Mostrar mensagens com a etiqueta momentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta momentos. Mostrar todas as mensagens

12.3.14

Da miopia captada à mercê de um telemóvel. #3



Sei que, às vezes, ele vai tirar umas fotografias junto ao rio. Ou ao mar, depende do tempo. Leva uma daquelas máquinas fotográficas maiores. E pretas. De bom ar. Já o vi algumas vezes. Ainda mal vai o dia nascendo, já para lá caminha. E parece um fotógrafo. Trocamos umas palavras. É um miúdo moderno de cabeça no sítio. Bom rapaz, é um bom rapaz. Frisou o senhor a alguém que me é junto. E, mesmo sem ele saber, agradeço-lhe. Obrigado!

21.1.14

À maneira.

Não me canso, jamais, de ficar a vê-la. Tão simples e natural, ali. A saber, observada com verdade. A sinceridade possível. Enquanto, aparentemente alheia, se deixa observar, ficamos. Absortos. Em nós. Porventura, da melhor maneira. À nossa melhor maneira.

19.12.13

Interrupção momentânea.

Insisto em fazer café. Talvez não seja insistir. Acomodo-me, fazendo café. A secretária, ausente de profissão. No computador, as letras como pássaros. No iPod, a minha playlist, com força de predilecta. Os óculos graduados, aquietados, por esta altura, na secretária. A miopia, ocasião prevista, assente e duradoura. O telemóvel roubando espaço à mesa onde escrevo. O bloco, onde subtraio lugar às folhas um tanto amarelas, quase pálidas, com a minha letra desenhada. Ao fundo, as fotografias em circunstância de monumento comemorativo. Em mim, o desdém do fracasso de não me importar com o mal de me levar, cedendo à vontade de tropeçar, pela importância das restantes divisões. Na última parte, o café é o encanto da intermitência.

26.11.13

Foram sete pessoas, sete.

Sete pessoas à mesa. Sete amigos sentado num bar tingido de um british secundário. Sete pessoas, seis pedidos iguais, um pedido extraordinariamente diferente. Sete pessoas a serem atendidas por um linguajar pouco português, de toque britanicamente garrido. Sete pessoas juntas por um propósito feliz. Divertido, tais foram as gargalhadas. Sete pessoas diferentes. Sete pessoas de opiniões e posições antagónicas. Sete pessoas que se respeitam. Sete pessoas que não têm filtro e não reparam nas horas fugidas. Sete pessoas que chamam a atenção, por razões várias. Sete pessoas, sete individualidades afinadas. Sete afinidades, todas matizadas, pouco iguais. Sete pessoas que são sete amigos e companheiros quando se juntam. Quando vivem ausentes, também. Fomos sete neste fim-de-semana. Voltamos a sete ser numa mesa, ironicamente, num próximo dia sete. Sete ou não, o número varre-se. Quando as pessoas são pessoas, não se faltam em números. Antes um nome. Uma carinhosa e atenta alcunha. Bens que saqueamos ao longo da canalização daquilo que definimos vivência.

22.11.13

Deixa-me que te diga: Fazes-me falta!

Do meu telemóvel ressoou, ontem à noite, duas vezes compassadas o som de mensagem recebida. Provavelmente, refém de uma vaga sensação de aborrecimento embravecido que me estagnava, deixei-me ficar. Talvez, misturado com a sensação de serem pessoas repetidas a fazê-lo. Havia de responder-lhes. Mais tarde. E, por essa altura, já a noite ia longa, cheguei-lhe perto. E, ao ver a presença daquele nome antecedendo o recheio da mensagem, pressenti o momento como se fosse a primeira vez. Percebi, é sempre assim. Ficam-nos sempre. O que nos dão supera o que ofertamos de coração e o que deixamos ficar, por força da ocasião, pendente. De um outro país, haviam chegado duas mensagens relevantes. Também pelo conteúdo mas, acima de tudo, pela autoria. Entre tanto, as saudades. Os mesmos suspiros de carência do que nos importa. Dos que nos custam importância. As malfadadas saudades. O medo do esquecimento e a demissão persistente de resignar tudo o que formamos até então. A procura por momentos mais duradouros e que se façam amiúde. A distância fomenta o medo, não gastemos a dúvida. Mas fazes-me falta, disseste-me a dada altura, numa das mensagens, como se essa frase fosse o resumo de tudo o que estava acima. Sempre gostei de ditados. Portanto, deixa-me que te diga em voz alta, para que redijas e guardes onde entenderes: Fazes-me falta!

