Enche-se
a boca para dela saírem impropérios vários. Dos que não interessam. A ninguém,
a nada. Invadem o outro num discurso pernicioso, avançando num abalroar da
essência do que e de quem está do outro lado. Da liberdade. Do apregoar tão
fácil, do aplicar tão difícil. Absurdo no seu máximo conforto. Espaço
privilegiado mal aproveitado. O ritmo do peito não desafina. Há coragem
ignorante, senhoras e senhores. É disto que tenho medo. Vê-los, numa posição
que teimam favorável, num atentado persistente à condição humana. Questiono
como se sentirão depois da barbárie. Penso nisto, logo depois de um vídeo que
me fizeram chegar. Onde um jovem casal relata a sua experiência. Lutam contra o
prejuízo, sem temerem qualquer juízo. E só assim faz sentido. Colocam-se na sua
pele, na do outro e resulta num conjunto de palavras tão certeiro. O
preconceito no epicentro das tábuas. Mas posso e devo lembrar-me disto sempre
que alguém próximo, tão próximo como um amigo, ou um transeunte aleatório,
passa por mim. A educação para a cidadania – real e efectiva; não a ficcionada
do costume – faz toda a diferença. Plantar no primeiro minuto para esperar frutíferos
comportamentos mais tarde. Não me interessa senão a formação do cidadão. O conforto
de viver a intimidade. Um tipo não pode exercer sobre ninguém a sua verdade. Somos
ricos dentro da diversidade. Agradeço a bênção que tive nos valores que me
passaram, na família que me instruiu e nos amigos que me calharam em sorte. Não
é mentira se lembrar que, à minha volta, também proliferam os sabedores bacocos
de toda a hora. Os imperadores do preconceito – na família e nos contactos mais
alargados, porque aos meus amigos, e de outra forma não poderia ser, não lhes
reconheço a intolerância. E alinho numa discussão – saudável e capaz – até ao
limite do razoável. Desligo, quando o burgesso sobrepõe-se ao bom senso. É
importante lembrar que o preconceito não está erradicado e somos todos, a
qualquer instante, putativas vítimas. Bem-haja aos que vivem ao invés de
molestarem a vida alheia.
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29.3.17
1.3.17
Ser humano do sexo feminino.
Chega
no BMW, com o cabelo arranjado, de
longe vê-se que é pintado. O sol ora espreita, ora faz gazeta. Demora a
estacionar, o lugar de sempre, a teimosia também. A boca num movimento
exacerbado denuncia a chamada. Acena com a mão esquerda, esboça um sorriso
largo, provavelmente, num soluço da conversa. O volante gira e torna a girar.
Por fim, o carro está no espaço que pretendia ocupar. Primeiro um pé num salto
generoso, a seguir o outro. A sola vermelha é a assinatura. Traz o iPhone colado ao rosto, a mala com a
marca visível e uns brincos extensos. O perfil alongado e chamativo. Nós,
sentados na esplanada a que voltamos com frequência. Pensamentos e afirmações
num reboliço. Tão somíticos no palavreado quanto possível. Chega, então, a dona
do BMW. Os olhares alheios têm um só
destino: a própria. Cumprimenta-nos, um a um, e faz-nos companhia. Desculpa-se
pela demora, mas foi culpa da cliente e da nora. É amiga de longa data de uns,
conhecida de outros. Amiga da putativa noiva, madrinha se o casório sair. É
puro divertimento partilhar o espaço com ela. Animada como poucos, dinâmica,
profundamente inteligente e isso reflecte-se, entre outros aspectos, no humor
dilacerante. Leis é com ela, capaz de interpretar e fazer por resultar. O
corriqueiro quotidiano não lhe escapa e adora fazer parte. Quando regressávamos,
em jeito de balanço, lamentávamos os pré-conceitos. Desde logo por ser mulher,
bonita, sofisticada. Depois, por ser a prova de que essas características são
genuinamente capazes de viver em harmonia com uma vida profissional cheia,
difícil e que a realiza. Certamente, há que temer um tanto deste mundo e do
outro, nunca as mulheres que o são por inteiro. Sem travestir, sem medo de
existir.
30.6.16
Confundir a espécie que prescinde.
