O
soalho de madeira antiga não deixa margem para putativas verdades, vem gente. Denunciada
a chegada e depois do bom dia habitual, reparo que traz uma revista debaixo do
braço. Uma conhecida, cuja temática interessa, maioritariamente, aos homens. Já
não compro revistas como dantes. Algum desinteresse, uma ou outra falha nos
conteúdos, a coerência deixou-se corromper e os artigos falham na ordem. Salvo
raras excepções. Restou-me uma desabituação que perde razão e não convida a fundamentação.
Já não sei o nome da revista que li há uns meses. Dissertavam, alguns conhecedores,
sobre a moda. A democratização e a exaltação. Confundem-se e divergem, como se
não soubéssemos. A moda de rua ainda tem trejeitos que interessam e, sem
desprimor, atestam e desafiam a moda de passarela. As cores são pontos de honra
a cada estação a começar. Os tecidos e os cortes, as medidas e os corpos não
perdem importância. Escrevo sem conhecimento de causa, pois a moda na minha
existência não ultrapassa o que visto. O que me parece bem fica, o que não me
atrai vai. Simples quanto isso. Arrepio caminho, escassas vezes, numa ou noutra
peça que diriam os puritanos, é extravagante. Um assunto que não esmorece,
porque como já ouvimos um sem número de vezes, a moda é cíclica. Não me acanho,
mas não sou corajoso no instante em que me perguntam a opinião. Ou reconheço
harmonia ou não vejo qualidades no que respeita à conjugação. Contudo, aceito
de bom grado – e prefiro - uma companhia que opta pela verdade do que lhe
assenta. Longe de ser um tipo cuja indumentária é um exemplo, prefiro assim.
Embora, não poucas vezes, se me dirijam elogios que agradeço. Nisto como noutra
temática, não importa a carapaça. Um dia sentas-te e ressaltam umas meias
divertidas. Nunca se sabe. Que ganhe o melhor. De ti e para ti.
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7.2.17
7.5.15
Ficar por aqui, olhar e voltar.
Aquela
rua é vertiginosa. Tem casas de um lado e outras tantas do lado oposto. Tem
carros parados num sentido. Muitos e variados, para todos os gostos e
carteiras. Não é larga, mas engana. Parece que tudo encaixa na perfeição. É uma
rua onde quase não se vêem pessoas. No cimo da mesma, em que as vertigens são
ameaçadas, a vista não tem explicação, sequer justificação. Sobrevivem as cores
garridas, o azul lá ao fundo. Antes de a conhecer, parecia-me impossível que
daquele lugar saíssem tantos tons e tão vivos. Estes são salpicados pelas
pingas brancas. Roupa a bailar, o sol a bater. Debaixo do braço uma revista
americana, emprestada por quem entende do assunto. Lá dentro, fotografias
bonitas, artigos de actualidade, sugestões do que chamam ser moda e o resto do
mundo que eu não entendo. Resume-se à básica questão, tão inocente, ou gosto ou
não gosto. Muito daquilo que vi, pareceu-me bem. Gosto da palavra singela. E a
moda também é isso. Numa estação afunilam-se as tendências e nesse caminho
estreito colocam-se as cores possíveis. Num dia é fogo, noutro é água. Quase no
final da rua, ainda a revista debaixo do braço, os mesmos carros ficaram para
trás, as roupas no estendal. Mais próximo do rio, contudo, perdeu-se a vista
maravilhosa. Toca o telemóvel e do outro lado dizem-me que já está, já
terminou. Suspiro. Vou ter de subir.
11.2.15
Indivíduo pouco entendido.
Há
quem vista uma blusa de lã grossa, calce umas botas grossas e não se esqueça de
umas peúgas quentes. Quem coloque, ainda, um cachecol forte, um casaco
protector e elegante e, se for homem de coragem, termina com um bonito chapéu
de qualidade. Do jeito dos que se viam nas lojas antigas no centro da cidade.
Ainda as temos, míseras lembranças. Uma aqui, outra ali. Chapéus, uma paixão
por viver. Depois, porque parece que a chuva só molha os tolos, há quem vista
uma blusa de riscas para enganar o tempo e a água que não dá descanso. Riscas
azuis e brancas. Ou pretas e brancas. Já não me lembro. Tácticas de um jogo ingrato.
Que pouco importam. Ou nada. Não me queixo das técnicas alheias. Mas volto
sempre ao princípio. Um chapéu de bonito corte e tecido forte.
