Mostrar mensagens com a etiqueta dezembro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dezembro. Mostrar todas as mensagens

19.12.16

Dezembro embrulhado em luzes.

Vim pela rua, sob um frio nada vulgar, sobre a calçada nacional, com a vontade de contar mentalmente os pontos de luzes a enfeitar, a cabeça a magicar. Larguei os sapatos bonitos e os ténis divertidos. Trouxe as botas felizes. Um lenço farto ao pescoço, o casaco capaz a cobrir o corpo. Vim pela rua secundária, com as luzinhas a desenhar a época. Hei-de desaguar no largo, logo adiante, cuja árvore central brilha e agiganta-se. Rodeada, claro, por petizes animados, pais atentos, amigos em poses peculiares e outros a passar, cúmplices da feitura do quadro. Sem apressar o passo, cheguei antes da hora marcada. Feitio que, com gáudio, teimo em não desperdiçar. Recebido com toda a pompa, sem que assim exigisse a circunstância, respondi com um sorriso comedido. Surge, de entre as cabeças aglomeradas, aquele que nos junta por ora, e de cara leve, dirige-se a mim e lança-se num cumprimento efusivo. Fui recebido assim. Depois pela senhora que enverga um cargo sonante. Depois por este, a seguir por aquele, ainda outro e outros tantos. A todos e sem excepção, agradeci a amabilidade e as honrosas palavras. A sala começa a compôr-se, o burburinho não perdoa, os candeeiros empinocados dão outra dimensão a tudo. E a todos. Num olhar furtivo, encontro um rosto verdadeiramente cúmplice. A distância que a sala impõe, as conversas de situação e a comedida emoção, vetaram uma precipitada reacção. Mais adiante, quando a noite corria longa e prometia roubar largar horas, trocámos um beijo no rosto com demora. Cedemos no sorriso que denuncia. Dezembro, esta altura do ano, é um bom acaso para o descaso de, por fim, nos voltarmos a cruzar. À janela, antevendo a prosa adiada, ficámos sem pressa. Neste embrulho sereno. Voltei pela rua, contido no mesmo frio pojante, sobre as mesmas pedras da calçada e, desta feita, com toda a vontade de mentalmente recordar e garantir que a razão sobrepõe-se a tanto. Até que chegamos a Dezembro, cedemos no cumprimento e emburulhamo-nos em luzes. Em tantas, quantas a necessidade.

10.12.14

É natal, senhoras e senhores.

É Dezembro a caminhar. Chega o primeiro do mês e logo de festa se veste. Se vestem. As casas, as ruas e as pessoas. O espírito toldado pela luz da ocasião. Desde sempre, desde que tenho memórias, ainda petiz de vontades travessas, que me lembro de ouvir que este é o mês das festas. Todo um período de trinta e um dias em amena e alusiva festividade. É natal em cada esquina, feliz a época que vive da alegria da criança traquina. Cá em casa, também dessa altura, ficou a tradição de decorar a árvore sempre no mesmo dia de Dezembro. Não foi excepção. Houve, algures, um emaranhado fio luminoso no meu soalho. Um pinheiro e pormenores. Tantos detalhes, quantos a época exige. É natal, senhores. Guardei, numa rede social deste tempo, para mais tarde recordar. Contrario-me em cada gesto, mas é o natal a solicitar. Temos, assim, uma árvore decorada a rigor, pensada ao pormenor. Alguém se ocupou das velas pintalgadas pela divisão, as mantas de decoração. Trocámos o emaranhado luminoso pelos presentes que recebemos e ofertamos com gosto. A mesma escolheu os temas de fundo, a banda sonora que reivindica para o quotidiano da vida. A sala é o ponto privilegiado. Como noutros tempos. Os vidros húmidos, as telas perfeitas. Desenhos da época, as ilusões eleitas. A consoada era o pretexto ideal para um número elevado de companhia. A mesa composta, fiel aos costumes e ao bom gosto. A cozinha num rodopio.  A lareira, lá ao fundo, queimando lenha, o fumo gastando-se lá fora. A família junta, fazendo muitos reunidos. Temos conversas sem fim, damos destaque às histórias contadas e sabidas de cor, tão repetidas se fizeram. É natal, senhores. Inevitavelmente marcam-nos a falta de membros importantes e sem substituição. Uns ausentam-se por agora, outros para sempre. É Dezembro, chega o fim do ano. Repetir-se-á, novamente, no próximo ano. As histórias também. Vozes e presenças falhadas. Que nos faltam. É natal e, aproveitando-o, partilhamos pessoas para sempre ausentes. É natal, estamos presentes.