Cheguei
da praia. Há coisa reduzida de tempo. A areia no lugar, o mar a ondular. Corpos
ao sol, crianças a brincar. Lembrei-me de ti, dessa vontade quase insensata de
adiar as férias. De voltar depois. Porque o corpo ganha hábitos, a mente
perde-se no prazer que imagina. Faz sentido, não fossem as saudades enormes. À
distância, mantemos a conversa, às vezes cara-a-cara, numa ironia profunda.
Como se um vídeo oferecesse humanidade. Outras vezes, numa escrita desenvolta. Desta
vez, optamos pela última. Escrevemos, escrevemos muito. E não há adágio que me
salve. Que me demoro na prosa. Salvo raras excepções, demoro-me com os que me
importam. Devolvem-me o mesmo. É assim. Por mais que nos canse, este intervalo
entre dois pontos da geografia, é a única opção. Os amigos, homens e mulheres
genuínos. Que abrevio caminho garantindo que, em pausa da modéstia, me dou com
tipos bons. Gente boa. Esses amigos foram para lá, mas continuamos cá. Depois
da prosa demorada, é que te perguntei por outras coisas. Primeiro o amor.
Voltámos sempre ao mesmo. As emoções, as reacções físicas, a ambição de chegar
ao outro. A faculdade de discernir que se perde. Questiona-se se o amor é
paixão. Se a paixão é o amor a escovar os sentimentos. Vai à aventura. Talvez
já saibas. Daqui a uns tempos, já saberás responder. Perguntar-te-ei antes que
tudo se é amor.
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18.6.15
30.4.15
De Londres, com saudade.
Foi
assim que terminou a mensagem que me chegou ontem ao e-mail. Vem de lá uma
parte da saudade, que a vou tendo dispersa. Feita em pedaços, numa Europa
altiva, numa Europa romântica, num ou noutro continente. Nova Iorque tem
trejeitos e não guarda, hoje em dia, nenhuma fonte de saudade. Mas guardo-lhe
alguma curiosidade. De Londres, vem uma amizade antiga, num táxi bonito, de
saltos altos e maquilhagem irrepreensível. Enquanto, de maçã na mão, escreve
sobre a distância. Relata, sem sossegar, o que ganhou depois de se mudar.
Também perdeu e escreve sobre isso com a mesma dignidade. Misturada com a serenidade.
Embora, as palavras escritas possam enganar, porque perdem a identidade da voz
e do tom do interlocutor, vamo-nos lendo em sintonia. Há uns anos
emprestaram-me um livro. A capa era dura, tão forte e pisada pelo tempo. Não
consigo perceber se estava numa ou noutra fase. Mas não esqueci. Quem mo
emprestou fez bastante questão. Leva-o, toma-lhe as conversas quase
inexistentes e guarda o texto corrido e as descrições. As descrições, essas
sim. Moldavam, propositadamente, toda a história. Bem sei, adiei até não mais
conseguir, o dia em que trouxe o livro para casa. Leva-o, desta vez, leva-o.
Vais atentar a intelectualidade e questionar a espiritualidade. Lê com calma,
dedica-lhe tempo. Fiz como pedido. Lembro-me que no exacto momento em que
cheguei à última página, lhe devolvi uma mensagem. Citação breve, um pensamento
mais demorado. Que não é novidade, tenho tendência a ser longo na prosa. Quem
mo emprestou, a amiga brava que conversa de Londres, respondeu-me. Muitos
elogios e todos fundamentados pelo poder de argumentação. Conversamos imenso,
escrevemos ainda mais. Daqui, com saudade.
2.2.15
Uma noite de risada pegada e uma imagem bem guardada.
Aí em casa. Aqui também. Prestem atenção, gente de bom coração. Volta,
tempo sim, tempo não. Queremos sempre, escolhemos quando dá. Temos coisas para
ti, tenho coisas para vocês. Batem as pestanas das meninas, piscam os olhos dos
rapazes. Tudo bem medido. Conversas sem fim, como se insiste no termo da
semana. Ascende a tentação de ficar no sossego. Gente minha, à volta das
palavras, das histórias com final. Uns felizes, outros tristes aprendizes. À
volta da ironia característica, no conforto da partilha e do quente tão típico.
Pediram-me, no meio de tudo isto, que desenhasse. Que a desenhasse. No mínimo,
que fotografasse. Que a fotografasse. Por favor, voltou a insistir. Não dou
tréguas com facilidade. Não é maldade de génio caprichoso e altivo. É o lamento
do receio. Porque não é uma opção. Nem sei se, porventura, é uma necessidade.
Permanece por aí, pedi. Vamos ver. Ligámos, via Skype, para outra parte deste
grupo, para um país que nos levou uma boa margem. Agora, todos, fizemos um
relato sem fim. Bebemos e brindámos à amizade longa. Rimos com vontade. Até do
sarcasmo voraz. Partilhámos. Nisto, decidi guardar-lhe a pose. Sem dar por
isso. Enquanto ouvia atenta e ria em resposta. Voltava a cabeça e girava o
longo cabelo. Não lhe disse. Voltámos ao brinde, à conversa sem medida e à
partilha à distância. Toma. Beijou-me, antes de ver. Obrigada, disse-me. Vou
dançar com outra convicção. Tão contente por me fazeres em pausa nesta noite de
feliz confusão, continuou. Outro beijo. Rimo-nos. A sério, rimo-nos sempre. Por
bem. Juntos, seja qual for o motivo. Todos os dias que o ano tem.
30.1.14
Um clique não é uma palavra.
À
distância de um clique, acontecem coisas extravagantes, providas de vida,
ausentes de conteúdo. Nada, em tempo real, comparável com a troca de palavras.
Olhares. Depois de clicar, acertamos o ponto. Depois, a sério, sabemos que a
distância, jamais, será o mesmo que a proximidade. Que a proximidade, suportada
por palavras, actos e olhares é, de sobremaneira, impagável.
22.11.13
Deixa-me que te diga: Fazes-me falta!
Do
meu telemóvel ressoou, ontem à noite, duas vezes compassadas o som de mensagem
recebida. Provavelmente, refém de uma vaga sensação de aborrecimento embravecido
que me estagnava, deixei-me ficar. Talvez, misturado com a sensação de serem
pessoas repetidas a fazê-lo. Havia de responder-lhes. Mais tarde. E, por essa
altura, já a noite ia longa, cheguei-lhe perto. E, ao ver a presença daquele
nome antecedendo o recheio da mensagem, pressenti o momento como se fosse a
primeira vez. Percebi, é sempre assim. Ficam-nos sempre. O que nos dão supera o
que ofertamos de coração e o que deixamos ficar, por força da ocasião,
pendente. De um outro país, haviam chegado duas mensagens relevantes. Também
pelo conteúdo mas, acima de tudo, pela autoria. Entre tanto, as saudades. Os
mesmos suspiros de carência do que nos importa. Dos que nos custam importância.
As malfadadas saudades. O medo do esquecimento e a demissão persistente de
resignar tudo o que formamos até então. A procura por momentos mais duradouros
e que se façam amiúde. A distância fomenta o medo, não gastemos a dúvida. Mas fazes-me falta, disseste-me a dada
altura, numa das mensagens, como se essa frase fosse o resumo de tudo o que
estava acima. Sempre gostei de ditados. Portanto, deixa-me que te diga em voz
alta, para que redijas e guardes onde entenderes: Fazes-me falta!
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