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1.9.15

Em diferido. #39

Sublevação das gentes - Na sala por onde passei tantas vezes e que me lembro de olhar para ele, passar os olhos e só guardar a moldura de um dourado gasto. Agora que vejo bem ou, escolhendo melhor as palavras, agora que presto atenção ao quadro que sempre esteve naquela sala, vejo nele uma recordação que alguns dizem longe e sem armas para prevalecer numa sociedade em que os mundos confluem e nunca beliscam. Nesta sociedade. Na falada sociedade do minuto. Contam tudo ao pormenor. Sabe-se tudo a cada instante. É uma discussão que desconhece lugar. É uma aventura de linguagem e comportamento. Fala-se da ditadura efectiva e da liberdade condicionada com a mesma intensidade. Comparam-se termos e valores desprovidos de ligação. Salvando a verdade, este quadro recusa qualquer valorização de um regime ditatorial, antes de um povo que sobrevive sob a barbárie de um nome. Mas é de um tempo que fugir nem sequer era solução. Acusam-me, alguns desmemoriados, quando opino sobre o quanto este país ganhou depois da revolução, de desconhecer a vida de então. Argumento e respondem-me frases feitas. Um discurso com tão pouco volume, como acreditar que algumas décadas depois, tudo mudou.

28.10.14

Em diferido. #21

Fado em cada linha - Confunde-se a iliteracia contextual com a procura, sem fim, de um carimbo de qualidade e de certificação de um povo. É um fado que desvenda a sonoridade dos arrepios da inevitável e inconsequente evolução de um ramo que não larga o tronco enraizado numa cultura que respeita e canta desentoada temas mais ou menos característicos e assertivos de ouvido, do tão afamado fado. Permitir que a canção nacional toque no nosso leitor, sem que lhe apontemos graves dissonâncias. Sem que, pelos primeiros acordes da guitarra tão portuguesa, nos desmotivemos. É moda, contrariar essa corrente, ouvi e li algures. Em tantos textos de opinião e em infindáveis entrevistas de nicho. Nas outras conversas, também. Conversas de rua, de café, de amigos e de entretidos conhecidos. Ainda, nas conversas descomprometidas em televisão, tão válidas pelo entretenimento a que se propõem e que o espectador não nega. Antes desta vaga, houve dedicação, amor e paixão. Formigas na voz, no peito e no corpo que desgrenhava veias como se fossem cabelos soltos. Foi a verdade que ajudou a cimentar uma canção com poemas de palavras vivaças e abatidas. As últimas, bem mais conhecidas e usadas. Ouvir a versão de Ana Moura do tema “A Case of You”, onde a artista não foge, mas experimenta, enquanto alguém esconde o rosto e parte de um corpo desnudado num lençol branco, é sensualidade nacional. A excepção não remata o todo. Depois, seguem-se as restantes faixas de “Desfado”. É um deleite para a irrequieta reformulação da arte. Voluptuoso fado. Canção nacional.

30.9.14

Sublevação das gentes.

É na sala por onde passei tantas vezes, que me lembro de olhar para ele, passar os olhos e só guardar a moldura de um dourado gasto. Agora que vejo bem ou, escolhendo melhor as palavras, agora que presto atenção ao quadro que sempre esteve naquela sala, vejo nele uma recordação que alguns dizem longe e sem armas para prevalecer numa sociedade em que os mundos confluem e nunca beliscam. Nesta sociedade. Na falada sociedade do minuto. Contam tudo ao pormenor. Sabe-se tudo a cada instante. É uma discussão que desconhece lugar. É uma aventura de linguagem e comportamento. Fala-se da ditadura efectiva e da liberdade condicionada com a mesma intensidade. Comparam-se termos e valores desprovidos de ligação. Salvando a verdade, este quadro recusa qualquer valorização de um regime ditatorial, antes de um povo que sobrevive sob a barbárie de um nome. Mas é de um tempo que fugir nem sequer era solução. Acusam-me, alguns desmemoriados, quando opino sobre o quanto este país ganhou depois da revolução, de desconhecer a vida de então. Argumento e respondem-me frases feitas. Um discurso com tão pouco volume, como acreditar que algumas décadas depois, tudo mudou.

5.8.14

Verão matizado, impetuoso como sereno.

Veranear algures. Percorrer o encanto nacional, conhecer e fotografar o ambiente de um exterior tão desejado como a saudável condução de um país. Também o nosso, de preferência. Guardem-se os costumes, poupem-se as palavras, apavorem-se as pessoas, ridicularizem-se as acções. De umas e das outras. Toca desafinado o movimento bolsista de um antro. Um cenário que soa desacorde com uma sucessão de opções que persistem numa alinhavada separação de classes. Opiniões de outrora, recentes como o verão delicado, suportavam a solução interna, poupando o desgaste, mal-grado a dificuldade de encontrar concordância e veracidade na combinação das ideias expelidas em discurso de horário nobre. É um mistifório pegado, ausente de senso. Experimentam-se, neste canto de privilégios sem fim, um pedaço do tanto que é um rolo sem fim de expectativas e necessidades imediatas de fazer acontecer. Fazem-se ensaios. Depois perguntas. Escutam-se os mesmos. Discursos e aqueles que os lêem. Enquanto nos assaltam os primitivos acontecimentos, penso como é sereno olhá-la a passar a mão no cabelo. Há sempre melhor.

28.7.14

Fado em cada linha.

Confunde-se a iliteracia contextual com a procura, sem fim, de um carimbo de qualidade e de certificação de um povo. É um fado que desvenda a sonoridade dos arrepios da inevitável e inconsequente evolução de um ramo que não larga o tronco enraizado numa cultura que respeita e canta desentoada temas mais ou menos característicos e assertivos de ouvido, do tão afamado fado. Permitir que a canção nacional toque no nosso leitor, sem que lhe apontemos graves dissonâncias. Sem que, pelos primeiros acordes da guitarra tão portuguesa, nos desmotivemos. É moda, contrariar essa corrente, ouvi e li algures. Em tantos textos de opinião e em infindáveis entrevistas de nicho. Nas outras conversas, também. Conversas de rua, de café, de amigos e de entretidos conhecidos. Ainda, nas conversas descomprometidas em televisão, tão válidas pelo entretenimento a que se propõem e que o espectador não nega. Antes desta vaga, houve dedicação, amor e paixão. Formigas na voz, no peito e no corpo que desgrenhava veias como se fossem cabelos soltos. Foi a verdade que ajudou a cimentar uma canção com poemas de palavras vivaças e abatidas. As últimas, bem mais conhecidas e usadas. Ouvir a versão de Ana Moura do tema “A Case of You”, onde a artista não foge, mas experimenta, enquanto alguém esconde o rosto e parte de um corpo desnudado num lençol branco, é sensualidade nacional. A excepção não remata o todo. Depois, seguem-se as restantes faixas de “Desfado”. É um deleite para a irrequieta reformulação da arte. Voluptuoso fado. Canção nacional.