Acordei
cedo, sem recorrer ao despertador, ainda que o mencionado esteja sempre
disposto para qualquer eventualidade. De resto, como acontece com clara
repetição. Fi-lo na minha cama, larga o suficiente para me esticar e guardar
espaço. Com a luz subtil do televisor esguio a fingir incomodar. O telemóvel
com acumuladas mensagens. A janela bem cerrada, a cortina fina a guardá-la. Com
escassas peças de roupa adormecidas sobre uma cadeira bonita. Sob o silêncio
dos dias, da rua sempre calma, de um país que ainda dorme com a devida
quietação. Mas é uma espécie de ilusão matinal. Depois levanto-me, percorro o
mesmo silêncio, e as verdades jorram pelos ecrãs afora. O mundo corre doente,
numa patologia encriptada, mal pensada. Imagino-o num cinza e branco, mais pesado
de negro, enfiado em dois comboios compridos. Onde os caminhos não se tocam. Um
para lá, outro para cá. Repete-se este movimento sem que saia do mesmo poiso.
Com ares de boomerang, mais uma das entretenhas do Instagram. Com a pesada excepção, é que este último pesca likes e não fica imortalizado na carne,
nas vísceras ou na vida de alguém. Discute-se, a plenos pulmões, a parentalidade
da senhora das bombas. Uns gritam mãe, do outro lado explicam porque são o pai.
A seguir testam-se mísseis e lembram-se as nucleares que guardam na manga. Morrem
pessoas – seres humanos – todos os dias à mercê de uma guerra que não compram. De
uma tentativa de fuga que não vê a luz do dia. Cospem-se perniciosos discursos
sobre os nossos e os outros. E, pasmados, sabemos da existência de um campo de concentração
para homossexuais na Chechénia. Não me engano se lembrar que estamos em Abril
de dois mil e dezassete. Espantam-me os olhos fechados, as conversas desconexas
e, por vezes, odiosas, que venho assistindo por cá. O mundo gira lá longe, mas
não nos esqueçamos, jamais, que vamos embalados na carruagem que mais parece um
balancé. Que soluço este, minha gente.
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19.4.17
31.1.17
Entre a chuva que maça e o bom dia ditoso.
Não
me canso de ver passar, observo sabendo que o melhor do outro está sempre a
atravessar, enquanto o melhor de mim arquitecta a mais imponente e, não raras
vezes, incoerente instalação. Respiro no compasso. Chove e chove com fé. A
mesma que escorrega, fina e desesperada, pela folga dos dedos. Mas essa é matéria
para outro eventual aranzel. Vem lá a rapariga que foge dos salpicos, hirta
sobre os saltos altos, a mala bamboleante, o chapéu na cabeça a esconder-lhe os
olhos bonitos. É a simpática de todos os dias. Desde que larga o seu Mini bege até que chega ao escritório. Ela
pega nas pessoas e leva-as no colo de um sorriso bem sincero. Chove e chove com
vontade. As senhoras da recepção dedicam as horas ao lastimo da água que cai lá
fora, intercaladas com o chamamento do sol e com o trauteio das letras da Kizomba que não dá descanso. Exibem as
unhas de gel feitas pela filha da Odete, a Carina que, desde meados do ano
transacto, trabalha no cabeleireiro da Dina. Logo se vê, o negócio capilar e
afins, ainda recruta conforme o nome de baptismo. “Dina Cabeleireiros” ainda
tem saída. Praguejam como se o mundo tivesse perdido a lucidez. Não é mentira,
não. Enviesados vão os tempos. Disformes, as acções que ficam escondidas na
oratória desleal. Nisto, acomodado neste frenético evento matutino, soa o meu
primeiro nome seguido do apelido. À minha espera, o sorriso de sempre. Vejo
tudo isto e não me deixo fatigar. Bom dia, deixei-lhes ao sair. Desejo vida
longa às unhas de gel e à executante, um verão tão longo quanto capaz de
saciar, e umas valentes horas com a rádio nacional como companhia. Desce sempre
em mim uma nada escusa vontade de acreditar no modo inócuo de a vida levar.
