Uma
história curta. Uma estória que tem tanto interesse como todas as outras. Uma
conversa no meio do Alentejo. Uma casa, gente boa. Tirei uma fotografia ao sol
a ameaçar pôr-se, depois de uma tarde entre conversas animadas, risadas leves,
banhos na piscina e o gozo de deixar-me ficar ao sol. À frente dele, deste sol
que deixa uma luz do caraças, uma casa comprida, típica como o desenho da
região. Adiei a vontade de mostrá-la ao mundo. Perdeu o Instagram. Ganhámos nós, perfeitos convivas em fim-de-semana, que o
vimos sem filtros. Na varanda larga, estava eu de costas para a casa, com as
janelas escancaradas, porque o calor não perdoou. Nisto, oiço alguém
perguntar-me o que ainda fazia ali. Já não procurava o melhor lugar para
apanhar rede, pois por vencido me dei. Estou a pensar, foi a resposta. Não
estava nada, que não me ocupava naquele silêncio, senão a olhar. A ver a
paisagem a acontecer. Um ou outro carro, raras vezes, lá ao fundo a passar a
caminho da praia. Levantei-me e juntei-me à amiga que estava de pé. Sem que lhe
perguntasse nada, falou do casamento. Do seu casamento. Teremos casório lá
adiante. Emoção na cara. Os olhos brilhantes, um sorriso nos lábios. Deve ser a
cara da expectativa. Com esta cara, falava-me dos preparativos, do vestido, do
horário da cerimónia. A avó, continuou, chorou quando a viu pela primeira vez
de branco. Só percebo o casamento, se for assim, emotivamente vivido. Quando os
protagonistas acreditam no amor. E deixam-se acreditar no amor que nunca acaba.
Não desistem, mesmo que não o mostrem aos outros. Mesmo que vozes soem mais
alto alvitrando putativas dúvidas. Vi-a a passar as mãos pelos olhos, para que
não caísse qualquer lágrima. Ouvi-a num relato quase ininterrupto. E acreditei.
Naquele amor, naquele casal. Mesmo que ainda não tenha em mim o sentido lato da
definição irrevogável do amor que quer casamento, mesmo que ainda procure
provas. O que vem a seguir, será sempre melhor. O noivo e outra amiga chegam à
varanda, ela fotografa-me e temos verão numa fotografia. Que seja um amor
gatuno, meus bons amigos, é o que me permito dizer-vos. Que vos tenha lesado
por muito e bom tempo.
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29.6.15
18.5.15
Em diferido. #34 (Um ano depois)
Passa
o tempo - O fim-de-semana foi de maior. Não li jornais, nem revistas. Ouvi
menos música no decorrer dos dias. Escrevi menos do que nos outros períodos.
Vi-me mais vezes, e mais demoradas, ao espelho. Escolhi a roupa noutros moldes.
É um género de rescaldo. Se é possível fazê-lo nos próximos meses. Foi um
fim-de-semana de entusiasmo e dedicação. A recuar aos dias atrasados,
estendendo o descanso, ansiado. A dinamização auferiu pontos extra. Nomes há,
que guardo sempre com saudade. Amizades que não têm definição. Gente que me
carrega, de sorte e sensações, o núcleo da amizade. Nomes que, ao falar deles,
quem me ouve já sente a verdade do que sinto. Já não fazem contas à infinita
amizade. Por isso mesmo. Sair para jantar. Descer a rua de sempre, a falar sem
reparar nos que passam. Sair para conversar e beber um café. Sair para estar e
tomar algo. Sair, também, para tomar o pequeno-almoço. Falar, sem tabus.
Contar, se surgir ocasião e necessidade. É um encontro de partilha. Um modo de
participar nas nossas vidas. E torna-se numa estrada sem limite. A conversa não
se esgota. Marcámos, apenas, uma hora. A de encontro. Daí para a frente, não
sabemos. À noite, a brasa de ver o Benfica terminar o que havíamos discutido
nos últimos tempos. Fez-se campeão. É um festival de raiz. Tudo isto. E isso
basta. Não é preciso mais.
