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20.1.15

Definitiva alegação.

Missiva pertinente e trafulha, esta de gostar sem reticências e missões infrutíferas. Cada feitio com o seu jeito. Sem drama digno das tábuas de um teatro. Sem divas de cartaz e cavalheiros de nome destacado. Mulheres reais, homens naturais. Fica sereno, pássaro de livre e fiel querer. Crê nas palavras e nos braços firmes. É ser alma inteira, comichão nas cordas vocais, paixão na pele e amor no coração. Chega, mansa e singela, a ligação que há em nós. Cria laços até deles não nos conseguirmos desenvencilhar. Como se não existisse eira nem beira. Como se fosse um conhecido adágio ecléctico. Como quando a verdade exige uma posição. Um caminho distante. Como quando festejar uma data qualquer não é uma vontade. Assim, nada importa. Vive o ano inteiro, guarda a surpresa no quotidiano. Chamar-lhe pelo nome, desvendar-lhe pelo olhar. É a vizinha presença, lado a lado na companhia. Avança cada passo, não deixa de recuar quando é o caso. Passam anos. Não se fazem contas. Não entende a ideia de concentrar. De num dia tudo partilhar. Corpo que não precisa de sossego. Entendes isso, génio mais lindo. Um dia feliz, é o que desejo. Seja um dia vazio, seja o dia da comemoração do primeiro dia da relação. Aplausos. E seguem caminho num harmonioso, contudo, distinto, acorde.

11.12.14

Em diferido. #24

Derramar luz - A discrição é um facto que se recusa a deixar partir. É a velocidade de um feitio que ganha contornos de mãos que jogam com a vergonha de expor mais do que merece importância. A vergonha, palavra que desvenda sensações e incoerências que dão voltas num monociclo que pensa como gente e obriga a condução de acrobata gingão. Mas ultrapassa a vergonha. É um feitio que está inscrito algures. E atrai esse contexto em que não é defeito, senão feitio. O equilíbrio de um físico que se sustenta nuns saltos altos ou nuns rasos que nada roubam, na elegância de um corpo que não procura revelação, antes convicção. É igual ao que sente. As palavras nunca chegam ao fim, nem deseja fechar os olhos. Gosta de ter tempo e viver numa conversa que tem um sem fim de segundos. O afecto que partilha, sem obrigação, assenta-lhe na essência que impõe em cada relação. Efectiva ou se situação. A discrição, conheço-a de outros tempos. Agora, é infinita a vontade de que a partilha com a proprietária desta discrição e conversa que me prende a atenção, jamais chegue ao fim. Escrevi, acredita, sem receio de me esquecer. Escrevi, podes acreditar, para voltar sempre. E acrescentar. Mesmo que não seja hoje o lugar.

29.9.14

Derramar luz.

A discrição é um facto que se recusa a deixar partir. É a velocidade de um feitio que ganha contornos de mãos que jogam com a vergonha de expor mais do que merece importância. A vergonha, palavra que desvenda sensações e incoerências que dão voltas num monociclo que pensa como gente e obriga a condução de acrobata gingão. Mas ultrapassa a vergonha. É um feitio que está inscrito algures. E atrai esse contexto em que não é defeito, senão feitio. O equilíbrio de um físico que se sustenta nuns saltos altos ou nuns rasos que nada roubam, na elegância de um corpo que não procura revelação, antes convicção. É igual ao que sente. As palavras nunca chegam ao fim, nem deseja fechar os olhos. Gosta de ter tempo e viver numa conversa que tem um sem fim de segundos. O afecto que partilha, sem obrigação, assenta-lhe na essência que impõe em cada relação. Efectiva ou de situação. A discrição, conheço-a de outros tempos. Agora, é infinita a vontade de que a partilha com a proprietária desta discrição e conversa que me prende a atenção, jamais chegue ao fim. Escrevi, acredita, sem receio de me esquecer. Escrevi, podes acreditar, para voltar sempre. E acrescentar.

29.7.14

Em diferido. #14

Foram rosas, senhor - Saltou do carro. Há um vento fresco, uma contabilidade dos dias e das temperaturas tão irregulares que obriga a fingir que terminamos, desalmadamente, mais um ano. Vem de caracóis ao vento, escuros e tão definidos que sossegam o todo. Um casaco de mangas arregaçadas. Saltos altos, como sempre. É regra. Os óculos escuros escondem a direcção do olhar, mas o rosto esboça o sorriso de sempre. Já a vislumbrávamos, pela vidraça corrida, antes de entrar. Chegou, pousou a mala e levantou os óculos de sol. Falou à sala e cumprimentou quem a esperava. Dois beijos. Nem se lembra, tampouco, da moda do beijo singular. Sentou-se e depois de pedir, de gargalhada fácil, contou que havia recebido um ramo de rosas. Já tinha a jarra em repouso, à espera de lhas receber. De agora em diante, meus amigos, nunca menos que rosas. Anuímos. E gabamos o gesto do homem apaixonado.

22.5.14

Foram rosas, senhor.

Saltou do carro. Há um vento fresco, uma contabilidade dos dias e das temperaturas tão irregulares que obriga a fingir que terminamos, desalmadamente, mais um ano. Vem de caracóis ao vento, escuros e tão definidos que sossegam o todo. Um casaco de mangas arregaçadas. Saltos altos, como sempre. É regra. Os óculos escuros escondem a direcção do olhar, mas o rosto esboça o sorriso de sempre. Já a vislumbrávamos, pela vidraça corrida, antes de entrar. Chegou, pousou a mala e levantou os óculos de sol. Falou à sala e cumprimentou quem a esperava. Dois beijos. Nem se lembra, tampouco, da moda do beijo singular. Sentou-se e depois de pedir, de gargalhada fácil, contou que havia recebido um ramo de rosas. Já tinha a jarra em repouso, à espera de lhas receber. De agora em diante, meus amigos, nunca menos que rosas. Anuímos. E gabamos o gesto do homem apaixonado.

