O
comando que funciona num jardim da cidade - Ao fundo, o rio e o casario. Tudo
importa. As coincidências, entre a opinião de autores e de perfeitos anónimos
tomando-lhes as palavras e/ou os títulos, não existem. Assim seja. Seja assim,
para quem nunca teve a sensação irrefutável de vivenciar situações que,
faltando-nos o vocabulário e as emoções certas, nos parecem autênticas
coincidências. Ou serão, antes, certezas de um destino traçado, que recusamos
aceitar? As questões multiplicam-se, por força do tempo que dispensamos naquilo
que tantos apelidam de miudezas. Roubamos sem cabermos no acto. Apropriamo-nos
de emoções e certezas. Havemos, em instantes, de lhes bebericar as dúvidas. O
imperfeito que, inconstante, nos eleva na dinâmica do voluptuoso risco de
inovar, aproveitar. Mas, falava eu de coincidências. Não as sei reais, mas
também não as vejo impossíveis. Os sonhadores querem-nas por inteiro,
consequentes. Os descrentes não lhes cedem paciência. Não há rectas. Assuntos
há, em que a regra é não ter regras. Pois, bem sabemos, não é de poesia ou de
prosa que falamos. Coincidência ou não, depois de iniciar uma nova fase, um
novo projecto a ultrapassar o papel, eis que num banco de jardim, algures entre
o rio e o casario pintalgado, uma pessoa vira-se para nós e, num francês
perfeito, nos toca, em parte, no assunto que nos ocupa. No projecto que viaja
por nós, pelas nossas cabeças. Não há coincidências, ouve-se e lê-se por aí.
Há, então, certezas de que, em sintonia, nos acertam no canal.
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6.1.15
23.9.14
Deliberação na despedida do verão.
Os
jardins improvisados fazem as vontades de quem quer uma festa ao final do dia.
Os jardins de casas que guardam espaço para o convívio, são uma oportunidade de
convergir vontades e necessidades. Os anos que gastaram a arquitectura e a
fachada requintada, agora recuperadas, são um privilégio. Um convite que foge
do papel. Do envelope, não fugiu o jardim. Agora tem cor celeste ao fundo. E
soa do rádio que tem graça, uma voz que fala em paraíso. E amor. Definições dissonantes,
assim alguém as ouse separar. Na língua estrangeira, que sossega os temores
alheios. E acomodamo-nos por ali. Sentados, a conversa não sossega. De pé, os
cumprimentos e os relatos de quem viveu. O tempo passa, mas não apoquenta as
ligações. Mesmo que, irremediavelmente, alguém se perca na ausente mensagem na
rede. Sejam palavras, gostos ou fotografias marcadas. Lixam-se, sem darem por
isso. Para isso, servem os compinchas de sempre. Recusem ligação à corrente.
Logo a seguir, o verde nunca havia ligado tão bem com o azul. A festa
continuou. Agora, gritam do mesmo rádio, que amam os sonhos em maré de
tristeza. Numa tradução tão livre como a das restantes metáforas.
15.9.14
Assento de espera.
Um
banco de jardim, numa noite destemida, pode ser a equação de um grupo.
Juntam-se pessoas, num jardim da cidade, com o propósito de esperar e trocar
prosa. Noite longa não tem preceito. Tem a alegria e a sinceridade no peito. Saiu-lhe
a sorte grande. Como que dando elasticidade à sorte. Ao lado, sugerem que a
sorte não se mede. Acontece. Ou surge, ou nunca vem. Ou constróis, ou alguém
foge com ela. Ou trabalhas como se o mundo respirasse no compasso em que te
desenvencilhas na corrida pela sorte, ou perde-la para sempre. Para um sempre
que tem elástico como a sorte. Ao lado, um indivíduo desmente. O sempre não tem
tamanho. Tem distância. Saiu-lhe a sorte grande de saber esperar. Sempre e pelo
sempre eterno.
24.4.14
Democracia. Portugal.

