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11.8.14

Representar sob a respiração.

Podes imaginar um baloiço lá ao fundo. Já não é parte do quadro. Fora noutras bravas aventuras. Podes desenhá-lo em ferro de cor verde. Entre o novo e o agastado leve. Incoerências dos e do que se expõe. Ao ar livre, tão liberto quanto uma gota que cai e se permite correr e escorrer pelo e por quem com ela se cruzar. Podes começar o desenho. Num caderno negro como o meu, de pequenas dimensões. De folhas limpas de linhas. Despidas à procura da imaginação. Seguras pelo elástico que envolve. Podes continuar a imaginar, agora, também, a desenhar. Escolhe o enquadramento, alinha o que vês, entre linhas certeiras, outras enviesadas. E, dimensões à parte, sentá-la, à que merece todos os predicados, assim te sintas refeito, no baloiço. Dois lugares em repouso. Na sequência, fá-los andar. Leves, como quem começa. A seguir, mais possante. E brincam num baloiço de inventar. Até que se lembre a parar. Podes imaginar e desenhar tal e qual, desta forma. No final, mesmo que não acredites em relações, diz-lhe que te esforçaste. Agora, antes de fechares o teu caderno, ri-te da sensibilidade de tudo começar na imaginação.

23.4.14

Conformidade entre vidas.

Os nós das mãos disputam atenção com as veias tão salientes. Pousadas, uma sobre a outra, as mãos agarram com a fé de quem espera não perder a segurança, na bengala. A força de se manter em pé. Castanha, de berloques trabalhados, a bengala ajuda-o no percorrer daquele lugar. Calça umas botas grosseiras da cor do caramelo, veste umas calças vincadas, de um verde seco. Cobre o tronco que veste uma blusa, com uma camisa grossa, axadrezada, em jeito de casaco. Na cabeça, o chapéu. Também castanho, mas bem mais escuro. Não sei se por aqui, lhe chamam chapéu. Apropriei-me do meu termo. Junto ao mar, na praia de pescadores, salvando a já pouca destreza física, mantendo-se no paredão. Mas curva-se para ver. As pequenas embarcações por ali, o mar quieto. À volta, as redes tão características da pesca. As caixas que carregam ou já trouxeram o peixe. Os pescadores a falar, ouvem-se alto, enquanto mexem no peixe. No ar, as gaivotas sobrevoam. Num executar de bailado típico de quem procura alimento. É um quadro feliz. Daqueles em que os protagonistas vivem. Não se limitam a concordar.