Dizem-nos,
a conjuntura social e os clichés, que já não se escrevem cartas, seja por que
motivo for. Guardou-se, algures, o hábito de escrever em papel, de caneta em
punho, as palavras que, verdadeiras ou não, passavam mensagens. Impediam, porventura,
que se deixasse para depois. Fazendo a ressalva, claro, do período entre o
envio e a recepção. Enfim, questões sociais à parte, aproveito o escrito
fechado e a data de hoje, tão importante, para deixar correr prosa. O léxico,
daqui em diante, pode confundir-se e parecer vulgar, mas é sentido e ajeitado
pela vasta gama de sensações. Longe vai o tempo em que nos conhecemos. Lamento,
sempre, o facto de a minha memória ser afoita e, por isso, fugir-me amiúde. Não
encontro precisão em tudo o que ficou para trás. As datas preferem oferecer-lhe
companhia, à memória, e, assim sendo, deixam-me longe de chegar às ocasiões.
Algumas, por certo. Gabo-te, inevitavelmente, o teu jeito seguro de opinar
sobre tudo, de arriscar numa vida diferente, de seguir por caminhos distantes
do óbvio. Gabo-te, igualmente, o sentido de humor timbrado e apurado, a ousadia
que imprimes na série de palavras que deixas fugir faladas. São características
que imortalizam a imagem que todos, sem excepção, guardam de ti. São pedaços do
que, enfim, todos encontram em ti. Tens essa particularidade, um tanto extravagante,
que fortalece os laços. Acho graça. Fica-te tão bem, que ficarias a perder se
os deixasses, sossegados, no lugar devido. Seja qual for o valor que somemos,
importa o vagar como voltas e conduzes a tua vida. Este jogo é, como sabemos,
uma sombra disso. Não te canso mais com o meu discurso dotado de sensibilidade,
nem desgasto as tuas dioptrias. Até já!
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21.7.14
23.6.14
Selecção de um país em competição.
Portugal
foi, durante algumas horas, uma bandeira desenhada, a esvoaçar pela força dos
braços de alguém. Foi reunião numa praça a céu aberto, num bar de típicos
petiscos, na casa do amigo que recebe sempre bem, ainda, na rua que até agora
lembra a azáfama dos Santos Populares, que cheira a sardinhas assadas, que tem
vendedores ambulantes e que esconde, atrás das janelas e portas tão
características, vidas. Porventura, vidas que, durante as mesmas horas, solitárias
ou não, viveram a esperança de Portugal, país em competição. Ouvem-se, a
arrepio dos ecrãs gigantes, das televisões datadas ou dos ecrãs de nova
geração, vozes que não se cansam, gemidos e figuras a reagirem à ginástica do
desassossego de um jogo. Abrem excepção no aproximar da baliza. Em que o
silêncio quase que toma corpo. Ouve-se, logo depois, um esgar de decepção. No
entremeio da dedicação, houve momentos de explosão. Os dois golos da
comemoração. Enganou-se a alma até ao instante final. Apitou e sustentou-se um
empate. Agora, relaxa-se o corpo. A boca entreaberta fecha-se. A mão que tapa
os lábios deixa-se cair. Os braços cruzam-se por não lhes saber posição. Os
olhos fecham-se demoradamente. As bandeiras perdem a dança na medida das forças
daqueles braços. Respira-se fundo. De corpo pesado, seguem a sua vida. Portugal
foi, pelas mãos da competição, união de pessoas e sensações. Guardas, a seguir,
a camisola alusiva ou o todo da classe de adereços. Até ao próximo jogo. Para
remate final, não lhes despendi demasiadas expectativas. É um Mundial, fomos apurados.
Desapropriaram-se, contudo, da acção e reacção. Portugal fora, durante algumas
horas, uma sombra. E um abanar de cabeça, de negação. Até, bem sabemos, à prova
seguinte. Portugal, pais em competição.
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