30.6.16
Confundir a espécie que prescinde.
Os
estendais fascinam e chamam por todos e cada um. Lamento, mas cedo na
generalização. As peças pouco importam, no meu conceito, porque é a janela em
jeito de festividade de longa data que interessa e compõe as vistas. De adornos
vários, com as peças a bebericarem por quem vai passando. O particular suporta
o todo. Andei por aqui e além com a minha máquina fotográfica mais recente.
Brinquei, passeei e guardei alguns resultados que não envergonham. Só para
atalho do compromisso com a experiência. Não perdoo, no entanto, a difusão do
geral, a vulgarização de temas e acções relevantes. A displicência conforme o
alvo, também me incomoda. A banalização dos actos que são, em favor da
democracia, pessoais e intransmissíveis – para aludir aos termos desusados –
confunde. Quem os pratica, desajustados da realidade, factualidade e putativa
nocividade, e quem os assiste. Os últimos, em não compreendendo, são grande
parte do grupo dos inopinados lesados. E leva-se assim, numas mãos trémulas,
pouco inclusivas e nada promotoras do progresso, o mundo. Os tais, que aventam
sair do mesmo lugar, sofrem no imediato da escolha, antes mesmo da saída
efectiva. Agudizam-se os comportamentos xenófobos, tão nefastos, perniciosos e,
não se iludam, humilhantes para a nação, pátria de quem os pratica. Os
discursos atirados para o ar, numa tentativa de que alguém, que não o vento, os
apanhe e limpe. Há resultados, por seu turno, que jamais serão impecáveis. Por
quaisquer tentativas que se sucedam, são maus resultados e que envergonham.
Tanto mais, pela dimensão que têm e pela exposição da fragilidade de quem
proclama firmeza e intelecto. Morre o compromisso, esquece-se a experiência.
Enquanto isso, numa das ruas por onde andei, há estendais sem fim, gente que
fala outra línguas, animais simpáticos e senhoras de idade avançada a
cantarolar. O mundo não gira por acaso. Quem acredita é mais sabedor. Lastimo,
mas cedo, uma vez mais, na generalização.
25.5.16
Intricado destino.
Nas
mãos temos o mundo e sequer pensamos. Evitamos o pensamento, que miséria tão
grande. A distância do outro parece mentira e que ninguém avente desmentir. Na
hora da conversação substituímos os lábios sapientes, quiçá atraentes, pelos
dedos amestrados, quem sabe irritados. Letras garrafais acenaram, faz tempo, a
questão do mundo enviesado. Hoje esperam-lhes parcas linhas num tamanho de
letra ridículo. Talvez fotografias repetidas. Afoitos há, que se fazem ao
caminho íngreme e despojado e atendem à inspiração. Guardar numa gaiola a
exposição da natura, da liberdade. Invertem-se as definições. Entram as
contradições. Somente, se a interpretação dos factos ficar pela rama. Homem ao
mar, gritavam dantes. Bordo fora, pelas águas tomadas pelo terror do frio
adentro. Hoje é razão de ajuntamentos que vociferam impropérios. Como qualquer
acto de exprobração, resume-se à ignominiosa sensação. É gente de fraco
espírito, por só dos deles querer salvação. Na mesa do café, com a segurança e
a liberdade trazidas debaixo do braço, tudo é palavreado fácil e egoísmo na
razão. Quem chega de lá e pisa chão, leva os braços ao coração. Pede ajuda e
salvação. Que a morte fora certa e o destino tem ramo de ficção. Ide, ide. O adágio
repete-se e não engana, a esperança é sempre a última a partir.
23.3.16
Nunca mais é verão.
