Nesta rua, a vida é ao contrário, vimos a tia-avó e o homem bom - Nota-se o movimento nas ruas. Diferente, apenas. Nesta rua, repara, está uma loja com nome de senhor bom. Daqueles que lêem livros antigos, contam estórias sem fim, vestem camisas claras e pousam as mãos num balcão de madeira forte. Dos que nos fazem lembrar outros tempos. Lembrar ou, se não te falha a memória, conhecer. Dão-nos cultura que não vivemos, vidas que não conhecemos, opções que não pensamos. Daqueles velhos homens que vivem o trabalho. Que fazem relatos majestosos, que nos fazem pensar. Conta sobre aquele acontecimento que só conhecemos nos livros, dos relatos e da história que vai ficando. Tantas vezes, os homens encarregam-se de adulterar a efeméride para, obviamente, alcançarem altos benefícios ou disfarçarem a realidade factual que lhes é inconveniente. Outra visão. Abre-nos, no fundo, o espectro da discussão. Tudo isto, só pelo nome que vive na cabeceira daquela loja. Depois de entrar, por força da curiosidade, temos uma visão do que já passou. Tal e qual como falávamos antes. A vida acontece ao contrário. Ficámos a saber que, embora, este velho senhor tenha o mesmo nome que está à entrada, não foi ele quem deu nome à casa. É herança de um ascendente que lhe passou o bicho. O nome e o espaço. Continua na lida diária, de pano laranja pelas estantes a passar. Foi bom conhecê-lo. Continuação de boas conversas e, se lhe deixarem, de vendas suficientes. A ver vamos, juventude, a ver vamos. Rematou assim o senhor da loja que tem nome de homem bom. Até qualquer dia, então. Sorrimos e voltámos à rua. Repara, esta rua tem nome de senhora que fica para tia e veste o papel com maestria. Rimos juntos. Isso é a tua memória a falar alto. Lembras-te da tia-avó dos contos? É ela.
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31.5.16
22.6.15
Nesta rua, a vida é ao contrário, vimos a tia-avó e o homem bom.
Nota-se
o movimento nas ruas. Diferente, apenas. Nesta rua, repara, está uma loja com
nome de senhor bom. Daqueles que lêem livros antigos, contam estórias sem fim, vestem
camisas claras e pousam as mãos num balcão de madeira forte. Dos que nos fazem
lembrar outros tempos. Lembrar ou, se não te falha a memória, conhecer. Dão-nos
cultura que não vivemos, vidas que não conhecemos, opções que não pensamos.
Daqueles velhos homens que vivem o trabalho. Que fazem relatos majestosos, que
nos fazem pensar. Conta sobre aquele acontecimento que só conhecemos nos
livros, dos relatos e da história que vai ficando. Tantas vezes, os homens encarregam-se
de adulterar a efeméride para, obviamente, alcançarem altos benefícios ou
disfarçarem a realidade factual que lhes é inconveniente. Outra visão.
Abre-nos, no fundo, o espectro da discussão. Tudo isto, só pelo nome que vive
na cabeceira daquela loja. Depois de entrar, por força da curiosidade, temos
uma visão do que já passou. Tal e qual como falávamos antes. A vida acontece ao
contrário. Ficámos a saber que, embora, este velho senhor tenha o mesmo nome
que está à entrada, não foi ele quem deu nome à casa. É herança de um
ascendente que lhe passou o bicho. O nome e o espaço. Continua na lida diária,
de pano laranja pelas estantes a passar. Foi bom conhecê-lo. Continuação de boas
conversas e, se lhe deixarem, de vendas suficientes. A ver vamos, juventude, a
ver vamos. Rematou assim o senhor da loja que tem nome de homem bom. Até
qualquer dia, então. Sorrimos e voltámos à rua. Repara, esta rua tem nome de
senhora que fica para tia e veste o papel com maestria. Rimos juntos. Isso é a
tua memória a falar alto. Lembras-te da tia-avó dos contos? É ela.
9.5.14
Chama-se Margarida e recusa roubar a identidade ao tom, negando chamar-lhe de encarnado.
