Mesmo
que se repitam desejos, a ficção e a criatividade esdrúxula, em tempo algum,
vão superar a realidade. Deixemo-nos de elaborações mirabolantes. Apostemos na
alegria sentida e nas acções repetidas e relevantemente inocentes. Num país de
realidades altamente opostas, por uma vez num ano, se viva a igualdade da
partilha, Que se ambicione o que não obtém valor em notas altas. Que se procure
o extraordinariamente acessível. Nem por um minuto se espere desistir, mesmo
que estejamos numa fila interminável de uma loja de centro comercial. Uma vez
no ano, que alguém seja digno de uma espera demorada. Para que, no final, de
presente na mão, com o presépio bonacheirão no chão, a estrela no alto, e mais
importante, o sentimento no lugar certo, lhe diga feliz natal.
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23.12.15
21.12.15
Canção de supermercado.
O
natal, há pouco, vestia as paredes frias. A rua vai dando aos transeuntes o que
o comum cidadão procura. Uma apropriada bola de neve. As caras dos espectadores
acompanham a magia numa ficção pintalgada. As bocas brincam como fantoches
comandados. É engraçado pensar. As fotografias da rotina acontecem em cada
esquina. É engraçado não reparar. Damos, de novo, prioridade aos passos. Vamos
lá, há mais para contar. Quanto mais acentuada é a falta de sentido, mas
atraente. Quanto mais ausente é a monotonia e o comportamento amorfo, melhor e
vencedor. Entre a secção dos enlatados e a barreira das massas, antes de
vislumbrar a banca dos frescos e de piscar o olho aos brinquedos, há uma menina
cantadeira. Tem tom de rouxinol, timbre de fada madrinha. Inventa a letra,
canta como se estivesse na luz de um palco rei. Inventa o público eufórico,
esgotado mas firme. Se ficarmos ali, com atenção, ouvem-se os aplausos. Os
gritos fortes, em uníssono. A menina canta, soa a qualquer coisa. Ficar e
escutar não é opção, é a força da razão. A boca tem vida, as cordas vocais não
têm receio. Imagino-as num bailado sem fim. Numa corrida sem precedente. Que
espectáculo graúdo. Voz de supermercado, canção de menina sem pecado. Na mão um
pai natal luminoso é o perfeito microfone mimoso. Pelo meio do palavreado
seguido, percebe-se a alusão à época. A festa da gente, a razão da família.
Entre o atum acondicionado e a esparguete em exposição, canta a menina de voz
doce. A canção de supermercado. O natal vive em qualquer um, vive em qualquer
lado.
9.12.15
Em diferido. #43
Um
almoço descapotável e um tubarão no presente de Natal - Dezembro que vem a
descobrir. Vem o inverno e o natal, sem defeito, em omnipresença. Ainda se
vestem os fatos domingueiros, os sapatos engraxados. Escolhem-se as maneiras de
estar fora de casa, não retribuem gentilezas, são feitos de votos de boas
festas. Hoje tive um almoço descapotável, avançou o petiz de palavras
desenvoltas, discurso harmonioso e buliçoso. Enquanto as mãos se ocupavam com o
camião do hipermercado, a máquina retroescavadora, o formula 1 e o carro
familiar. Definiu-os assim. Bem posso assegurar que não falhou. Nada, nem uma
letra da definição imaculada. Alguns, sofridos pela insegurança das mãos que
não procuram sossego. Escolhem a amizade dos actos que apaixonam com a proximidade
da infância que assim já chega. Saltos em altura, em comprimento e o perto que
nunca é chegado na pressa do entendimento. As mãos pequeninas, proporcionais.
Bichos-carpinteiros que não dão tréguas. Brinca, sentado à beira, sem convite.
Troca as pequenas réplicas de saltos em saltos. Boas intenções, aptas piruetas.
Malabarismo que transforma. É a mesa uma gigante pista, como escreveu num
pedido ao pai natal. Logo, sem esperar, avançou a pergunta necessária. – E tu,
já escreveste? – Não, pensei. E não escrevi. Diz que menti. No natal e na
cabeça saudável do petiz da brincadeira não há consoada sem natal e vontade na
carta guardada. Farta mesa e presente na lareira. Frio lá fora, noite acordada.
