A
vida roda, os pombos não perdoam. A cidade está num filme de publicidade. Mais
à frente, no jardim de nome bonito, passou um cão pela trela, soltava uns
latidos baixos e avançava nuns pequenos saltos. Era branco e castanho, a fita
encarnada e as orelhas pregadas ao alto, assumindo um modo de viver muito
próprio. Quem o levava, sorria e dizia bom dia. Debaixo do braço, o jornal
matinal. Aqui, na esplanada de primavera, enquanto o café espera, é dona da
mesa o jornal do dia e a leitura em continuada actualização é a única razão da
pausa e do intelecto a questionar a acção. O jornal tem cheiro e mancha as
mãos. Tem no negro a palavra escrita, noutro tom as chamadas de atenção, um ou
outro pormenor. A notícia contou-me alguém, não é morrer na teoria. O quê,
onde, quando. É, sempre que esteja alinhada a razão, a subjectividade porque
não és objecto. A trincada verdade de mãos entrelaçadas com as palavras exactas
e sem excessos. Enfim, o jornalismo é um crédito que, entre ameaças tentadoras
e reflectidas, vai sobrevivendo. O descrédito não assaltou ninguém por acaso,
de rompe sem quaisquer justificações. As pessoas, as entidades, as empresas.
Todas, num rol de dúvidas perpetradas pelo punho de uns tantos. A nação e a sua
soberania ameaçadas em plena claridade. As vozes que se atropelam e a descarga
de culpa que parece infringir a inteligência do povo. Esqueçamos, por ora, a
vergonha. E lembro-me do jornal diário, sempre em casa. E de como um fato
escuro, uma gravata no mesmo tom e uns sapatos limpos combinam com umas meias
pintalgadas, qual dislexia efervescente da cor e um discurso de esquerda.
Assumidamente defensor da ideologia e, sem despromoção para o que acredita,
veementemente simpatizante da vida como ela é. Não confundir ideologia com
religião. Não esquecer que a última pode tomar definições díspares, conforme a
cabeça que a entende. E, no fim, o que conta é a informação. Tenhamos as mãos
tingidas ou não.
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6.6.16
30.10.14
Publicação que releva travessura.
Lembraram-me
dos estendais. Tamanho esquecimento o meu. Típico da cidade que se lança, em
rigor da necessidade, pela fachada que deixa aventar. A rua não é larga no
desfavor do passadiço. Em não tardando, desagua num largo com nome de figura
importante. De voz buliçosa, com a traquinice na postura que segura, dizia em
tom alto, sem opróbrio, assim se desfez em bons dias: notícias fresquinhas. Ouvi há instantes na rua de um outono que
espiga à medida da desordem de um desaguisado entre o ser e o parecer das
estações do ano. Também elas se franzem, marcando espaço, nesta luta de homens
e de travessos meninos. Julgava eu, era mote de conversa, por demais, em
desuso. Tomei de ouvido, e desta vez lhe tirei as teimas. Os quiosques de rua,
tão frequentados como a jovialidade que ainda guarda o carácter alegre e a
disposição para parar, ouvir o vizinho e ler as gordas. Porque lhe faltou a
vista, ressalva. Depois da notícia, logo a conversa se traja a rigor. Pôr no
corpo de cada palavra a discussão. É sangue a preto e branco o que salta das
gordas de uma capa que promete guardar, adiante, o melhor do pior.
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