Mostrar mensagens com a etiqueta pai natal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pai natal. Mostrar todas as mensagens

9.12.15

Em diferido. #43

Um almoço descapotável e um tubarão no presente de Natal - Dezembro que vem a descobrir. Vem o inverno e o natal, sem defeito, em omnipresença. Ainda se vestem os fatos domingueiros, os sapatos engraxados. Escolhem-se as maneiras de estar fora de casa, não retribuem gentilezas, são feitos de votos de boas festas. Hoje tive um almoço descapotável, avançou o petiz de palavras desenvoltas, discurso harmonioso e buliçoso. Enquanto as mãos se ocupavam com o camião do hipermercado, a máquina retroescavadora, o formula 1 e o carro familiar. Definiu-os assim. Bem posso assegurar que não falhou. Nada, nem uma letra da definição imaculada. Alguns, sofridos pela insegurança das mãos que não procuram sossego. Escolhem a amizade dos actos que apaixonam com a proximidade da infância que assim já chega. Saltos em altura, em comprimento e o perto que nunca é chegado na pressa do entendimento. As mãos pequeninas, proporcionais. Bichos-carpinteiros que não dão tréguas. Brinca, sentado à beira, sem convite. Troca as pequenas réplicas de saltos em saltos. Boas intenções, aptas piruetas. Malabarismo que transforma. É a mesa uma gigante pista, como escreveu num pedido ao pai natal. Logo, sem esperar, avançou a pergunta necessária. – E tu, já escreveste? – Não, pensei. E não escrevi. Diz que menti. No natal e na cabeça saudável do petiz da brincadeira não há consoada sem natal e vontade na carta guardada. Farta mesa e presente na lareira. Frio lá fora, noite acordada. Sem saber, uma refeição não será, fora da imaginação, descapotável. Por seu turno, sê-lo-á, assim entenda. Como o carro ligeiro que salta, alegre e velozmente, sobre o camião que transporta as couves, o arroz e o atum. Petiz em véspera de natal deliciou-se com uma saborosa e descapotável refeição. No final, depois de nos despedirmos, chamou-me e saltando na minha direcção, disse-me que era um coelho. – Posso ser um coelho no natal, não posso? – Sempre. O ano inteiro. Voltou para a mãe gritando que era um coelho. Como tanto do que rabisco com palavras, é tão real. Supera, aceito, a imaginação. Petiz porreiro. Espero que pai natal não se esqueça da pista de corrida gigante com uma boca de tubarão, igualmente enorme. Por graça, natal houve em que me apareceu uma portentosa pista na lareira. Natal é ser coelho e gritá-lo sem medo. Ah, e já agora, já sabe escrever o nome todo. Petiz valente. Natal com presente.

22.12.14

Um almoço descapotável e um tubarão no presente de natal.

Dezembro que vem a descobrir. Vem o inverno e o natal, sem defeito, em omnipresença. Ainda se vestem os fatos domingueiros, os sapatos engraxados. Escolhem-se as maneiras de estar fora de casa, não retribuem gentilezas, são feitos de votos de boas festas. Hoje tive um almoço descapotável, avançou o petiz de palavras desenvoltas, discurso harmonioso e buliçoso. Enquanto as mãos se ocupavam com o camião do hipermercado, a máquina retroescavadora, o formula 1 e o carro familiar. Definiu-os assim. Bem posso assegurar que não falhou. Nada, nem uma letra da definição imaculada. Alguns, sofridos pela insegurança das mãos que não procuram sossego. Escolhem a amizade dos actos que apaixonam com a proximidade da infância que assim já chega. Saltos em altura, em comprimento e o perto que nunca é chegado na pressa do entendimento. As mãos pequeninas, proporcionais. Bichos-carpinteiros que não dão tréguas. Brinca, sentado à beira, sem convite. Troca as pequenas réplicas de saltos em saltos. Boas intenções, aptas piruetas. Malabarismo que transforma. É a mesa uma gigante pista, como escreveu num pedido ao pai natal. Logo, sem esperar, avançou a pergunta necessária. – E tu, já escreveste? – Não, pensei. E não escrevi. Diz que menti. No natal e na cabeça saudável do petiz da brincadeira não há consoada sem natal e vontade na carta guardada. Farta mesa e presente na lareira. Frio lá fora, noite acordada. Sem saber, uma refeição não será, fora da imaginação, descapotável. Por seu turno, sê-lo-á, assim entenda. Como o carro ligeiro que salta, alegre e velozmente, sobre o  camião que transporta as couves, o arroz e o atum. Petiz em véspera de natal deliciou-se com uma saborosa e descapotável refeição. No final, depois de nos despedirmos, chamou-me e saltando na minha direcção, disse-me que era um coelho. – Posso ser um coelho no natal, não posso? – Sempre. O ano inteiro. Voltou para a mãe gritando que era um coelho. Como tanto do que rabisco com palavras, é tão real. Supera, aceito, a imaginação. Petiz porreiro. Espero que pai natal não se esqueça da pista de corrida gigante com uma boca de tubarão, igualmente enorme. Por graça, natal houve em que me apareceu uma portentosa pista na lareira. Natal é ser coelho e gritá-lo sem medo. Ah, e já agora, já sabe escrever o nome todo. Petiz valente. Natal com presente.