7.5.14

Homem escolhe procurar até encontrar.

Não tem perto da minha idade, porque conta com mais de dez anos que eu, isto sem me perder a fazer as contas de forma conveniente. É um desviado da intelectualidade, embora, viva embrenhado nela. É uma contradição como quase tudo o que lhe conheço. É um amigo que, aos poucos, deixou de ser um mero conhecido. Aproxima-nos um punhado de coisas. Afastar-nos-á outras tantas. Conhecemo-nos por entendimento da circunstância. E dos amigos em comum. É divertido nas expressões e situações mais desengonçadas e sisudo nos momentos mais informais. Outra contradição, lá está. Não é o preferido em muitos dos locais onde se move. Porque não se apresenta, escolhe chegar e não pensa no resto. Não oferece a preocupação de bandeja. Faz de conta que muito do que é não impressiona os outros e repete, se preciso for, que não lhe causa aflição. Teme outros males. Nunca viveu um casamento longo. Nunca, em nenhum dos quatro casamentos. Aflige-lhe outras maleitas. A inesgotável vontade de arriscar no próximo amor. É, nas conversas em que fuma um cigarro e mais outro, um defensor do amor. Não lhe conhece as regras, as soluções. Mas entra na luta. Aqui, não se limita a existir. Avança sem justificar o impulso do corpo e da mente. Defende o casamento. Só é capaz de viver o peso da paixão e a leveza do amor num casamento. Desafiado, responde que só amou o número de vezes em que se casou. Do resto, como em tudo, não se preocupou. Tampouco, senão uma ou outra lembrança lhe restou. Volta o desafio e responde que só pode com o peso do sossego e desassossego exterior. Lá dentro, onde guarda o que é, não suporta o tormento de não viver. Seja porque sim, seja pela infindável necessidade de estimular. De viver até encontrar.

6.5.14

Em diferido. #8

Bastam-lhe sessenta segundos. Soa Jeff Buckley. A vidraça quadriculada, cortada pelo alumínio, está semicerrada. O dia a recomeçar contagem, vai e vem, já lá vão as zero horas contadas ao soarem. A varanda ao relento, forte aragem e luar pesado, corando a rua vazia, pingada de um cinzento que lembra uma película a preto e branco. Peca ou deprava, reforçando o contentor afogado, lá ao fundo. Nuvens de fumo, aos pulos tremidos, a fugir do cigarro meio, segurado entre os dedos finos da atrevidamente desajustada, desalinhada e atraente mulher. Ela repete-se nesta rotina. Debaixo da cacimba. Em trajes menores. Desnudada. Em lingerie. Porque já lhe agonia o sexo. Diz da boca para fora. Porque lhe levaram a companhia maior. A mulher fuma para matar o que a corrói. Para consumir os pulmões. Para secar as entranhas. Levaram-lhe a companhia. A companheira. Desde que as viram embarcar num trocar sentido de um beijo no vão da escada do agastado prédio. Do lugar que escolheram para refúgio. Para amar. Em segredo. Guardadas. Até ao momento final. Amar diferente mata, quando não há liberdade. À espera, esta mulher fuma. Passa, assim, o tempo morto. Morta está. Até à salvação. Até ao regresso ou ao reencontro. Ligou, desligou. Intermitente, o candeeiro de rua, ao lado, realçando as sombras. Focando a diferença. Ostentando a fragilidade. Um fazer de conta, golpeando a agonia. Um dia que volta e revolta, como o que está antes. Acabou. De costas, chorou.

14.2.14

Sessenta segundos.

A vidraça quadriculada, cortada pelo alumínio, está semicerrada. O dia a recomeçar contagem, vai e vem, já lá vão as zero horas contadas ao soarem. A varanda ao relento, forte aragem e luar pesado, corando a rua vazia, pingada de um cinzento que lembra uma película a preto e branco. Peca ou deprava, reforçando o contentor afogado, lá ao fundo. Nuvens de fumo, aos pulos tremidos, a fugir do cigarro meio, segurado entre os dedos finos da atrevidamente desajustada, desalinhada e atraente mulher. Ela repete-se nesta rotina. Debaixo da cacimba. Em trajes menores. Desnudada. Em lingerie. Porque já lhe agonia o sexo. Diz da boca para fora. Porque lhe levaram a companhia maior. A mulher fuma para matar o que a corrói. Para consumir os pulmões. Para secar as entranhas. Levaram-lhe a companhia. A companheira. Desde que as viram embarcar num trocar sentido de um beijo no vão da escada do agastado prédio. Do lugar que escolheram para refúgio. Para amar. Em segredo. Guardadas. Até ao momento final. Amar diferente mata, quando não há liberdade. À espera, esta mulher fuma. Passa, assim, o tempo morto. Morta está. Até à salvação. Até ao regresso ou ao reencontro. Ligou, desligou. Intermitente, o candeeiro de rua, ao lado, realçando as sombras. Focando a diferença. Ostentando a fragilidade. Um fazer de conta, golpeando a agonia. Um dia que volta e revolta, como o que está antes. Acabou. De costas, chorou.