Começo,
por vez, por guardar a merecida ressalva. Não gosto de generalizações e, em
tempos, disse-lhe, tão petiz – não importa mesmo a quem – em resposta àquela
voz arrepiada, que são perigosas. As generalizações, tão vizinhas da
vulgarização. Porventura, tê-lo-ei ouvido ou lido num dos sem número livros que
guardámos lá em casa. Há desassossego por cada canto. Há pressa de quem não
espera em cada divisão, em cada estrada e em cada localidade. Há sol a brincar,
ninguém quer desperdiçar. A elegância foge dos pés. O requinte perde-se na
formulação conseguida naquele minuto, no exacto e impertinente segundo em que a
voz ganha fervor, desajuste que não combina com a simplicidade de viver o
descanso. A tendência de olhar para o calçado de alguém num rasgado primeiro
momento é um impulso como outro. Por esta altura, talvez se faça como resposta
uma valente e impetuosa alegoria. Levantam-se falsos testemunhos. Por tudo, por
nada. Mesmo que se comece por baixo. Sem a aflição de chegar ao topo. Mesmo que
não passe de uma fingida jornada.
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18.8.14
30.6.14
Escolhe uma cor.
Constantemente
não é óbvio, remédio que convém à torção de um músculo que já não ensaia. Na
terra batida encontramos tudo. As botas com desenhos distraídos da terra
fugidia, os botins de todas as estrelas, os ténis de corrida, os ténis com a
marca adornada no desenho da mais recente moda, os sapatos assimétricos, também
os clássicos e, imagine-se, os chinelos e os saltos. No pé de cada nome,
naquela terra batida, olhamos de tudo. Tanta gente junta, tanta diversidade
feliz. Calca-se a terra a cada passo adiante. Tanta gente reunida. Fazem-se
grupos de amizade. Amigos e conhecidos em roda. Risada, conversa e gargalhada.
Mas há sempre quem nos arrepie. A pele ganha outra textura, um toque de relevo
robusto da sensação desprevenida. E ficamos a vê-la. E ficamos a ouvi-la. Só me
interessa se tiver passagem desligada de repetidas imagens. Na terra batida
sustentam-se relações. Investem-se razões para conhecer quem és.
7.4.14
Certo e sabido.
Estive
tentado. Deixei-me tentar. Poucas são as coisas que me atentam o espírito.
Poucas, e falo em bens acessórios. Menores. Desinveste a escala. São, então,
poucos os que me remexem a alma. Que me atiçam a vontade e a necessidade de consumo.
Mas, evidentemente, vivemos de quebrar regras, vivemos de excepções. Este fim
de semana aconteceu. Empolguei os ânimos numa procura pelos ténis perfeitos.
Online. Para um homem, há acessórios que importam. Que impõem a diferença. Que
te fazem. Os ténis, que os tenho num fartote, são parte da excelência na
pronuncia do calçar. Atentemos no pouco explícito adjectivo. Pesa, no fim,
nunca serem suficientes. Falta sempre o modelo. O próximo. Mesmo que calce
sapatos, botins ou botas. Os ténis são a excepção. A melhor excepção e
selecção. E eu assumo, agarrei-me sempre à desconjunção do perfil. Mesmo que
guardem uma das marcas da moda. Que também as uso. Mas, evitem dizer a um homem
que esgotou a percentagem do risório. Não é improviso. É um facto. E eu, no
passado fim de semana, perdi-me no mais secundário dos centros comerciais, mas
o mais jogado, a internet. E encontrei, tal como adivinhava instantes antes, o
próximo par. O próximo par de ténis perfeitos. Contudo, o karma não perde e
alguém decidiu beliscar-me a tentação e dizer o que, jamais, se havia permitir.
“Já tens os pares suficientes. Arriscas-te a humilhar a patologia”. E anuí.
Lamentei, mas fi-lo. Nunca são os suficientes. Nunca temos todos os que nos
faltam. Nunca temos aquele par de ténis. Não entendem. Mas é importância maior.
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