Literal e metaforicamente. Na rua, no meio da calçada nacional, de chapéu-de-chuva em repouso, felicidade da chuva fugida. O dia nascido cinza, um tanto desgastado. Na rua, sobre a calçada já um nada molhada, o petiz reguila pergunta ao adulto que lhe dá a mão se beijar é bom. Diz-lhe o graúdo que é coisa boa se acontecer com verdade. No mesmo passeio, o pequeno insiste nas questões e pergunta por que razão o mundo gira sem parar e ele não sai do mesmo lugar. Diz-lhe o graúdo que é a ciência a desmentir a razão. E quem ganha, atiçou. O coração, devolveu-lhe. E a televisão, só mostra a realidade ou vive do faz de conta? Avançou o adulto sério um redondo não sei. É a realidade se acontecer ali. É faz de conta se for maior do que isso. Dispõe, o petiz, em pregas bem miúdas o seu olho. Vestindo de dúvida o rosto. Se forem os bons a vencer é verdade ou mentira? É, se quiseres, a tua imaginação a comandar e o teu coração a dizer-te. Eu só gosto dos bons. Dos maus, só se ficarem presos para sempre. E depois, os bons vão guardando tudo numa caixa grande. Um cubo com bons a brincar à volta e maus a dormir lá dentro. Nisto, já o céu tomou o tom azul tão característico, salpicado por nuvens vivas. Vêm, também, rasgos de luz. O sol tem luz e nos teus olhos se reflecte. Ontem foram lágrimas sem fim, questões que a razão repudia e a que ciência não justifica. O mundo girou tal e qual como nos outros dias. Vazios de alento ou carregados de beijos trazidos de mais além. Parar, pensar e lembrar. Que o passado, porventura, também tem culpa de um presente desavindo. Sossegar, quando possível, reflectir e agir. Porque o verão teima sempre em demorar. E, a juntar expectativas todos os anos, dava para garantir verão sem vento por longos meses. Do nada, vem a fatalidade e esmorecem as esperanças baseadas na probabilidade. Que desilusão. Nunca mais é, literal e metaforicamente, verão. Fora da caixa, a viver o bom tempo. E a viver os dias sem a pressão do medo. Tal e qual um petiz perguntador.
2.7.15
Em diferido. #37
A
unidade que forma um todo - O mundo pulsa com frequência. Por estes dias, é um
mundo noutro compasso. Numa ambiguidade impessoal. Arqueja ao mesmo tempo que
ganha firmeza na musculatura. Toma a forma de logração inócua. Avoca, inevitavelmente,
a eterna dúvida, como qualquer contradição exposta. É transversal, agora tudo
chega a todo o lado. Um ponto corta tudo, sem dó nem alma, até ao ponto final.
É uma linha imaginária, por certo, oblíqua. Uma veia melindrada pela invasão
inesperada. É uma tentativa de normalizar, ao invés, de padronizar. Surge como
uma democracia funcional. Convida o povo a acreditar que exerce a soberania.
Mas é uma questão que ganha recheio noutras áreas, tão relevantes quanto uma
questão que lateja por resposta, um governo que tem toques de aristocracia.
Arraçado de pináculo da linguagem impopular. No entremeio, ficam-nos as
questões bem mundanas. Putativamente menos transversais. Como os quadris
naturais da mulher que vive fora da cidade serem bem mais tortuosos do que a
transversalidade nacional.
23.6.15
O lado certo.
