Aquele
prédio é alto. Dos que se impõem. Marca, altivo, a sua presença naquela rua
carregada de movimento, de pessoas, de transportes e de um todo do que se faz
uma cidade central e dinâmica. Também guarda devolutos, tantos. Aquele prédio
tem uma porta grande, de vidros vários, tão alta que convida a cabeça de quem
passa a olhar-lhe nos olhos. Uma montra velha ao lado, esquecida. Tão perdida
no tempo que não passamos sem recuar-lhe o olhar. Tem tantos andares, ainda
mais janelas. As tonturas obrigam a parar-lhes a contagem. Não sei quantas
janelas compõem-lhe a frente, tampouco o verso, que se esconde num dos típicos
jardins recuados. Ainda as janelas e quão diferentes são. Aquele prédio tem
janelas recuperadas, outras renovadas e ainda tantas desprezadas. Algumas
carregam a memória do ar condicionado. Umas limitam-se a ser um vidro inteiro,
as outras de vidros separados. Umas estão abertas, outras fechadas e há ainda
as que, pelo ausente uso, teimaram em tornar-se perras. À entrada, servindo de
tapete à porta grande e à montra zangada, temos calçada portuguesa, num desenho
que fizeram, nos tons que conhecemos. Passam pessoas, param pessoas. Ficam à
conversa sobre todas as coisas e sobre coisa de espécie alguma. Logo a seguir,
há quem entre pelo prédio, depois de avisar, pisando os degraus de madeira,
segurando o corrimão que partilha madeira com ferro. Lá em cima, num terceiro
andar, espera sempre alguém. Com a porta aberta, de sorriso franco, oferecendo
as boas-vindas.
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15.5.14
17.4.14
Bisarma.
Sente-se
o pulsar do movimento novo, o burburinhar de quem se aproxima, os corpos bem
tratados e de rigorosas farpelas. Os sons dos carros que cessam ao estacionar,
logo na entrada da rua estreita. O prédio é alto, rústico e passa-nos a mão
pelo cabelo, em jeito de boas-vindas. É datado, coberto de azulejos verdes e trabalhados,
ao invés da tinta ou da cal, tão caracterísitica de algumas regiões, que se
repete pelas paredes deste país. O prédio sustenta-se, pelas diversas ocasiões.
Reinventa-se em cada evento e atrevimento. Dinamiza-se e oferece a tal mão,
logo à entrada. Por falar em entrada, assim que cheguei, antes de entrar,
soou-me um sopro. Soou-me, à distância, um saxofone. Jamais me atrevi, sequer,
tocar-lhe. Quanto mais, ousar tocá-lo. Diz quem entende, que as notas diferem
do som. Não sei, senão do que ouvi dizer. Talvez seja um disparate tremendo.
Mas, depois do átrio principal, lá estava um jovem rapaz, de ar de quem não tem
compromisso, sobre uma carpete garrida, a dar tom à cidade. A oferecer talento
à cidade numa emissão inócua. O rapaz, de pé, o saxofone a soar e o
amplificador ao lado. Super minimalista, como complexo. Assim é o espectáculo
que é ter tempo e disposição para sossegar e escutar música. Mesmo que à nossa
volta, se vista de festa e gente o salão nobre.
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