Os
estendais fascinam e chamam por todos e cada um. Lamento, mas cedo na
generalização. As peças pouco importam, no meu conceito, porque é a janela em
jeito de festividade de longa data que interessa e compõe as vistas. De adornos
vários, com as peças a bebericarem por quem vai passando. O particular suporta
o todo. Andei por aqui e além com a minha máquina fotográfica mais recente.
Brinquei, passeei e guardei alguns resultados que não envergonham. Só para
atalho do compromisso com a experiência. Não perdoo, no entanto, a difusão do
geral, a vulgarização de temas e acções relevantes. A displicência conforme o
alvo, também me incomoda. A banalização dos actos que são, em favor da
democracia, pessoais e intransmissíveis – para aludir aos termos desusados –
confunde. Quem os pratica, desajustados da realidade, factualidade e putativa
nocividade, e quem os assiste. Os últimos, em não compreendendo, são grande
parte do grupo dos inopinados lesados. E leva-se assim, numas mãos trémulas,
pouco inclusivas e nada promotoras do progresso, o mundo. Os tais, que aventam
sair do mesmo lugar, sofrem no imediato da escolha, antes mesmo da saída
efectiva. Agudizam-se os comportamentos xenófobos, tão nefastos, perniciosos e,
não se iludam, humilhantes para a nação, pátria de quem os pratica. Os
discursos atirados para o ar, numa tentativa de que alguém, que não o vento, os
apanhe e limpe. Há resultados, por seu turno, que jamais serão impecáveis. Por
quaisquer tentativas que se sucedam, são maus resultados e que envergonham.
Tanto mais, pela dimensão que têm e pela exposição da fragilidade de quem
proclama firmeza e intelecto. Morre o compromisso, esquece-se a experiência.
Enquanto isso, numa das ruas por onde andei, há estendais sem fim, gente que
fala outra línguas, animais simpáticos e senhoras de idade avançada a
cantarolar. O mundo não gira por acaso. Quem acredita é mais sabedor. Lastimo,
mas cedo, uma vez mais, na generalização.
7.4.16
Autêntica cegueira moral.
Bem
petiz, aventurei-me no golfe. Tampouco consigo avaliar como é que me deixei
levar. Uma certa sobranceria da idade, avessa a desordens que nada me
convenciam, batia de fronte com uma outra. A sobranceria de menino bom e de bem
aplicar-se nas letras e contas, ajustar-se na cordialidade de ser um bicho social
e de comprometer-se com o desporto. Fui longe noutra modalidade, uma vez mais,
sem pensar. Nessa, apliquei-me com vontade. Fui desprovido de pensamento, fui
sempre na vontade de chegar mais à frente. Ganhei medalhas, títulos e louvores.
Para despromoção do que escreve, ganhei sempre ao nível do que me permiti
competir. Sempre nivelado pelo campeonato dali. Nunca fui campeão de coisa alguma,
sempre jogador nas horas desprendidas. Valeu pela aprendizagem. E, sem
desprimor, para a labuta física e intelectual. Nisto andei até ao dia em que,
nitidamente, a justiça não morava no lugar certo. Não adianto prosa, por dela
não ser merecida. Volto ao mote. Sujeitei-me à ventura. Experimentei o golfe.
Os termos e os ensinamentos sem fim. Éramos três. Eu e mais dois amigos. O
professor já o conhecia de outros afazeres. O taco certo, a posição enfadonha.
Esmoreci ali. E, outra vez, questiono-me como é que permiti ali chegar. O
professor era sabedor, aplicado e não deixava de repetir. Até ao dia em que, a
comande de superiores, a nós juntou-se um outro miúdo. Da nossa idade,
inspirado. Ao contrário de nós, pelo golfe entusiasmado. Apercebi-me, logo
cedo, que a atenção dispensada era amplamente díspar. O novo companheiro de
golfe vinha ao abrigo de uma instituição. Portanto, sem mensalidade. Bem petiz,
aventurei-me no golfe. Não fui além das três aulas. Porque, já naquela idade, a
altivez descompensada, já me incomodava. Não sou boa pessoa. Sei bem disso e
não proclamo o contrário. Contudo, em tempo algum, hei-de de compactuar com mimetismos
de gente acéfala. A sociedade morre aos bocados. Se não a remendamos, perde-se
para sempre. Ontem, volvidos estes anos, ouvi alguém relatar, em sofrimento, o
preconceito para com a neta. Não interessam os motivos. Caduca um pouco mais a
validade da sociedade sempre que alguém não acede ao que lhe pertence. Ao que,
por direito, é dela. Marcam-se pessoas. E os imitadores de coisa alguma seguem
em frente. Neste caso, falece a crença numa sociedade que convive em harmonia.
