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2.5.17

Reduzir a vapor.

Não me incomoda. Nem um pouco. Que as ruas se vistam do que os transeuntes lhes queiram adornar. A servir propósitos vários. Os que me fazem sentido e os outros. Cartazes largos e letras garrafais. Frases que ganham terreno no ouvido. Braços levados ao ar. Mãos feitas em punho ou pensadas como finas penas. Corredores de gente. Vozes sintonizadas. Uníssonos variados. Faixas largas e letras encarnadas. A cor da pele num convívio que havia de ser replicado. A convicção a juntar e a servir a comunhão. A pensar a sociedade e a levá-la à evolução. A firmeza nos passos. A certeza de que agir é, sem sombra de dúvidas, melhor do que fingir. Tudo isto, claro, encabeçado pela cidadania consciente. Usar as ruas, sem recorrer a artifícios, para marcar uma posição. Não me incomoda. Só me castigo por não me ver envolvido numa ou noutra cuja causa apoiei com firmeza. E volto a teimar com a mesma certeza. Hei-de fazer tombar o rosto de um ou outro familiar. Com esses desisti, algures, de fazer da prosa uma demora. Demarco-me da opinião e travo antes de o baralho desmoronar. Contudo, vezes há em que me esqueço e entro numa guerreia oral – com as devias cordialidades - que não tem montante nem jusante. Incorro num esboço da minha fácies, mais fechada e assumidamente zangada, quando a intolerância chega de tipos – homens e mulheres – com idade para saber distinguir. Pessoas com a minha idade ou menos, donos de um ruído interno que lhes consome o discernimento. E, consequentemente, que mutilam a realidade do outro. Lamento a política perdida. E as mentes cujos donos parecem acéfalos. Não me incomoda, senão a volatilidade de uns e a carência emocional de outros. À rua o que é do povo.

8.10.14

Lá diz o rifão.

Brincam, vaidosos. Vil comando que não conduz a sabedoria de gerir um número de plurais pessoas. É um jogo pernicioso. Tão torpe que não há justificação que combata um discurso ardiloso. No mesmo toque, negligente o suficiente para moldar e ferir vidas que não têm voto, senão na hora das massas se sentirem na obrigação de lhes fugir, o mais rápido que lhes saia do pêlo. Disso, ensaio e experiência, sobra-lhes. Um país que deixou de ser um convicto e sensato gestor, para tomar as rédeas de um irrisório perfil. Por estes dias, velhacos, voltam a dar e a tirar. A moda de que quem faz por bem, semeia o bem, é de sobremaneira ultrapassada nestas mesmas vozes. Velhacos. Não sou professor, mas conheço a dança de quem segue um sonho. Hoje decide-se. Amanhã regride-se. Entre o ontem e o hoje, mudam-se vidas, moradas, relações. Mantêm-se, porventura, as convicções. É a sorte deste trapaceiro modelo, que vive e sobrevive à conta de um povo melindrado e, ainda assim, convicto das suas ambições e obrigações. Não fosse a realidade dos factos anteriores, restar-nos-ia o conforto de um ditado, quem dá e tira vai para o inferno.