13.4.15
Tipo genuíno e uma convicção verídica.
O
fim-de-semana é o recurso dos ocupados. Mesmo que a labuta não cesse, fica
sempre um gosto mais requintado. Tens o tempo camuflado. Travestido de outra
coisa. Tomas o básico qualificado, como se estivesses a digerir e a aproveitar
o alambicado altamente classificado. Dás um, dois ou três beijos, conforme o
apetite, porque não interessa nada a flora etiquetada e a fauna desinvestida de
uma certa zona de extremos. As gentes boas à beira do mar, junto aos barcos. Os
senhores de boa índole que têm relógio bom no pulso e gravata desenhada ao
peito. Cruzas-te, física e telefonicamente, com uma série de gente que importa.
Recuei ao corredor descoberto do ensino secundário. Em que lavar os dentes e
fechar a torneira em cada intervalo da escova, era primordial. Para alguns. Uma
discussão que se fundia e confundia com a ambição de um mundo mais cuidado.
Tratar para ter retorno. Sempre assim. Cada um de nós opinava e tinha, mais do
que uma opinião formada, uma opinião válida. Pelo menos, uma visão com
validade. Mesmo que a acção ganhasse terreno. Sobre o conhecimento, portanto,
sobre a teoria e a razão. Fora desse ambiente, um amigo que não frequentava os
mesmos lugares. Mas batia-se, feroz e eloquente, contra todas as políticas
instrumentalizadas pelo defeito e gritava por um mundo cuidado e bem tratado.
Cheguei a gabar-lhe a vontade e a genica. Disse-lhe, também nessa altura, sem qualquer
espécie de troça, que faziam falta mais tipos como ele. E mantenho. Voltando
lá, ele tinha a certeza de que havia de correr mundo, ser feliz e, o mais
importante ser pai. Cumpriu quase tudo até ontem. É feliz, vive do mundo,
percorrendo-o com vagar. Mas ainda não é pai. Ainda é cedo e não conheceu a mãe
dos descendentes. Um dia, dizia-me, tem de voltar para ficar. Só tem uma
certeza, pai vai ser, porque só quer continuar a partilhar.
24.11.14
Algures num sumptuoso lar.
Não
me canso de gabar a sala de pé direito alto e elegante, o soalho de madeira
pesado que não deixa a desejar. As portadas largas, brancas como a decoração.
Os vidros, no fim-de-semana de Novembro a findar, ganham pingas a desenhar. A rua
fica lá em baixo, como se fosse a terra a definir. E gosto de ler, mas escolho
o sossego. Não é o caso. Agora, servem-se cafés e infusões. Não é chá porque
vem em latas reinventadas. Biscoitos e scones da padaria que agora é costume. É
um desenrolar de conversas sem fim. Sartre é tema em cima da mesa. Opiniões que
não se medem na informação vazia que percorre o mundo de circunstância. Antes
dele, falámos de Carla Bruni, recordações do seu tema “Tu es ma came”. Logo alguém se lembrou da letra e a cantarolou.
Mais depressa correram ao vídeo online e a saudade voltou. Fazemos da
informação e da canção o que delas nos aprouver. Caso não resulte, problema
resolvido. Compras mais infusões cuja marca nacional os reinventa e oferece
novos sabores. Serves, por fim, de bandeja com os sonhos e os dissabores.
9.9.14
Com toda a essência.
Em
teus braços, a convicção ganha bravura e sensatez. Aquela necessidade
semelhante à vontade de roer a angústia sob pena desta se tornar o todo. É uma
desordem das convicções. É um absurdo de quem pensa com os centímetros do
passeio lá da rua. Da rua de onde não saem, fugindo à imperiosa e real reunião
de quem se volta para a ausência de compromisso com a fatal igualdade do
figurino. Extenso, externo. Intenso, interno. Estreia o fim. Ou com o final
escancarado. Portugal tem outras opções. Tão triviais como o nome e sobrenome
não darem as mãos à irremediável elite de danças típicas de um fim de noite em
que as discussões tomam-lhes as sinapses. Portugal também vive o privilégio de
esperar encontrar de todo o gosto. De tudo em convivência. Do figurino à
desenvoltura de ideias e à criatividade no discurso. O fim-de-semana ligou a
cidade.