Já em petiz pensava. O seu a seu dono. Para o bem, assim como, para o mal.
3.2.15
A depressão é palpável para os atentos.
Aquele
momento não é demência, não. Fica entre nós, bastam-te as preocupações
mundanas. Temeres opiniões, enquanto relatas, sem me conheceres bem, uma
infância e adolescência tão amedrontadas. Uma adulta cheia de nervos e
desgostos. Questões a que não assistes responderem de forma válida. Amanhã,
possivelmente. Hoje, talvez. Ontem, impossível. De forma despejada de condescendência,
procrastinando, sem mazelas. Até que, de olhar atento, uma alma boa te abana.
Te sacode sem pruridos, sem rodeios ou receios. Para acordares da anestesia
fria da apatia e inércia diárias. Porque, desenganem-se, folclores
preconceituosos, carregados de ‘pré-conceitos’
adulterados, procrastinar vai muito para fora da preguiça e do desleixo.
Prende-se, infinitas vezes, com o vazio, a angústia e a dor interior. Da dor,
nasce a tristeza e indolência características. Da dor que existe e persiste,
invisível. Da dor que cresce sem por isso darmos. Se, a tempo, não nos fazermos
notar, avançando a nossa mão. Ou, se do outro lado, não chega uma mão cheia. O
apoio. A alavanca que escasseia. Heróis, banda desenhada à parte, não existem
por aí. Recusem a ilusão. Todos, sem excepção, precisamos. Até quando
disfarçamos. Ludibriamos. Desenganem-se, felizes desconhecedores da dor
interior. Da dor dos outros. Porque, depressão não é moda ou, tão pouco, hobby de circunstância. É uma doença. E,
felizes os que dela nem ouvem falar. Depressão é maior. Menores os que não
entendem. Por não sentirem o que os outros sentem. Ontem, não fizemos. Hoje,
não mudamos. Amanhã, estamos sempre a tempo. Sempre. Para sempre.
15.10.14
Em diferido. #20
Nas
linhas, alguma parcimónia - A psicologia é um fascínio tremendo. Antes dela, o
corpo e a mente. Alinhados numa proporção válida, desencontrados na antítese.
Todos, sem excepção, são termos de pouca ou nenhuma importância. Vale a
essência de ambos, das carnes que, somando outros, fazem o corpo. Da mente, que
canta suspensa na delicada e desconexa surpresa. Dirigir atenção e génio
travesso a um corpo que, com linhas rudes, esboça movimentos agrestes e pinta
nas paredes uma mensagem grosseira. Avaliar um corpo pelo que veste e faz.
Adivinhar uma personalidade por actos isolados. A psicologia é um encanto. Por
força do corpo e da mente. É um valor maior, do corpo e da mente, que ganham
tanto.
24.9.14
O verde do campo.
Barafustando
com o campo. No fel do que guarda. Só se permite visitar o que sempre lhe foi
proposto quando, em trabalho, o verde do campo deixa de ser recordações e
verdades. Quando o campo não é sinónimo de distância e pobres de espírito. Quando,
o verde e o fiel retrato do campo passam a ser o cenário perfeito para a
fotografia. Metáforas. Aprecio-as.
31.7.14
Nas linhas, alguma parcimónia.
A
psicologia é um fascínio tremendo. Antes dela, o corpo e a mente. Alinhados
numa proporção válida, desencontrados na antítese. Todos, sem excepção, são termos
de pouca ou nenhuma importância. Vale a essência de ambos, das carnes que, somando
outros, fazem o corpo. Da mente, que canta suspensa na delicada e desconexa
surpresa. Dirigir atenção e génio travesso a um corpo que, com linhas rudes,
esboça movimentos agrestes e pinta nas paredes uma mensagem grosseira. Avaliar
um corpo pelo que veste e faz. Adivinhar uma personalidade por actos isolados.
A psicologia é um encanto. Por força do corpo e da mente. É um valor maior, do
corpo e da mente, que ganham tanto.
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