Prometeram-me,
há tempos, a ida a uma casa de fados. Que ainda não conheço, mas que, dizem-me,
tem a música nacional por todos os lados. Tão travessa, tão sem pressa. Com
guitarras afinadas, vozes nada pensadas. Cordas em concordância, mãos cheias de
elegância. Ensaios de uma tarde inteira ou de uma manhã bem dormida. Poemas
conceituados, outros à hora arranjados. Mesas rústicas e tolhas trabalhadas. Vinho
tinto num jarro de barro, os arranjos florais numa jarra ao centro. O rapaz das
flores chega num carro. Senhores com a música à flor da pele, senhoras com as gargantas
afinadas. Fatos simples e repetidos. Gravatas ora ausentes, ora de tecidos
vividos. Vestidos compridos. Xailes negros sobre as costas e outros coloridos. Gente
com sabedoria, malta que começa agora à luta pela alegria. As mãos voltadas
para o céu cerrado, os olhos num jeito fechado. As paredes vestidas de
lembretes bonitos e ricos. A certeza de que não há lugar a esquecimentos. O
escuro é companhia de toda a hora, as velas não perdem com a demora. Os
clientes pela alma envolvidos oferecem os silêncios devidos. Prometeram-me, há
tempo demais, a ida a esta casa de fado. Já a vejo assim, sequer a pisei.
Espero com ânsias a semana que vem. Hei-de ouvir música boa e ver-me embrulhado
num ambiente que não se repete. Silêncio, vem lá fado. E eu gosto tanto.
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5.4.17
18.9.13
A casa de quem a faz.
Numa
varanda, à distância de significativos quilómetros, olho para o ar que me
dirige para o céu, na direcção que julgo ser a correcta. Naquele sentido há, há
muito, uma casa. Do fundo, do mais íntimo, surge o fado. Novo, velho. A par da
voz, da garganta e da guitarra, existe aquela casa onde, juntos, fazem fado.
Tantos quilómetros percorridos, chega a casa. A casa que ouve e dá fado. Aquela
casa que, inequivocamente, é de quem a faz. É, também, onde sem medo, nos perdemos
no fado. Noite dentro, despedimo-nos do lugar e, de surpresa, trazemos o que
ouvimos. Na lembrança, uma casa. Uma casa digna, onde o fado é senhor. Senhor,
merecedor.
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