28.1.15
Mulher que tem cabelo avermelhado e conteúdo com elegante recheio.
Acordar
cedo é conhecer mais e melhor. Tomas uma bebida quente, aqueces as mãos. Olhas
à volta e, afinal, o cedo foi antes. Há gente a viver as ruas com luz nacional.
Rapariga de tranças curtas. De madeixas iguais. Rapariga de cabelo da cor das
chamas. Da brasa bamboleante. Não é essa, é outra. À antiga já lhe conhecemos
os jeitos, os trejeitos e o feitio desavindo. Agora, há outra ruiva. De cabelo
entrançado. Quase parece um fogo real, no meio da rua. No centro sob o sol de
inverno. Frio e agasalho, camisa de outro design.
Rapariga bonita, de vestimenta pomposa. Havia de gostar da loja de que me
falaram há uns tempos. Em Londres, nas feiras de rua, nos armazéns da cidade.
Achados bons, escolhas felizes. A ruiva rapariga tem uns óculos de sol vintage e, pasmo-me, lembram-me uns da
minha mãe. Desenho actual, lembrança de outro tempo, um qualquer em que as lentes
grandes e as armações empinadas fizeram moda. Qual diva celeste, de ruivos
fios. O casaco grosso pelos ombros, a denuncia de um sol que aconchega. Passam
pessoas à volta. Não chamam a atenção. Ela vem de passo firme, de corpo que
sabe mexer. Absorta, vai olhando à volta. Mergulhada, decerto, nos pensamentos
que fluem. Chegou, aproximou-se. Cumprimentamo-nos. Bom dia, ruiva rapariga.
Bom dia, apetecível rapaz, respondeu-me.
25.11.14
Parecer de um desprovido.
Sonho
com o dia em que a sala de leitura se transforma numa biblioteca digna. Forrada
a livros devidamente identificados. Guardar-se-á, num compartimento as revistas
que colecciono. Muitas de música. Outras tão genéricas. Mas sempre de proveitosas
matérias. Grandes capas e elogiosos recheios. Em alguma parte desta casa estão
revistas. Capas que vislumbrei e jamais lhes li o conteúdo. Outras que
espreitei, por me cruzar com elas sobre a banqueta e a mesa de apoio. A Elle, a Vogue ou a Vanity Fair
deixadas por entendidas da moda. Nesta casa, algures numa gaveta de recordações,
estão revistas de nicho. A moda é um exemplo, porque as abandonaram por cá. Não
sei, sinceramente, se algum dia a minha mãe lhes pousou a vista. Nesta casa,
onde a minha cadela é rainha, lê-se sem preconceitos. Entendem-se as comadres e
os compadres.
21.10.14
Uma espécie de provérbio.
Ser
beto ou dondoca é uma definição gasta, mas persistente. De resto, como as
práticas tão típicas de um Portugal que insiste em vestir de gala as vergonhas
de um país desbaratado e desesperado. Aqueles casacos de fato, com um corte tão
desajustado do corpo, são negligentes escolhas. As calças seguem o caminho que
está guardado. As escolhas de quem não guarda na boca e na educação a obrigação
de escolher um bom fato. Uma segunda pele, ouvi algures e voltei a ouvir mais e
mais vezes. É um ensinamento de imagem, da imagem que faz uma pessoa. Arrisco
eu, que não deixo de compreender quem erra na escolha. Eu sei e percebo que não
conhecemos todos as mesmas verdades, porque na vida a verdade muda de feição
com a necessidade. A elegância de mão dada com a combinação do corte, tecido,
cor e os botões de punho. Os últimos, para esta medida, nada importam. Mas é
vê-las, às erradas escolhas, a fazerem-se passear sobre os corpos que não lhes
pertencem. Hoje, adultos formados e homens confirmados. Como se um fato medisse
a má rês de uma pessoa. Voltamos à universidade onde, a dada altura, os fatos
aparecem. Para alguns, pela primeira vez. Ou compram na loja que todos
conhecemos ou pedem emprestado ao familiar que o mantém minimamente em bom
estado com ajuda da naftalina. Paro, então, para me lembrar dos meus amigos que
seguiram direito. Poucos, para ser sincero. Uma escolha cómoda, lembro-me de
falarmos disso. Por estes dias, desses poucos, apenas um se manteve fiel. Os
outros fugiram da área. Usam, contudo, a formação para outras profissões. E,
passa tão rápido que nunca mais tiveram vontade de colocar um fato. Ressalvo
ocasiões formais. Na anarquia que rouba o ser para eleger o parecer, só veste a
pele quem quer.