A
Margarida é a memória e as lembranças de infância. De uma infância feliz e fornecida
de tudo o que nos balizava a felicidade, daquela época em que por mais que a
cronologia nos falhe, não perdemos a identidade de outros tempos. Ela é a
descoberta da capacidade de gerir, ainda que não se aperceba, a educação
centrada e espartilhada de uma família típica daquela região, com a azougada
necessidade de se imiscuir com o restante. É tímida e intrometida em
simultâneo. Fala de jeito suave, mas ri com sede. Escolheu que as amizades não
têm nivelamento. Escolheu, ainda no tempo em que não se media, não ludibriar
factos. Senta-se com quem for. Conversa com quem lhe oferecer palavra. Temos,
precisamente, a mesma idade. Crescemos desde lá atrás. Desde a altura em que as
varandas do andar superior das nossas casas se olhavam de frente. Hoje em dia
pousa para as câmaras fotográficas. De pernas esguias e compridas, o décor a
rigor, a ventoinha sem parar, o cabelo de um tom castanho mel a esvoaçar. O
vestido da cor que não gosta, mesmo que lhe chame vermelho ao invés do
encarnado de outras lides. Os saltos altos de uma marca de influente atracção.
A pose intuitiva. Os flashes na frente. O rosto maquilhado e luminoso. Neste
instante é tão real como quando despe o vermelho, abandona os saltos altos, lhe
desligam a ventoinha e despede-se da objectiva. Porque, acredite-se ou não, há
sempre quem não recue no momento de fazer a diferença. Boa sorte!
4.4.14
A modista.
Aproveitou
o regresso do sol. A ausência da chuva e do cinzento cerrado. Aproveitou, de
manhã cedo, o regresso do sol invadindo-lhe o ateliê, montra adentro. A luz
dando brilho e dinâmica às máquinas de costura. Os tecidos pendidos, ganharam
cores sadias e vibrantes. Ajeitou os pormenores. Os trabalhos, uns expostos,
outros guardados ou em construção. Os esboços, que lhe são do coração, tal o
amor que lhes empresta, estão na mesa de trabalho, ordenados por épocas e
clientes. As linhas, voltou a organizá-las no matizado que as une. A auto-estima,
jamais esquecida, ajudou-lhe na escolha do figurino. De costas, reparava o
teatro de que se faz a montra. De costas, repara-se, desde logo, no trio de
laços. Três laços, três. De negro pano, desenhado pelas suas mãos, criado da
imaginação. As costas despidas, de laços a embrulhar. A imaginação numa luta
pela descoberta. Também esta jovem, que se assume modista de profissão,
desafia-se, a cada dia, a descobrir-se mais e de contornos sempre diferentes. Impares.
Assume-se modista. Diz, porque é feliz e viu a felicidade brotar do rosto e das
mãos da avó, deformadas com o tempo. De pequena ficam-lhe as memórias e os moldes
que abrem caminho para a árdua tarefa de se fazer o que se gosta. Moldei os
meus planos, antes que me moldassem e atentassem. Rematou, antes da gargalhada.
Antes de receber mais uma flausina. Uma cliente que guarda o melhor do termo.
28.1.14
Em diferido. #3
Ela é ilustradora. Ele também. Tenho
uma amiga. Tenho um amigo. Não se conhecem. São ambos ilustradores. Gosto dos
dois. Perco-me, sempre que os visito, nos seus trabalhos. A arte, seja em que
forma, é um bem maior. Ter a oportunidade de ficar, sem hora, a olhar para o
trabalho de um artista é qualquer coisa de maravilhoso. Invejavelmente
maravilhoso. Com o melhor que a inveja pode ter. Se é possível. Ambos, embora,
ilustradores, mostram-me coisas dispares. Igualmente belas. A concepção
diverge-os, mas a arte e criatividade aproxima-os. Felizmente, também e muito,
na arte, os valores e a imaginação são livres.
27.11.13
Oferecer reconhecimento aos homens e mulheres que tomam a seriedade dos seus ofícios.
A
matéria dissipa-se, assim seja a vontade do malogrado intelecto. Julgam as
almas supimpas dos redundantes postos. Quais pombo de correio, mas de elegantes
anilhas, banhadas pelo mais pesado e resplandecente ouro. Vão propagando as
suas brilhantes arquitecturas que predominam na propriedade da sua inteligência.
Temos o dever de não consentir o preconceito. Tanto sabe um doutorado, que
carrega também um mestrado e uma licenciatura, como aquele que se ficou pela
quarta classe ou não ultrapassou o nono ano de escolaridade. Não esquecendo,
claro está, os que se classificaram com o décimo segundo ano. A sabedoria
cabe-lhes e serve-lhes a todos. Serão disparatadamente diferentes. Igualmente
valiosos. Mas compostos de substância e relevantes interesses para qualquer
sociedade. É, fatalmente, verdade. Fazem-nos todos, muita falta. Esperamos, por
todos, que nunca nos faltem os seus ofícios.
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