1.11.13

Juntos, dispensamos filtro e companhia.

Avisados os afazeres, a sexta-feira que recebe para os mais crentes e de prezados rituais anuais, o dia de todos os santos ou, para outros, o dia que sucede a tradicional noite da corrida pelas casas vizinhas, pelos miúdos inspirados pelas conhecidas e repetidas importações do que conhecem como noite das bruxas, recorrendo à não menos importada expressão, traduzida então, como “doçura ou travessura”. Vestidos rigorosamente à imagem do que lhes vêm mostrando ser o Halloween. Divagações à margem, a sexta-feira, dia de ponto final na semana útil, responsável pelo término dos afazeres acumulados, propositadamente, ao longo dos dias que a antecederam, tem lugar para outras distracções. Para mim, não me coube em sorte brincar, tocando às campainhas, pedindo doces ou ameaçando tornar-me num rapaz de travessos actos. Em parte, acredito, porque essa experiência não faz parte das minhas memórias de infância. Mas, saiu-me a sorte grande, nesta sexta-feira, que cedo começou, recebi um convite embrulhado em afectos e amor incondicionais, para tomar o pequeno-almoço. Num dos nossos lugares de sempre. Conversamos de tudo. Os dois, a falar sem filtro, como sempre. Eu e a minha mãe.

23.10.13

A última vez que nos sentamos.

A trivialidade da vida de uma pessoa convicta dos sentimentos e postura que adopta, não se coaduna com a tendência para reforçar a maldade, qualidade inerente a outros, que a preservam. Os olhares de pouco significado, em louvor da verdade, deslassam valores. Na incursão desordenada dos afazeres, ao telefone. Acertando detalhes, confirmamos o jantar. Entretidos, desfrutamos da distinta refeição, enquanto conversamos sem privações ocas. Apenas, os dois. Revelando ironia, ela brincou com o facto de que, quem por nós passasse, entender-nos-ia um casal. Rimo-nos com empenho. A noite acabou por ser, tal como previsto, soberba. Nos dias seguintes, indecorosamente, tínhamos uma relação. Algo intenso, cálido e, ventura alheia, extra conjugal. Mantínhamos, sem decoro, este relacionamento, suportados na ausência, por motivos profissionais, de uma das reais partes. Com justiça, não gostei. É, somente, digno de escárnio. Para esses despejados, que vivem amparados pelas vidas que passam, o meu pesar. Nós, os que vivem e conduzem-se por si, atravessamos ao lado. Nesta ou nas outras vezes em que nos sentarmos sozinhos. Os dois.

16.10.13

Quando não me esqueço de ouvir.

Ouvia, há uns dias, a propósito de uma entrevista, alguém, de olhos vivos e um sorriso verdadeiro, esboçar as mais felizes, agradecidas e fortes palavras sobre a importância dos outros na nossa vida. Não sou capaz de reproduzi-las aqui, embora, recorde cada uma. A capacidade que os outros, família ou não, têm de se tornar no nosso combustível, no exacto momento em que as forças nos faltam, como no preciso momento em que nos encontramos grandes, cheios de nós e das nossas certezas, é comovente. Sim, é aconchegante e permite-nos acreditar mais. Existe. Eu gosto de ouvir o melhor. De guardar o melhor. Todos os dias. Todos os dias em que não me esqueço de ouvir.

15.10.13

Tornar a dizer o que já se disse não objecta o bom senso. Porque é real(mente) provido de verdade segura.

