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23.4.14

Conformidade entre vidas.

Os nós das mãos disputam atenção com as veias tão salientes. Pousadas, uma sobre a outra, as mãos agarram com a fé de quem espera não perder a segurança, na bengala. A força de se manter em pé. Castanha, de berloques trabalhados, a bengala ajuda-o no percorrer daquele lugar. Calça umas botas grosseiras da cor do caramelo, veste umas calças vincadas, de um verde seco. Cobre o tronco que veste uma blusa, com uma camisa grossa, axadrezada, em jeito de casaco. Na cabeça, o chapéu. Também castanho, mas bem mais escuro. Não sei se por aqui, lhe chamam chapéu. Apropriei-me do meu termo. Junto ao mar, na praia de pescadores, salvando a já pouca destreza física, mantendo-se no paredão. Mas curva-se para ver. As pequenas embarcações por ali, o mar quieto. À volta, as redes tão características da pesca. As caixas que carregam ou já trouxeram o peixe. Os pescadores a falar, ouvem-se alto, enquanto mexem no peixe. No ar, as gaivotas sobrevoam. Num executar de bailado típico de quem procura alimento. É um quadro feliz. Daqueles em que os protagonistas vivem. Não se limitam a concordar.