6.11.14

Secou a humanidade.

Julgo ter visto o Pai Natal. O tempo não tem pausa. E, permitam-me a infantil necessidade de me lembrar e, por força, fazer referência ao excelso trava-línguas – O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem - Ano de velhos relhos. Relhos ligados de emoções, desligadas as famílias, que se distanciam. A facilidade de depositar algures, na promessa de regressar em breve. Na boca a conversa de que não se ajeitam as condições de os receber. Esta manhã tive oportunidade de estar algum tempo num hospital. É público, mas podia tratar-se de um outro regime. E perde-se o juízo na soma do homem com o abandono. Ludibriam-se vidas e ocupações para justificar ausências e severas acções. Quem persiste, resiste. Quem ama, cuida e rega sob e sobre tudo e todos. Aflição é pensar no que foste, em quem és. Para onde vais. Sufocam-se as vozes daqueles velhos de cama em cama. Voltam sempre mas nem ao telefone lhes ouvem as vozes. Não resisto pensar, dá Deus nozes a quem não tem dentes. Desabafo de um relho homem. Imitava um passeio num corredor de pouca luz. Na cadeira de rodas seguia de sorriso agitado. As barbas compridas e brancas. O porte típico de quem tem carnes. É o Pai Natal. Foi, no exacto instante em que vi, o que me assaltou a ideia. Suportei as minhas desconfianças depois de o ouvir contar vidas. Julgo ter visto o Pai Natal. Num corredor de hospital, com uma bata clara e um frasco de soro ao lado. Quando nem o Pai Natal tem quem o sufoque de mimos e companhia, mal vai o mundo. Um mundo que é uma caixa onde se esconde o pior no fundo.

26.12.13

Ideias desordenadas que põem sentido a cada ano vivido.

Processo rápido, cujo objectivo é agradecer o que queremos fazer. Perfeitinho, o empenho. A hora de abertura está farta de se saber conhecida, sobejamente entendida e assimilada por todos. Nós todos, note-se a ressalva, uns mais do que outros, claro está, saímos com o propósito de comprar. Fazemo-lo para nós, por nós ou, tantas vezes, para quem nos aconchega os corados afectos. Depois, quando o pai natal se desmancha e cede o lugar a um familiar atrevidamente travesso, perdendo as barbas brancas, porém, sintéticas, o fato vermelho e branco de tecido manhoso, o barrete que não esconde uma careca divertida, a barriga que sorteia uma almofada e, até as botas, são de alguém bem mais terreno, desistimos de esperar. Ou deixamos de acreditar. Não fugindo à conversa, conheço bem quem tenha paixão pelo pai natal, volvidos que são tantos anos, após o confronto inevitável. Vamos, então, à procura. Os tempos, seja por esta altura ou no liso decorrer de todo o ano, não estão para esbanjar, tão pouco, para exibicionismos que resultam num grito de evidentes sinais de riqueza. Quando esta é fabricada, também conta para a minha estatística. Principalmente. Mas, alongam-se as conversas, quando o tema é apontar o dedo. Quantas vezes arrasamos o comportamento de um qualquer funcionário. Porque foi desatento, porque ofereceu má cara, porque se recusou a procurar outro tamanho ou, quem sabe, porque insiste em tornar-se na nossa sombra. Enfim, motivos teremos todos para que não nos faltem opiniões. Contudo, não sei se pela política de algumas marcas, se pela simpatia inerente a alguns seres, funcionários há que merecem que lhes apontemos o dedo pelas melhores razões. Aconteceu-me por estes dias. Numa perfumaria, entrei acompanhado, com uma ideia concreta, mas desde o primeiro instante, a funcionária que se aproximou, mostrou-se bastante eficiente. Sem sufocar as escolhas que se querem independentes, fez-nos sugestões, sem pressões, falou e seguiu. Em razão da verdade, não trouxe o que nos ofertou de sugestão, mas ficou-lhe bem o atendimento e proporção. No que me diz respeito, gosto de agradecer quando o serviço merece. Porque quem trabalha bem e por bem, ganha mérito. Assim é todos os dias que o ano tem.