá dos murmúrios e lamentos.
Se, por um acaso, os guardasse para lá da memória e dos rabiscos elaborados,
através da minha máquina fotográfica, guardá-los-ia a cores. Esquecia o preto e
o branco, por ora. Guardava-os, num apontamento, tão colorido. E continuaram,
depois de eu dar costas, sobre a calçada, a mímica de se fotografarem. Não sei
se é amor, mas disfarça tão bem.
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