Sem saber, uma refeição não será, fora da imaginação, descapotável. Por seu
turno, sê-lo-á, assim entenda. Como o carro ligeiro que salta, alegre e
velozmente, sobre o camião que transporta as couves, o arroz e o atum. Petiz em
véspera de natal deliciou-se com uma saborosa e descapotável refeição. No
final, depois de nos despedirmos, chamou-me e saltando na minha direcção,
disse-me que era um coelho. – Posso ser um coelho no natal, não posso? –
Sempre. O ano inteiro. Voltou para a mãe gritando que era um coelho. Como tanto
do que rabisco com palavras, é tão real. Supera, aceito, a imaginação. Petiz
porreiro. Espero que pai natal não se esqueça da pista de corrida gigante com
uma boca de tubarão, igualmente enorme. Por graça, natal houve em que me
apareceu uma portentosa pista na lareira. Natal é ser coelho e gritá-lo sem
medo. Ah, e já agora, já sabe escrever o nome todo. Petiz valente. Natal com
presente.
22.12.14
Um almoço descapotável e um tubarão no presente de natal.
Dezembro
que vem a descobrir. Vem o inverno e o natal, sem defeito, em omnipresença.
Ainda se vestem os fatos domingueiros, os sapatos engraxados. Escolhem-se as
maneiras de estar fora de casa, não retribuem gentilezas, são feitos de votos
de boas festas. Hoje tive um almoço descapotável, avançou o petiz de palavras
desenvoltas, discurso harmonioso e buliçoso. Enquanto as mãos se ocupavam com o
camião do hipermercado, a máquina retroescavadora, o formula 1 e o carro
familiar. Definiu-os assim. Bem posso assegurar que não falhou. Nada, nem uma
letra da definição imaculada. Alguns, sofridos pela insegurança das mãos que
não procuram sossego. Escolhem a amizade dos actos que apaixonam com a
proximidade da infância que assim já chega. Saltos em altura, em comprimento e
o perto que nunca é chegado na pressa do entendimento. As mãos pequeninas,
proporcionais. Bichos-carpinteiros que não dão tréguas. Brinca, sentado à
beira, sem convite. Troca as pequenas réplicas de saltos em saltos. Boas
intenções, aptas piruetas. Malabarismo que transforma. É a mesa uma gigante
pista, como escreveu num pedido ao pai natal. Logo, sem esperar, avançou a
pergunta necessária. – E tu, já escreveste? – Não, pensei. E não escrevi. Diz
que menti. No natal e na cabeça saudável do petiz da brincadeira não há
consoada sem natal e vontade na carta guardada. Farta mesa e presente na
lareira. Frio lá fora, noite acordada. Sem saber, uma refeição não será, fora
da imaginação, descapotável. Por seu turno, sê-lo-á, assim entenda. Como o
carro ligeiro que salta, alegre e velozmente, sobre o camião que transporta as couves, o arroz e o
atum. Petiz em véspera de natal deliciou-se com uma saborosa e descapotável
refeição. No final, depois de nos despedirmos, chamou-me e saltando na minha
direcção, disse-me que era um coelho. – Posso ser um coelho no natal, não
posso? – Sempre. O ano inteiro. Voltou para a mãe gritando que era um coelho.
Como tanto do que rabisco com palavras, é tão real. Supera, aceito, a
imaginação. Petiz porreiro. Espero que pai natal não se esqueça da pista de
corrida gigante com uma boca de tubarão, igualmente enorme. Por graça, natal
houve em que me apareceu uma portentosa pista na lareira. Natal é ser coelho e
gritá-lo sem medo. Ah, e já agora, já sabe escrever o nome todo. Petiz valente.
Natal com presente.
16.12.14
Votos de que algo aconteça.
Pinta
por cima de cada movimento de fim de dia, o carro e o menino que não sabia. Pinta
a fachada cortada com janelas várias. Pinta de imagens a fugir pela tela
melindrada. É a decoração de uma sala. É sala, a cidade mexida e vestida. Fogem
histórias em imagens contadas. Fogem por entre os defeitos de finos arcos e
quadriculadas janelas. É cenário vivo e sossegado. Como se não fosse possível.
Como se impossível fosse não imaginar. A paragem é a estratégia para parar. Um
lugar de honra para assistir a história a passar. Terreiro do Paço, praça de
excelência, de vídeo pintando com um novo e atractivo ar.