De lá para cá. Do vinte e cinco
de Abril, do tão revolucionário ano de mil novecentos e setenta e quatro. Da
Democracia em Portugal, tenra no percurso. De estrutura manca, por lhe faltar
experiência e experientes. Do mesclado de intentos vários. Contudo, que nunca
se castre, mesmo que se questione, o que nasceu daí. Mesmo que nos surja
desfocado. Mesmo que nos vendam o percorrer da miopia ideológica. Há questões
de uma vida que se espalham por aí. Porque nem tudo o que nos servem numa
bandeja adornada, é elegância. E a sobranceria que se opõe, tantas vezes se
sobrepõe.
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11.3.14
O comando que funciona num jardim da cidade.
Ao
fundo, o rio e o casario. Tudo importa. As coincidências, entre a opinião de
autores e de perfeitos anónimos tomando-lhes as palavras e/ou os títulos, não
existem. Assim seja. Seja assim, para quem nunca teve a sensação irrefutável de
vivenciar situações que, faltando-nos o vocabulário e as emoções certas, nos
parecem autênticas coincidências. Ou serão, antes, certezas de um destino
traçado, que recusamos aceitar? As questões multiplicam-se, por força do tempo
que dispensamos naquilo que tantos apelidam de miudezas. Roubamos sem cabermos
no acto. Apropriamo-nos de emoções e certezas. Havemos, em instantes, de lhes
bebericar as dúvidas. O imperfeito que, inconstante, nos eleva na dinâmica do
voluptuoso risco de inovar, aproveitar. Mas, falava eu de coincidências. Não as
sei reais, mas também não as vejo impossíveis. Os sonhadores querem-nas por
inteiro, consequentes. Os descrentes não lhes cedem paciência. Não há rectas.
Assuntos há, em que a regra é não ter regras. Pois, bem sabemos, não é de
poesia ou de prosa que falamos. Coincidência ou não, depois de iniciar uma nova
fase, um novo projecto a ultrapassar o papel, eis que num banco de jardim,
algures entre o rio e o casario pintalgado, uma pessoa vira-se para nós e, num
francês perfeito, nos toca, em parte, no assunto que nos ocupa. No projecto que
viaja por nós, pelas nossas cabeças. Não há coincidências, ouve-se e lê-se por
aí. Há, então, certezas de que, em sintonia, nos acertam no canal.
17.12.13
Em diferido.
O
portão automático abriu, depois da campainha soar. Do lado de lá, um jardim
infindável, recusava mostrar o piso zero da vivenda. Um bonito e bem tratado
jardim. Muito trabalho e horas de entrega, estão espelhados ali. Entre o
colorido das plantas, surge uma senhora. Conta, com certeza falsificada, com
mais de setenta anos. Arrisquei para mim. Sorriu-me. Pediu-me que entrasse.
Fi-lo e retribui-lhe o sorriso. Dois beijos. Gabei-lhe o bonito jardim. Estava
à minha espera. Indicou-me o caminho para o interior da casa. Disse-me o nome.
Perguntou-me o nome. Seguimos para o salão. Ao centro, uma imponente e
portentosa lareira, ladeada por uma, não menos imponente estante. As paredes de
um amarelo pálido, os sofás ao centro. Sentamo-nos. Ali, à conversa. Foi
simpática. De estilo simples e despreocupado, fomos conversando. Temos, vim a
saber, pessoas em comum. Até aqui, desde que mostrei gostar do seu jardim,
explicou-me tudo. Lamenta a quantidade de água que despende. Vive, aos setenta
anos que lhe atribui, sozinha. Naquela casa. A rua, as pessoas, as suas
plantas, o seu jardim, são, com um sorriso, a sua companhia. A cada dia, não
dispensa sair e ver. Todos os dias, com verdade, mantém a necessidade de
socializar, muito viva em si. A senhora que tem uma vivenda é, também, a
senhora que tem e cuida de um bonito jardim. Não obstante, vive. Vive para lá
do portão automático. E gosta de viver. Gosta de ver pessoas e interpelá-las.
Gosta de tudo isso, quando, do portão para fora, não se refugia no jardim.
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