O
fundo é tão verão como um fim de tarde ventoso, uma maré agitada ao fundo, o
sol a espreitar e a espalhar pequenos espelhos pela água, o casario pintado de
cores vivas e diferentes. Aquela gargalhada, se quisermos uma valente risada,
enquanto as duas mãos se juntam e esboçam, tanto quanto lhe é possível, um
coração. A maldade do tempo é que, se procrastinarmos, ele fia-se no nosso
balanço desassossegado e ajuda-nos a perder vontades. Ela nunca percebeu a
necessidade de devolver às mãos, um coração. Seja amostra do carinho e tentação
palpitante do seu coração, seja a pretensão de que o de alguém, ali ou
distante, lhe pouse, vaidoso, entre os dedos. A risada era tão sonora e descia
pelo corpo que respondia com movimentos que mostram incapacidade de resistir.
Desmanchou-se, sem remédio, o coração inventado. Lamentava-se, entre risos e o
desajusto do corpo, nunca ter feito uma fotografia com o coração nas mãos.
Cruzou os braços e posou, desencontradas, as mãos. Uma em cada ombro. Já está.
Uma fotografia. Um coração no lugar certo. Vai continuar, felizmente, sem viver
com o objecto do afecto nas mãos.
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20.8.14
15.1.14
Necessidade imperiosa de rir.
Rir
é o melhor remédio, uma frase feita, repetida sem conta pelos defensores do
riso como terapia. Pessoalmente, devo assumir, não simpatizo com a ideia de que
muito riso é sinónimo de pouco siso. Quiçá, porque desde cedo me faz confusão
as pessoas serem espartilhadas nos actos e nas palavras, por força de uma norma
socialmente inquebrável. Obrigando-se a viver à mercê de uma fuga constante das
suas emoções, não fossem parecer desavindos da norma. Não fossem ser mal
interpretadas. Diz-se, dos donos do riso fácil, que são loucos, por serem
incontroláveis da sua risada. Que mostram a mente insana, através da gargalhada
aos molhos. Eu prefiro ficar-me pela ideia de felicidade que um sorriso ou uma
gargalhada me transmitem. Porque tenho muito medo dos que cerram os lábios para
não perderem a condução. Depois, também de pequeno, sempre tomei de ouvido que,
de médico e louco, todos temos um pouco. Os que não têm um Dr. antes do nome, lhes
hão-de caber um surto em sorte. No entretanto, valha-nos a risada enérgica.
Quem ri por último, não ri tão melhor ou mais do que aquele que ri amiudadamente.
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