6 de Agosto de 2013

Desde aquela noite, que a recordo de forma diferente, toleravelmente diferente. Não a conheci novamente, conheci-a um pouco mais. Fiz por estar com ela. Ela percebeu e reconheceu. Disse-mo. Hoje volto a lembrá-la. Estava impecavelmente vestida no centro da pista, ornada a rigor, como sempre, para o momento. O negro que envergava no tronco, brilhando no lugar certo. Os  saltos elevavam, ainda mais, a sua beleza e elegância reais. Entre a multidão que nos rodeava, ela destacava-se, de forma natural, sem precisar de forçar a sua presença. Lembro cada gesto, cada movimento, cada sorriso e olhar. Movia-se como guardava vê-la mover-se. Dançava ao som da música que, ao fundo, na cabina, o DJ colocava. Cada palavra que trocamos não esqueci. Os sussurros e as respirações compassados que trocamos, igualmente registados. O que me contou, dizia, em jeito de segredo. E ela dançou. E ela moveu-se por ali. E, agora, volto a lembrá-la. Volto a vê-la. E apetece-me, dizer-lhe, uma vez mais, que ela não imagina nem reconhece o que é. Apetece-me recordar-lhe que a sua beleza, postura e presença ultrapassam, em larga escala, o que ela vê. Porque ela é muito mais do que mostra e do que vê. Porque, ao contrário, do que acredita, as que a acompanham ficam muito aquém, quando comparadas com ela. Porque ela é beleza e conteúdo. E ela dançou. E ela moveu-se como jamais me esqueceria. E fiquei a vê-la dançar. E perdi-me a assistir ao que, a dado momento, seria um verdadeiro espectáculo, sem ensaio ou preparação. E ela dançou. E ela moveu-se como ela. E eu, neste preciso momento, enquanto recordo o momento e o movimento, sinto impreterivelmente o que senti ali.

14.10.13

Um acto despudorado.

Pedir que a ajude a fechar o fio que me mostrou há instantes e que agora pende no seu atraente colo não é repetitório debilitado. Quando a elegância e fisionomia dançam em concupiscência. No momento em que, lhana, solta o cabelo e cobre parte das costas despidas. Aí, a totalidade ganha estatuto de existência. Obrigado!

23.9.13

Tira-me uma fotografia.

Uma fotografia, todo o processo volvido, tem mais encanto quando, ao olhar, uma, duas ou mais vezes, te lembras de cada passo para a ela chegar. E não esqueceste que, naquele momento, se riram com vontade. Não foi a luz que esteve de feição, nem o fotógrafo num rasgo de criatividade. Foi o coração que deu, depois do mote, o resultado final.

14.9.12

1, 2, 3... Descontração!

Pensar/reflectir foi sempre um dos meus "hobbies" preferidos. A sério! Muitas vezes induzido por mim, tantas outras resvalando da vontade inócua e alheada de mim próprio. Não me julgo capaz de ir contra esta minha faceta, aliás, não que tente muitas vezes fazer-lhe frente, mas as que tentei, saíram-me goradas. Não vale a pena.
 
Por outro lado, muitos há que são o oposto e, convenhamos, contra isso nada há a fazer. Tal como eu não mudo, não espero que os outros mudem. Ainda assim, faz-me alguma confusão a forma displicente como muitas pessoas actuam. Pode até causar-me estranheza mas, garanto, não passa disso. Gabo, dezenas de vezes, a forma despretensiosa como agem, entre uma situação e outra, mostrando-se tão distantes das chatices que o excesso de pensamento sempre traz.
 
Não sei como se faz, mas muitas pessoas têm o dom da sabedoria e da descontração, recusando-se a viver no tormento do sofrimento por antecipação. Seja de sempre, seja resultado de uma procura e aprendizagem constantes ao longo da vida. Ainda não alcancei esse nível mas, quem sabe, um dia lá chegue. No entretanto, vou vivendo os imprevistos e previstos.