10.12.14
É natal, senhoras e senhores.
É
Dezembro a caminhar. Chega o primeiro do mês e logo de festa se veste. Se
vestem. As casas, as ruas e as pessoas. O espírito toldado pela luz da ocasião.
Desde sempre, desde que tenho memórias, ainda petiz de vontades travessas, que
me lembro de ouvir que este é o mês das festas. Todo um período de trinta e um
dias em amena e alusiva festividade. É natal em cada esquina, feliz a época que
vive da alegria da criança traquina. Cá em casa, também dessa altura, ficou a
tradição de decorar a árvore sempre no mesmo dia de Dezembro. Não foi excepção.
Houve, algures, um emaranhado fio luminoso no meu soalho. Um pinheiro e
pormenores. Tantos detalhes, quantos a época exige. É natal, senhores. Guardei, numa rede
social deste tempo, para mais tarde recordar. Contrario-me em cada gesto, mas é
o natal a solicitar. Temos, assim, uma árvore decorada a rigor, pensada ao
pormenor. Alguém se ocupou das velas pintalgadas pela divisão, as mantas de
decoração. Trocámos o emaranhado luminoso pelos presentes que recebemos e ofertamos com
gosto. A mesma escolheu os temas de fundo, a banda sonora que reivindica para o
quotidiano da vida. A sala é o ponto privilegiado. Como noutros tempos. Os vidros
húmidos, as telas perfeitas. Desenhos da época, as ilusões eleitas. A consoada era
o pretexto ideal para um número elevado de companhia. A mesa composta, fiel aos
costumes e ao bom gosto. A cozinha num rodopio. A lareira, lá ao fundo, queimando lenha, o
fumo gastando-se lá fora. A família junta, fazendo muitos reunidos. Temos
conversas sem fim, damos destaque às histórias contadas e sabidas de cor, tão
repetidas se fizeram. É natal, senhores. Inevitavelmente marcam-nos a falta de membros
importantes e sem substituição. Uns ausentam-se por agora, outros para sempre.
É Dezembro, chega o fim do ano. Repetir-se-á, novamente, no próximo ano. As
histórias também. Vozes e presenças falhadas. Que nos faltam. É natal e,
aproveitando-o, partilhamos pessoas para sempre ausentes. É natal, estamos
presentes.
26.12.13
Ideias desordenadas que põem sentido a cada ano vivido.
Processo
rápido, cujo objectivo é agradecer o que queremos fazer. Perfeitinho, o
empenho. A hora de abertura está farta de se saber conhecida, sobejamente
entendida e assimilada por todos. Nós todos, note-se a ressalva, uns mais do
que outros, claro está, saímos com o propósito de comprar. Fazemo-lo para nós,
por nós ou, tantas vezes, para quem nos aconchega os corados afectos. Depois,
quando o pai natal se desmancha e cede o lugar a um familiar atrevidamente
travesso, perdendo as barbas brancas, porém, sintéticas, o fato vermelho e
branco de tecido manhoso, o barrete que não esconde uma careca divertida, a
barriga que sorteia uma almofada e, até as botas, são de alguém bem mais
terreno, desistimos de esperar. Ou deixamos de acreditar. Não fugindo à
conversa, conheço bem quem tenha paixão pelo pai natal, volvidos que são tantos
anos, após o confronto inevitável. Vamos, então, à procura. Os tempos, seja por
esta altura ou no liso decorrer de todo o ano, não estão para esbanjar, tão
pouco, para exibicionismos que resultam num grito de evidentes sinais de
riqueza. Quando esta é fabricada, também conta para a minha estatística.
Principalmente. Mas, alongam-se as conversas, quando o tema é apontar o dedo.
Quantas vezes arrasamos o comportamento de um qualquer funcionário. Porque foi
desatento, porque ofereceu má cara, porque se recusou a procurar outro tamanho
ou, quem sabe, porque insiste em tornar-se na nossa sombra. Enfim, motivos
teremos todos para que não nos faltem opiniões. Contudo, não sei se pela
política de algumas marcas, se pela simpatia inerente a alguns seres,
funcionários há que merecem que lhes apontemos o dedo pelas melhores razões.