14.10.14
Gosto e saber.
É
uma viagem que não tem tempo, nem fim. É um risco quando nada se sabe. Subir
uns dedos, baixar uns centímetros. Manter a elegância do número certo de
botões. Jogar com as corres dos carros de linhas. Preferir a elegância de não
misturar, senão preto e branco. Há uns tempos, uma conhecida dizia-me que a
base é feita de preto e branco. Daí, partes à aventura do que te enriquece o
todo. Acessórios, tons. Adornos que passam rápido mas, enquanto existem,
envolvem a vasta exposição. E volto, inevitavelmente, aos ténis. Uma paixão sem
fim. Prefiro assim. Ao invés de aventuras sem medida. Falar do que não aprendemos,
mas que resumimos à sensação do que nos passa cada peça. Também esta volta é um
risco. E tornam as vozes – os ténis não devem,
tampouco podem ser, o calçado de um homem – Repete-se a mesma travessia sem
fim. Depois esqueces as inspirações e vives como e com o que te apetece. Mesmo
que os sapatos, por vezes, ganhem aos ténis.
3.9.14
Clássico conduzido.
A
criatividade é infinita. Mesmo quando há inspiração de factos alheios. Os
cartazes gigantes são relatos. Resumos de ideias. Fazem girar os pensamentos que
surgem sem avisar. As ricas, um eterno da moda. Da arquitectura. Da decoração.
De roupa e adereços. De prédios que fogem ao branco sozinho. De almofadas e
sofás. As riscas, uma moda de ambos. Dela e dele. No cinema, onde os encontrei,
se quisermos imaginar, os lugares corridos são riscas. Numa delas, sentados,
lado a lado. Ambos de riscas. Ela de franja descomprometida, meia despercebida.
Ele de New Balance nos pés. Não sei
se há pragmatismo na moda, mas é ampla. Não estreita caminhos. Pelo menos, no
costume de vestir que se vê nas ruas. É igual aos sentidos. Se tens espaço,
arriscas. Quando chegas antes disso, preferes as marcas de todo o tempo ou a
singela e confortável necessidade de vestir o de sempre. Coisa inspirada ou de jeito
espevitado, tampouco importa. Possui uma ideia qualquer. Mesmo que às riscas.
Um clássico.
16.7.14
Ligação afectiva e efectiva.
Alinham-se
anseios no momento de desvendar um dos tantos pontos indiscretos. Sorrimos,
hesitando horas de tormento em que se assume a ponte entre o gostar e o sentir.
Não falo de relações, tampouco de relacionamentos. Estão cansados, alguns. Fugazes,
qual moda de rua. Qual modelo de passerelle.
Como se desfilar, independentemente do lugar, fosse o ponto mais importante. A
alma cansa-se com o testemunho vivido. Discutem-se corpos treinados, opções
fugidias. Combinam-se festas, ocasiões díspares, exigindo modelitos diferentes.
Mas volto ao sorriso, que tão gasto, oferece-se sempre como alternativa.
Sorrio, instantes antes de admitir ter comprado uns ténis. Mais um par,
pensarão tantos. São os ténis, digo eu. Por obra do acaso, no mesmo dia,
comprei mais um par de sapatos. Mas prefiro os ténis, sempre. Ao meu pai, numa
conversa tão descontraída, contei-lhe primeiro dos sapatos. Um pré-aviso. Em
tantas vezes, assume a sua postura irredutível no que concerne ao uso dos
ténis. Limitem-se a usá-los nos espaços
apropriados, diz ele. Refere-se, claro, a ginásios, desportos vários e uma
ou outra situação bem mais casual. Refuta qualquer ligação entre um par de
ténis e um fato. Hei-de escrever sobre isto. Agora, sorrio. Antes mesmo de
dizer que comprei uns ténis. Alinham-se anseios por nada. E por tudo.
9.5.14
Chama-se Margarida e recusa roubar a identidade ao tom, negando chamar-lhe de encarnado.