Tenho
vários amigos artistas. Já pensei nisto, já falei sobre isto. Fazem coisas,
muitas e bem feitas. Afirmo-o com a ressalva do estereótipo que dá as mãos à
arte. Eu gosto do muito que venho vendo. São todos muito diferentes. Mas
encontro-lhes semelhanças na estrutura. Mulheres e homens de ideias sociais
muito próximas, fazedores de arte mais distantes. Respiram criatividade, falam
com originalidade e sustentam-se no compasso da criação. Não é forçado, é uma
acção natural, uma reacção visceral. Louvo-lhes o dom, uma e outra vez. Chegou
e deixou cair sobre a mesa uma revista. Disse-me, logo a seguir, que era a
revista de que me havia falado. Trouxe-ma para que, entre os muitos artigos de
interesse, me deixe levar por um conjunto de fotografias que são o espelho do
mundo. Um mundo honestamente desonesto. Um retrato de outro continente. Já lá
esteve e, garante-me, é impressionante. A qualidade das fotografias é
indiscutível, mas não se esgota na técnica apurada, na luz certa, na objectiva
concreta. Morre em cada uma, a esperança. Porque não é ver, é ver e não restar
um miserável pingo de dúvida de que o julgamento se faz aos solavancos e não
tem beira. Ironizando, porque nos falta discurso, já dizia uma velha amiga,
quando ainda éramos uns putos entre aulas e conversas de corredor, que
lamentava não se chamar Esperança. Todas as vezes, alguém lhe perguntava
porquê. Ela justificava, imaculadamente: Porque a Esperança é sempre a última a
morrer. É tão verdade, que me rio enquanto escrevo. Tal como nesses idos anos.
Havia sempre uma gargalhada como ponto final. Agora, depois de folhear esta
revista um punhado de vezes, faz sentido. Que aos protagonistas desta realidade
nunca lhes falte a esperança. Mesmo que morram antes dela. É o outro lado. O
lado da consciencialização.
10.3.15
A unidade que forma um todo.
O
mundo pulsa com frequência. Por estes dias, é um mundo noutro compasso. Numa
ambiguidade impessoal. Arqueja ao mesmo tempo que ganha firmeza na musculatura.
Toma a forma de logração inócua. Avoca, inevitavelmente, a eterna dúvida, como
qualquer contradição exposta. É transversal, agora tudo chega a todo o lado. Um
ponto corta tudo, sem dó nem alma, até ao ponto final. É uma linha imaginária,
por certo, oblíqua. Uma veia melindrada pela invasão inesperada. É uma
tentativa de normalizar, ao invés, de padronizar. Surge como uma democracia
funcional. Convida o povo a acreditar que exerce a soberania. Mas é uma questão
que ganha recheio noutras áreas, tão relevantes quanto uma questão que lateja
por resposta, um governo que tem toques de aristocracia. Arraçado de pináculo
da linguagem impopular. No entremeio, ficam-nos as questões bem mundanas.
Putativamente menos transversais. Como os quadris naturais da mulher que vive
fora da cidade serem bem mais tortuosos do que a transversalidade nacional.
13.1.15
Faz sol no meu país.
Ó,
tempo, volta para trás. Por um instante, vale um cachimbo da verdade. Há tão
poucos. Motes há, imagine-se, que são tão inocentes. Tão banais na situação,
tão relevantes na emoção. Quando pegamos numa memória física, jamais,
reconhecemos o propósito de inventar a primeira intervenção. Não partimos daí.
Um perfeito quebra-cabeças. Lembro-me de uma máquina fotográfica antiga, das
que já ninguém se lembra, fala ou revela. Mostraram-ma numa cruel desvantagem.
Num tempo em que não conhecia, senão, a sozinha paixão pela fotografia. Pela
imagem, antes. Em pequeno rapaz, onde não era mais do que atracção. Onde não
prestei a devia atenção. No outro dia, uma Polaroid foi a entretenha da comunhão.
Enquanto esperávamos pelo resultado, falámos de uma Manhattan de outros tempos. De
uma década onde as fatiotas janotas eram predicado e condição. Onde saíam dos
lugares e dos transportes com casacos sem comparação. Perdia-se de vista toda a
razão. Estreavam todas as passagens na rua da moda. O pai e a mãe levavam as
crianças pela mão. Depois corriam para o parque de animações. Nessa altura,
outra Polaroid nas mãos, guardava os momentos partilhados. Devolviam os
olhares. Indutora paixão. Naquele serão, de novo, a memória na mão. Não conheço
quem não tenha. Não conheço, não.
8.1.15
Perdeu-se mais mundo.
