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29.5.14

Não o aproveitar enquanto é ocasião é um perfeito despropósito.

Vou ser somítico. Bastante apegado às palavras. Vou poupar-lhes o desgosto de gastá-las, se assim conseguir. Naquela rua da baixa, hoje movimentada, noutros tempos ainda mais festejada, passávamos. Num dos prédios que sempre gabo, vive uma montra de loja, que é novidade, sangue novo e negócio contemporâneo. É dinamismo e devoção na mente criativa que, felizmente, decidiu fazer-se de coragem e de obras às ideias, entender, por fim,  concretizar. Havia gente a passar, de língua afiada, da montra a desdenhar. Nós parámos. Ficamos a olhar e a ver. É letras e sonhos. É bravura de quem não desiste, nem perde sombra dos seus instantes a mordiscar a carne e a vida alheias. Hei-de lá voltar.

21.3.14

Chamemos-lhe tudo, menos Felicidade.

A escadaria do metro que antecede uma das zonas mais movimentadas da capital é, a par de outras estações, um requinte de troca de olhares, uma mistura de tropeços que se esquecem e falham por ali. É um contacto de voltas directas com as múltiplas culturas que, felizmente, vamos encontrando. A Felicidade, que não gosta, nem na intimidade, do seu nome, compensa no corpo, nos actos finos e tresloucados, se preciso em simultâneo, e nas palavras tortas. Veste-se como quer, não é oferecida, contudo é bastante ostensiva. É sedutora porque, como tantas vezes lhe sai boca fora sem pensar, o corpo é dela, desenha-o e esculpe-o ao seu jeito e feitio. Adorna-o como quer. Quanto às tatuagens, que as sabe de cor e salteado, mente quando lhe perguntam quantas são. Diz-lhes que não sabe. Mas faz a perfeita ideia. São treze. Propositadamente treze. Todas feitas na razão do pião que é a sua criatividade. Os sentimentos são anos que cessam a razão de cada uma. E torna a calhar-lhe na triste sorte quotidiana, voltar a passar pela estação de metro de todos os dias. Leva na mão direita uma mala grande e um livro. É Tolstoi. Tem um ar gasto e sedutor. Pergunto-me porquê Tolstoi. Ninguém é de ninguém. Nem as afinidades e os interesses. Não lhe perguntei. Ela seguiu doce e atrevida, como o passado que carimba com a sua passagem. Subindo a escadaria. A tatuagem maior a olhar para trás.

28.2.14

Vinte e duas horas e vinte e dois minutos.

O enquadramento é o requinte de saber quem é, de saber quem sou, de saber quem somos. Querendo, dava destaque à tela cuja pintura inteira vinga em toda a parede. Mas não consigo. Também, não sou o mais entendido na matéria. Do tecto caem lustres deslumbrantes. Ainda assim, difíceis de roubar a atenção. Mas absorvo-me nela. Nos cabelos compridos, à solta, a cobrirem-lhe parte do busto. O rosto brilhante e maquilhado. As jóias sóbrias e discretas. O olhar que me cruza. As pernas cruzadas entre a bainha do vestido e os saltos altos. A postura que, em tudo, converge com o esqueleto do discurso e do pensamento. Estava a olhá-la e fiquei a pensar no quão me influência os pensamentos e os sentimentos. Não os baralha. Antes, une-os e excita-os. No melhor do sustento de ambos. Como me tolda a escrita e protagoniza a raiz de onde me inspiro. Sempre. Desde que nos deixamos conhecer. Por ela, para ela. Estava a olhá-la e, por fim, não restaram dúvidas. Faz sentido.

8.8.13

O que se diz. De mim. De ti.

Todos, salvo raríssimas excepções, escutamos, guardamos e queremos saber o que os outros dizem de nós. O que entendem de nós. O que vêem de nós. Bem ou mal. Queremos. Por ora, por meses, por anos. Guardamo-lo. Depois avançamos. Devemos avançar. Bom ou mau. Deve ficar ali. Devemos seguir. Agarrar-nos à avaliação de alguém, prende-nos. O que dizem de ti, de mim, são factos passados. Tantas vezes irrefutáveis pela imbecilidade ou relevância de quem os vocifera. O que se diz, dito está. O que se ouve, registado está. De mim ou de ti, não interessa.

29.6.12

Aqui, apetece-me tudo menos gargalhar.

Respeito imenso as pessoas, porque mo merecem ou, simplesmente porque, até ver, acho-as merecedoras. Depois, com a convivência e as consequentes acções, vou-me apercebendo do quão verdadeiras ou falsas essas pessoas se vão tornando. Adoro conhecer gente porreira, com boa disposição, desprovida de angústias internas que as façam descarregar tudo sobre os outros e destilar maldade a preço zero. Detesto cruzar-me com aquelas que se julgam donas e senhoras de um mundo que é só delas (Lamento informar, esse mundo não existe!), que vivem na ilusão de que são capazes de enganar, induzir em erro e, pouco a pouco, pisar os outros. Já me referir, aqui, a uma dessas pessoas e a minha opinião mantém-se intacta.

Venho reparando que uma amiga próxima, de trato quase diário, está a envolver-se demasiado com esta pessoa que, infelizmente, insiste em envolver-se no grupo. Não sou o único que percebe que esta pessoa é tudo menos o que mostra. Todos já percebemos, à excepção desta amiga. Já tentamos passar-lhe a mensagem, mas recusa e até leva a mal.

Há quem nasça e há quem nasça para consumir os outros. Tenho dito!