A
Margarida é a memória e as lembranças de infância. De uma infância feliz e fornecida
de tudo o que nos balizava a felicidade, daquela época em que por mais que a
cronologia nos falhe, não perdemos a identidade de outros tempos. Ela é a
descoberta da capacidade de gerir, ainda que não se aperceba, a educação
centrada e espartilhada de uma família típica daquela região, com a azougada
necessidade de se imiscuir com o restante. É tímida e intrometida em
simultâneo. Fala de jeito suave, mas ri com sede. Escolheu que as amizades não
têm nivelamento. Escolheu, ainda no tempo em que não se media, não ludibriar
factos. Senta-se com quem for. Conversa com quem lhe oferecer palavra. Temos,
precisamente, a mesma idade. Crescemos desde lá atrás. Desde a altura em que as
varandas do andar superior das nossas casas se olhavam de frente. Hoje em dia
pousa para as câmaras fotográficas. De pernas esguias e compridas, o décor a
rigor, a ventoinha sem parar, o cabelo de um tom castanho mel a esvoaçar. O
vestido da cor que não gosta, mesmo que lhe chame vermelho ao invés do
encarnado de outras lides. Os saltos altos de uma marca de influente atracção.
A pose intuitiva. Os flashes na frente. O rosto maquilhado e luminoso. Neste
instante é tão real como quando despe o vermelho, abandona os saltos altos, lhe
desligam a ventoinha e despede-se da objectiva. Porque, acredite-se ou não, há
sempre quem não recue no momento de fazer a diferença. Boa sorte!
25.11.13
A minha mãe tem um envelope.
Sair,
para fazer compras, pode tornar-se enfadonho, uma verdadeira maçada. Não raras
vezes, faço-o com a minha mãe. Seja avenida acima, numa ou outra loja de nome
sonante, seja no comércio tradicional ou, irremediavelmente, num centro
comercial. Num dos passados fins-de-semana, fizemo-lo novamente. Assistimos,
como esperado, a um género de combalido desfile de fashion week. O bom gosto perde-se, totalmente diluído no nímio
desajuste da realidade. Acontece, quer na loja onde somos recebidos à entrada,
com todos os formalismos, como na loja de vestuário low cost. O dinheiro engana, mas não mente. Ignorando, a dada
altura, os exibicionismos do tempo
presente, que obriga à elevação dos egos. Voltamos à conversa. O propósito,
dizia-me ela, era comprar uma clutch envelope.
Algumas lojas depois, encontrou-a. Descobri que, envelopes, ultrapassam o
revestimento para as cartas. Espero-as de amor.
3.10.12
O Círculo da Moda #1
Todos sabemos que a moda, tal como é, traz-nos, tantas vezes, peças que julgamos extintas do quotidiano real e aprazível. Por isso, não é ou, pelo menos, não deve ser novidade quando voltam essas tais peças. A moda é cíclica, já o sabemos, desde o momento em que inventaram a expressão.
Podia falar, agora, de um conjunto infindável dessas peças que, já esquecidas, o Outono-Inverno reinventou. Mas vou centrar-me, por ora, no regresso do conhecido camuflado. Não precisamos de ser uns verdadeiros gurus da moda para perceber que esta tendência regressou e em força, bastando, na verdade, olhar para as pessoas na rua e para as lojas. É impressionante.
Devo confessar que, na última época em que o camuflado foi moda não lhe atribuí qualquer interesse e, garanto, não me deixei levar pela moda, recusando-me a adquirir qualquer peça. A moda dita tendências, mas não devemos ir contra o nosso gosto pessoal apenas e só porque é tendência. Temos a obrigação de nos mantermos fiéis.
No entanto, devo admitir, este ano, ao contrário da minha opinião de outros tempos, começo a achar graça ao camuflado. Evoluímos e mudamos. Mas não me converti no que diz respeito a todas as peças. Algumas excepções apenas. Ainda não comprei nenhuma peça em camuflado, mas estive a um passo de fazê-lo. Quem sabe.
Para ficar uma ideia, no masculino, aqui ficam algumas peças da ZARA:
9.5.12
Não é um blog de moda, senhores.
E não é. Não é esse o propósito deste blog.
Mas como acredito que já lá vai o tempo em que moda e homens parecia algo extremamente incompatível ou lhes era associada outra orientação sexual ou eram vistos como um bicho de espécie duvidosa, é provavel que entre um post e outro surjam pequenos, médios ou grandes apontamentos acerca daquilo que me chama à atenção nessa área. Em suma, daquilo que eu gosto e visto.
Porque gosto de me vestir bem e fazê-lo não é necessariamente vestir caro, aqui fica a promessa de que, brevemente, surgirão novidades.
Eu visto. Tu vestes?
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