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27.4.17

Inócuas tertúlias e um jardim repensado.

É, toda a parede de fundo, de azulejos vestida. Quadrados exactos, fundo branco, por amarelo e azul riscados. Formam um desenho bonito, a fazer lembrar os de outros tempos. É um jardim improvisado. Depois das janelas largas, ei-lo montado. Paredes altas, largas, típicas dos prédios antigos. Vasos amplos, com flores a condizer. Verde e outros tons de mãos agarradas. Cheira bem, olha as rosas empinocadas. As cadeiras com almofadas. A mesa comprida e bem caprichada no arranjo. Descem dos ares luzes várias e vasinhos com ervas efusivas. Temos direito a bebidas frescas. Na parede pintada a rolo, um espelho redondo, a imitar os rostos. Fez-se luz e num desassossego tornaram-no eficaz, cheio de utilidade. Ali, encerrados naquelas medidas nada exageradas, apetece fins de dia partilhados e noites sem horas. Tempo quente e a lua presente. Olhamos à volta e está confortável, confiante. Sobre nós o azul do céu. A vizinha do andar superior não remoca. Bem pelo contrário, assoma-se à janela e, de copo na mão, sugere o brinde. Quão castiça, a mulher e a acção. Braços ao ar, daqui um sonoro CHEERS! Temos música de fundo, sai de uma coluna Marshall, negra e ainda mais embelezada com dourados e encarnado vinho. “Summer Wine”, a duas vozes, é agora a maestrina do ambiente. Matraqueamos como é nosso apanágio, entre as risadas sentidas e as bebidas servidas. Olha ali, sai a fotografia para o Instagram. Poses, cabelos aconchegados, risos nada forçados. Prefiro as fotografias para lembrar, sem pelas redes sociais passar. Mas não tenhamos dúvidas, amizade é viver e partilhar. Esquecendo as moléculas da cobrança. Estar é sinónimo de respeitar. Muito mais quando temos uma parede azulejada a fazer as honras de fundo. Olaré!

11.9.14

Glosar enquanto toma um vinho.

Desliguei a pretensão deste acto se tornar num mote. Pelo menos, vistoso, válido e pertinente. Mesmo com o ambiente certo à volta. As paredes seguram molduras para não esquecer. As paredes têm um tom gasto, propositado. O matizado de dois tons. A moda evoluiu, a decoração de tantos espaços mantém-se fiel. Ao proprietário, à sala, aos clientes que o procuram e, inevitavelmente, voltam. Tenho para mim, que à essência. A madeira que sobe desde o rodapé até à medida certa. As toalhas de ponto trabalhoso sobre a mesa. O vinho tinto que chega como deve ser pegado. O requinte e a malvadez dão as mãos. Pernicioso, este atentado que é a vontade de escolher sem conhecer. Perde-se o desenvolvimento, pelo mote mal interpretado. Surpresa. Pode servir.