Partida,
largada, fugida. É infantil quanto baste. Mesmo que acabe de ouvir da boca de
uma criança. Enquanto, absorvido pela idade da brincadeira, faz do amplo
corredor do jardim, uma pista olímpica digna do atleta mais afamado. Da sua
boca faz sentido. Na cabeça adulta, é uma reportagem do infantil, do que fica
daquilo que já passou. Não é tentador de grandes questões e dissertações. De
bons ventos, fazem-se excelentes casamentos. Simbólico quanto baste. Mesmo que
acabe de sair da boca de uma noiva que não quer casar. Faz sentido da boca de
uma moça casadoira. Regada de ilusões várias. Na cabeça de um adulto coerente,
é uma reportagem de uma história de amor que termina sem aviso prévio, porque
não há, senão vendaval de incoerência. E nada disto faz sentido. Porque, em
abono da verdade, notas soltas são isto mesmo. Anotações de passagens
verídicas, tantas vezes sem a preocupação da grafia, da pontuação, nem da
cronologia. Tanto se dá, como se deu. Serve-nos de cadeados para a memória. Só
abre quem nós queremos. Dito e feito.
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6.3.14
20.2.14
Absurdo como aparatoso.
Se
sossegarmos o espírito, ganhamos margem e terreno. Permitimo-nos pensar,
lembrar. Recordar, de fisga lançada às memórias. Arremessando-lhes
assertivamente. Tão gráfico como doloroso, quantas vezes. Incontroláveis, as
memórias equilibram-se no âmago da intempérie. Acontecem, é certo, sem que as
convoquemos. Porque, neste mês, que há muito me habituei a ouvir que é mês
desastroso, peganhento e de maus fígados. Aceito, precisamente, por ter sido
num distante mês de Fevereiro, que me disseram que o meu avô havia partido.
Havia morrido. Primeiro, ao telefone, a dona Gracinda desfazia-se em desculpas
mil, para a demora do meu pai e para a ausência da minha mãe. O meu pai que
tardava em apanhar-me no fim de mais uma manhã de aulas. Estranhei,
inevitavelmente. Mas, em tempo algum, suspeitei. Atrasado, o meu pai chegava
com a minha mãe e a minha irmã mais velha. Aconteceu assim. O resto, de tão
íntimo e assustadoramente expectável, não merece relato. Foi, precisamente, no
mês que corre, que o meu avô morreu. Um homem de palavra e dedicação. De
família, sempre. De camisas e calças de tecido fino altamente engomadas e
vincadas. Os sapatos impecavelmente engraxados, outras vezes, brilhantes. Sem
dispensar os relógios. Um é meu para a eternidade. A postura hirta, algo elegante,
o passo certo e firme. Da cortiça que lhe guiava o trajecto profissional. A
pedreira também lhe preencheu o design
da carreira. Com intrepidez, não se limitava a gerir, arregaçava mangas quando
preciso. Um homem, um profissional. Sem artifícios. Sou suspeito, bem sei. Não
lhe herdei os olhos claros. Somente porque não tinha que ser. Ganhei-lhe outros
hábitos e feitios, quero acreditar. A morte é uma ressecção. Mantém-se a moça,
mas arranjam-se medidas compensatórias. Contrario-me, pois, lamentavelmente,
não acredito na compensação. Arranjam-se, então, medidas de salvação e continuação.
Nos meses todos que se seguem. Sem intermitência. Para sempre. Foi neste mês,
todos estes anos volvidos, que ouvi que o meu avô havia morrido. Foi neste,
podia ter sido noutro qualquer. É uma merda. É, sem metáforas, uma merda.
4.2.14
Memórias quentes. Senhoras e senhores.
Não
ficamos presos à velha discussão, jamais. Somos adultos e gente de espírito
livre. Razoável, pensamos sempre. Não nos centramos nas evidências. Avançamos
para lá disso. Engraçado, o tema surge à mesa, à esquina, no entretanto,
algumas vezes. O calor, real impulsionador das tertúlias. Das conversas até
tarde, até altas horas. As mulheres, os homens. Os defeitos, as virtudes. As
capacidades, as incapacidades. O talento, o desalento. O pensamento, a ausência
dele. A forma, o conteúdo. Tudo. Falamos de tudo, sempre. Senhoras e senhores.
Senhoras ou senhores. Todos. A todos serve os adjectivos e proposições. Não
generalizamos. Definimos ainda menos. Ficamo-nos pelas evidências. Por hoje,
por fim. Contrariando, ficamo-nos pelo irrevogável. Senhoras e senhores. Ambos.
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