Aconteceu-me por estes dias. Numa perfumaria, entrei acompanhado, com uma ideia
concreta, mas desde o primeiro instante, a funcionária que se aproximou,
mostrou-se bastante eficiente. Sem sufocar as escolhas que se querem
independentes, fez-nos sugestões, sem pressões, falou e seguiu. Em razão da
verdade, não trouxe o que nos ofertou de sugestão, mas ficou-lhe bem o
atendimento e proporção. No que me diz respeito, gosto de agradecer quando o
serviço merece. Porque quem trabalha bem e por bem, ganha mérito. Assim é todos
os dias que o ano tem.
23.12.13
A batalha que pisca o olho ao afecto.
Agigantam-se
as corridas de última hora para o primeiro lugar nas filas que abrem caminho
para as compras de alguns dos putativos presentes de natal. O espírito, pingado
pelas ruas e corredores dos centros comerciais, através das luzes garridas e
dos adereços da época, juntam-se aos números redondos desenhados em grande
escala nas montras que cozinham estratégias para atrair metade dos que, apenas,
vêem e o dobro dos que compram. A cada vez mais apoucada capacidade das
carteiras de muitos que compõem o país, não impede a reunião das famílias, o
amor e a fraternidade, a mesa composta e, se possível, a sabida troca de
presentes perto da hora que merece atenção. Os que, felizes, têm oportunidade
para jogar outra aposta no momento de escolher, não escondem a vontade incessante
de consumir. Afinal, queremos acreditar, estamos na época da troca. Não disse
de quê. Não nos fiquemos pelo material pois, ficar-nos-á a amargo o sabor da
ausência maior, a do sentimento. Recuso a fatalidade da generalização repetida,
assim se aproxima o cheiro a natal. Num país de realidades altamente opostas,
por uma vez num ano, se viva a igualdade da partilha, Que se ambicione o que
não obtém valor em notas altas. Que se procure o extraordinariamente acessível.
Nem por um minuto se espere desistir, mesmo que estejamos numa fila
interminável de uma loja de centro comercial. Uma vez no ano, que alguém seja
digno de uma espera demorada. Para que, no final, de presente na mão, lhe diga
feliz natal.
3.12.13
É Natal.
Dou
por aberta, oficialmente, a época festiva que se vive, de gosto e de herança, por estes
dias, neste espaço com um título sóbrio, resumido e cabalmente evidente. É
natal. Tomei noção porque, cá por casa, temos uma árvore altamente decorada,
velas distribuídas aleatoriamente, Michael Bublé a soar pelas divisões, bolas e
fitas a condizer. Um admirável mundo que vem a cada ano repetir-se. Mundo de que gosto. A idade
inocente já se perdeu. Ficou lá atrás, fatalmente. Com a tenra idade, ficou o
pinheiro verdadeiro perdendo, aos poucos, as suas penadas, assente num vaso
decorado. O pai e a mãe a fazerem-se companhia dos filhos, guiando a decoração.
Fazendo lembrar a razão da data. O presépio, fora retratado. Na árvore, beijada
pelas modas da altura, carregada de bolas, fitas e até chocolates. Sobriedade
não fazia parte dos acessórios pendurados. A consoada juntava um número elevado
de companhia, a mesa adornada a rigor. A lareira, lá ao fundo, queimando lenha,
o fumo gastando-se lá fora. A família junta, fazendo muitos reunidos. Os
presentes, por força do amor e da dedicação, porventura, em número superior ao
que se fazia necessário. As felizes perspectivas. As conversas e as pequenas
histórias contadas e sabidas de cor, tão repetidas se fizeram. Os comes e
bebes, não fugiam à tradição. As faltas não aconteciam. Todos estavam
presentes. É natal, dizem a cada passo dado. Não será igual, tão pouco, o mesmo
retrato. Hoje, é igualmente natal, mantém-se praticamente tudo o que se fez
tradição nesta família, nesta casa. Na minha família. É natal, faltam membros.
Uns ausentam-se por estes dias, outros para sempre. É Dezembro, chega o fim do
ano. Repetir-se-á, novamente, no próximo ano. As histórias também. Vozes e
presenças falhadas. Que nos faltam. É natal e, aproveitando-o, partilhamos
pessoas para sempre ausentes. É natal, estamos presentes.
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