Diante
de um episódio terrível, por faltar definição maior. A causa das coisas é nome
de livro, mas nunca havemos de encaixá-la, à expressão, em tanto do que gira mudo
fora. Tampouco, entende-la. Ainda que, nos fiquemos presos ao tempo a passar, a
árvore a mudar, folha a folha, flor a flor. Ao fruto que vem na estação do
calor. O mar que volta quando entende. À intempérie mesquinha de não conseguir
desassossegar na viagem do quotidiano. Tudo, por certo, perde combustível,
quando soa a fatalidade. Maltratando o concreto do destino de um estado livre. Comem-nos
as palavras. Tão frio, quanto isso. Roubam-nos o essencial. Violam-nos a
democracia. Matam-nos a liberdade. A distância não existe. Quando tomam uma
parte de assalto, consomem o todo. A liberdade, a democracia, o jornalismo e,
mais concretamente, o Homem, vivem o negrume de um rescaldo sem justificação.
De um mundo que tem partes que são tão sem preceito. Medonha, a justiça que se
suporta numa política que anda enviesada. Como se fosse justificação segura.
Falta luz. Diante de um letal acontecimento. Perdeu-se mais tempo e mais mundo.
Num inqualificável momento.
24.7.14
No resto do mundo.
Aterrar
em Portugal tem outro sabor. Gabam-lhe, um sem número de vezes, a luz. E têm
razão. Outras vezes não esquecem a simpatia de quem os recebeu. A qualidade do
que é tão típico também merece elogio. Quando pisar terras lusas é regressar a
casa, dizem que não se explica. Tanto mais quando se vivem vidas fora deste
país. Quando se adoptam lugares e características, quando se permitem deixar adoptar
por gentes da terra e por definições de vida mais aprazíveis. Sabíamo-lo de
regresso, por uma semana apenas, mas sabíamo-lo por terras lusas, num regresso
de desejo e saudade. De cessar as saudades. De matá-las por força dos afectos e
vozes que o recebem. Sempre. A distância não é a maior. É longe da cultura, da
língua e das gentes. Da localidade e da hospitalidade que o formaram. É o
vestígio de um grau ou degrau que dá permissão para descobrir o mundo. O resto.
26.6.14
Alheios à pressão.
Na
norma acontecem, felizmente, excepções. Desconfio de coincidências. Algumas, para
não ser tentador generalizar. Factos há que nos parecem tão palpáveis e
irrevogáveis que, jamais, lhes colocamos no eixo das coincidências. Ironia, quando,
precisamente, no seguimento do primeiro jogo de Portugal neste mundial de
futebol, ou seja, frente à Alemanha, me chegaram fotografias de outros tempos.
Coincidências à margem, chegaram-me, justamente, da Alemanha. Minutos depois do
desditoso resultado. Em dia da derradeira oportunidade, lembro-me disto. Tenho,
por esse mundo, amigos espalhados. No caso, amizade de infância, de corpos
delgados e travessos nas mais ímpares e desalinhadas aventuras. As saborosas
descobertas de então. Gaiatos de linguagens aprendidas no minuto. O português e
o alemão misturados para forçar o discurso, comunicação. Funcionava para a
argumentação que íamos experimentando entre divertimento. Entendíamo-nos na
perfeição. A cada vinda a Portugal, estávamos juntos. Relação que já vinha de
trás, dos nossos ascendentes que, de forma tão natural, mantivemos. Devemos
ter, em momentos vários, tirado fotografias. Naquele dia, chegaram-me duas.
Talvez, em jeito de palmada nas costas, da desdita compreendida. Digo, porque
desconfio de coincidências. Gostei de recebê-las. Numa, de máscara a rigor, o
tormento de me vestir de outrem. Na outra, todos juntos na piscina lá de casa.
O critério tem desvios. Tenho alguma dificuldade em olhar as coincidências.
Mesmo quando não uso da generalização, desconfio. O que acabo de escrever
serve-se, em pontos concretos, da ironia. Gostei de recordar. Gosto de ter
amigos com memória. E, já agora, de me saber amigo de gente com compaixão
futebolística.
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