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18.2.14

Obra por executar.

Antes de colocar o meu perfume preferido, depois de ajeitar o casaco e de apertar os atacadores do calçado de pele de tons castanhos. Enquanto aperto o meu relógio, um Casio banal, intemporal, lembro-me da tatuagem de um amigo. Porventura, a única que, até ver, me fez balançar. Porque, tantas vezes, a minha opinião é a mesma. Gosto de tatuagens, muito. Mas não as gosto em mim. Porque não gosto do sempiterno. Do para sempre. Em nada. E é do mais pessoal e privado possível. Outras tatuagens agoniam-me. Metem-me medo, de tão graves. Rafeiras e sem feição. Opiniões. Quem sabe, desde que não me esqueça de quem sou.

8.1.14

Em diferido. #2

Adoro relógios. E, garantidamente, tenho o melhor relógio de sempre em minha casa. A medo, nunca o uso. Como se o medo de perder a sua identidade e memórias fosse maior que o desejo de perpetuar no pulso, a memória de quem, merecidamente, jamais será esquecido. Adoro relógios. Tenho alguns. Apenas, não uso o melhor. Porque, desde sempre, guardo para mim o melhor. E o meu avô, quando partiu, deixou-me o melhor. O melhor relógio de sempre.

9.12.13

Flagrante destino.

Por fim, vesti o blazer. Um dos vários. Estava pronto. Concluiu o resto. Pois já tinha o meu relógio preferido, no pulso de eleição. Os sapatos de uma afamada marca de qualidade nacional. Um homem não pode perder-se de amores. Fiquemo-nos pelo não deve, para sermos mais realistas. Ainda assim, enamorado que esteja, não pode, jamais, descurar os sapatos e o relógio. No pulso esquerdo ou direito. Satisfaça a vontade e o à-vontade. Porventura, tome atenção ao corte do blazer, perfeito, privilegiando o perfil e a silhueta. Menores acessórios, pensarão os somíticos. Os sábios familiares chamam-lhes de elegantes e requintados conteúdos.