9.6.14
Maravilhas num banho de delicado caldo cor de vinho.
Partilhei
um prato requintado, um crepe atrevido e um vinho de qualidade. Derreti um
beijo de vagar demorado. Disse palavras bonitas, por serem sentidas. Sinto-me
espontaneamente romântico. Tal e qual um repentista. Quiçá, esteja certo. Já me
posso casar. Já sou um rapaz de interesse público. Vista-se a noiva a rigor.
Salte-se-lhe o ramo das mãos para lá do véu. Mas não me ofereçam máquinas.
Entendo que sou aquele que não as dispensa, mas não traz sempre consigo o que
ainda não se inventou. Tanto havia para partilhar à entrada. Vamos numa
demorada troca de olhares? O espectáculo merece-nos atenção. Rufem os tambores.
Aproveitemos a acústica. Há dias que vão. Outros tantos que se resumem a vir.
Românticos ou não.
21.4.14
Passa o tempo.
O
fim-de-semana foi de maior. Não li jornais, nem revistas. Ouvi menos música no
decorrer dos dias. Escrevi menos do que nos outros períodos. Vi-me mais vezes,
e mais demoradas, ao espelho. Escolhi a roupa noutros moldes. É um género de rescaldo.
Se é possível fazê-lo nos próximos meses. Foi um fim-de-semana de entusiasmo e
dedicação. A recuar aos dias atrasados, estendendo o descanso, ansiado. A
dinamização auferiu pontos extra. Nomes há que guardo sempre com saudade.
Amizades que não têm definição. Gente que me carrega, de sorte e sensações, o
núcleo da amizade. Nomes que, ao falar deles, quem me ouve já sente a verdade
do que sinto. Já não fazem contas à infinita amizade. Por isso mesmo. Sair para
jantar. Descer a rua de sempre, a falar sem reparar nos que passam. Sair para
conversar e beber um café. Sair para estar e tomar algo. Sair, também, para
tomar o pequeno-almoço. Falar, sem tabus. Contar, se surgir ocasião e
necessidade. É um encontro de partilha. Um modo de participar nas nossas vidas.
E torna-se numa estrada sem limite. A conversa não se esgota. Marcámos, apenas,
uma hora. A de encontro. Daí para a frente, não sabemos. À noite, a brasa de
ver o Benfica terminar o que havíamos discutido nos últimos tempos. Fez-se
campeão. É um festival de raiz. Tudo isto. E isso basta. Não é preciso mais.
17.8.12
Fim-de-semana.
Nem sempre estamos disponíveis, estando. Parece-me, cada vez mais, que quando nos limitamos a "fazer nada" é quando o tempo se resigna e não fazemos mesmo nada daquilo que vínhamos programando.
Enfim, filosofias à parte, aproveitei um fim-de-semana para rumar a uma zona do nosso país de que gosto bastante. Onde já passei bastantes temporadas e cada uma especial por si só. As saudades desses tempos, desses verões, desses amigos são tão sentidas e fortes que não consigo descrevê-las para além disto. Por mais que o tempo passe, não esqueço.
Estes dois dias valeram por uma semana ou mais de férias! Passei pelos mesmos lugares. Passei pela casa onde tantas vezes rimos, brincamos, jogamos, partimos copos e pratos, choramos em jeito de verdade, desabafamos, fomos sinceros. Éramos muitos e todos estavam no sítio certo, com a idade desse tempo. As ingressões pelo mato em direcção à praia eram uma valente diversão. Nem falo dos jogos de matraquilhos. Ou das garrafas caídas. A piscina teve o seu espaço.
Um fim-de-semana soberbo! Desta vez, a companhia foi diferente, igualmente boa. Divertimo-nos tanto, de outra forma. Respiramos sem medo. A repetir.
No meio de outros afazeres e de outras preocupações é tão bom puder fugir da rotina.
Espero, com verdade, que este post marque o meu regresso ao blog.
Até já!
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