Fazer
fotografia, ou fotografias, como se alguém as fizesse, é um puro deleite.
Talvez, sem que perceba, me roube as palavras, as definições. As esconda antes
de colocar rigor na conclusão do que é fotografar. Repetir-me, nessa e noutras
questões. Samba na reprodução do repetido. As regras de um léxico que desvenda
coisas. Também pessoas, lugares. Um léxico que treme como a lente. Que foca ou
desfoca conforme o suporte e ligeireza de um corpo e mente sãos. Teimas, fazes
escolhas. Procuras o enquadramento. Fixas pessoas, estratégias de um gosto tão
pessoal. Como o negro e o branco. Outras, ganham na forte e infindável raça da
cor. Agora, carregas no botão. E tens uma imagem. Num cinzento que tem brilho
nos pontos certos. Um verão, num Algarve de requinte. Onde, à beira de uma
piscina ou numa praia de água gelada, duas pessoas se sentam. Ela tem uma coroa
de flores na cabeça, depois os cabelos caídos e secos do sol. Ele olha-lhe com
o mesmo entusiasmo. Há tanto movimento ao redor, que parece mentira. Fazer
fotografias ou o plural, é guardar e isolar. Guardar e resguardar. Precisamente
para abrigar estes e outros momentos de futuros danos.
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19.8.14
23.4.14
Conformidade entre vidas.
Os
nós das mãos disputam atenção com as veias tão salientes. Pousadas, uma sobre a
outra, as mãos agarram com a fé de quem espera não perder a segurança, na
bengala. A força de se manter em pé. Castanha, de berloques trabalhados, a
bengala ajuda-o no percorrer daquele lugar. Calça umas botas grosseiras da cor
do caramelo, veste umas calças vincadas, de um verde seco. Cobre o tronco que
veste uma blusa, com uma camisa grossa, axadrezada, em jeito de casaco. Na
cabeça, o chapéu. Também castanho, mas bem mais escuro. Não sei se por aqui,
lhe chamam chapéu. Apropriei-me do meu termo. Junto ao mar, na praia de
pescadores, salvando a já pouca destreza física, mantendo-se no paredão. Mas
curva-se para ver. As pequenas embarcações por ali, o mar quieto. À volta, as
redes tão características da pesca. As caixas que carregam ou já trouxeram o
peixe. Os pescadores a falar, ouvem-se alto, enquanto mexem no peixe. No ar, as
gaivotas sobrevoam. Num executar de bailado típico de quem procura alimento. É
um quadro feliz. Daqueles em que os protagonistas vivem. Não se limitam a concordar.
12.3.14
Da miopia captada à mercê de um telemóvel. #3

Sei que, às vezes, ele vai
tirar umas fotografias junto ao rio. Ou ao mar, depende do tempo. Leva uma
daquelas máquinas fotográficas maiores. E pretas. De bom ar. Já o vi algumas
vezes. Ainda mal vai o dia nascendo, já para lá caminha. E parece um fotógrafo.
Trocamos umas palavras. É um miúdo moderno de cabeça no sítio. Bom rapaz, é um
bom rapaz. Frisou o senhor a alguém que me é junto. E, mesmo sem ele saber,
agradeço-lhe. Obrigado!
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