Sublevação
das gentes - Na sala por onde passei tantas vezes e que me lembro de olhar para
ele, passar os olhos e só guardar a moldura de um dourado gasto. Agora que vejo
bem ou, escolhendo melhor as palavras, agora que presto atenção ao quadro que
sempre esteve naquela sala, vejo nele uma recordação que alguns dizem longe e
sem armas para prevalecer numa sociedade em que os mundos confluem e nunca
beliscam. Nesta sociedade. Na falada sociedade do minuto. Contam tudo ao
pormenor. Sabe-se tudo a cada instante. É uma discussão que desconhece lugar. É
uma aventura de linguagem e comportamento. Fala-se da ditadura efectiva e da
liberdade condicionada com a mesma intensidade. Comparam-se termos e valores
desprovidos de ligação. Salvando a verdade, este quadro recusa qualquer
valorização de um regime ditatorial, antes de um povo que sobrevive sob a
barbárie de um nome. Mas é de um tempo que fugir nem sequer era solução.
Acusam-me, alguns desmemoriados, quando opino sobre o quanto este país ganhou
depois da revolução, de desconhecer a vida de então. Argumento e respondem-me
frases feitas. Um discurso com tão pouco volume, como acreditar que algumas
décadas depois, tudo mudou.
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1.9.15
27.4.15
Português revolto.
Sexta-feira,
vinte e quatro de Abril, tarde coberta, céu acinzentado, nuvens zangadas. Ouvem-se
gritos e passos desassossegados, fazendo imaginar um grupo largo de crianças. Abordam
os transeuntes, dão-lhes algo. Entram em espaços de negócio e voltam para a rua
de mãos vazias. Chegam perto de nós e percebemos, estão a distribuir a simplicidade
e a liberdade em pequenos papéis. Cada um, uma frase, um destino sem volta.
Verdades sem contra-argumentação. No que me ofereceram, podia ler-se: “A
liberdade tem de ser respeitada”. Noutros, a alusão ao actual quotidiano das
massas. Ainda divertidos cravos feitos à mão. Justiça, era a palavra escolhida.
Não sei, mas pelos relatos que vou ouvindo, pelo que vou lendo e, acima de
tudo, pelo que vou procurando saber, a noite que antecede o dia lembrado é, sem
pensar, esquecida. A emoção, a comoção, a vontade da revolução vividas na pele.
Tudo deve ter ultrapassado os poemas que têm paciência ou os que matam em cada
verso. Zeca Afonso cantou a intervenção política. Por mais anos que passem, o
vinte e cinco de Abril será, vezes sem conta, o maior e melhor pretexto para
lembrar a flor da revolução, encher as ruas e as avenidas com vontade de
comemorar o que passou, mas com mais e ferozes ganas de limar o presente e
ultrapassar o desgoverno, com a necessidade de alicerçar um futuro próspero,
condizente com a estrutura ambiciosa e criativa de mil novecentos e setenta e
quatro. Nunca esquecer a educação, a formação. Volvidos estes quarenta e um
anos, é impossível não rever a democracia e não pensar no quão embrionária é no
nosso país. Sossegada, por força dos inexperientes que brincam ao faz de conta.
Talvez não seja como nós queremos. Mas desligar e deixar andar, não é a razão
dos sentidos.
30.9.14
Sublevação das gentes.
É na
sala por onde passei tantas vezes, que me lembro de olhar para ele, passar os
olhos e só guardar a moldura de um dourado gasto. Agora que vejo bem ou,
escolhendo melhor as palavras, agora que presto atenção ao quadro que sempre
esteve naquela sala, vejo nele uma recordação que alguns dizem longe e sem
armas para prevalecer numa sociedade em que os mundos confluem e nunca beliscam.
Nesta sociedade. Na falada sociedade do minuto. Contam tudo ao pormenor.
Sabe-se tudo a cada instante. É uma discussão que desconhece lugar. É uma
aventura de linguagem e comportamento. Fala-se da ditadura efectiva e da liberdade
condicionada com a mesma intensidade. Comparam-se termos e valores desprovidos
de ligação. Salvando a verdade, este quadro recusa qualquer valorização de um
regime ditatorial, antes de um povo que sobrevive sob a barbárie de um nome.
Mas é de um tempo que fugir nem sequer era solução. Acusam-me, alguns
desmemoriados, quando opino sobre o quanto este país ganhou depois da
revolução, de desconhecer a vida de então. Argumento e respondem-me frases
feitas. Um discurso com tão pouco volume, como acreditar que algumas décadas
depois, tudo mudou.
24.4.14
Democracia. Portugal.

De lá para cá. Do vinte e cinco
de Abril, do tão revolucionário ano de mil novecentos e setenta e quatro. Da
Democracia em Portugal, tenra no percurso. De estrutura manca, por lhe faltar
experiência e experientes. Do mesclado de intentos vários. Contudo, que nunca
se castre, mesmo que se questione, o que nasceu daí. Mesmo que nos surja
desfocado. Mesmo que nos vendam o percorrer da miopia ideológica. Há questões
de uma vida que se espalham por aí. Porque nem tudo o que nos servem numa
bandeja adornada, é elegância. E a sobranceria que se opõe, tantas vezes se
sobrepõe.
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