Uma
sem noção de vezes, não importa o mote, senão quando a matéria que dele nasce
não oferece petisco. Outras, por tanto se encerrar no todo, guardamos o
principio, por temer uma negligente e inóspita composição. O ideal era desmaiar
de amor. Guardar, sempre, a ressalva. Recuperar, se possível e necessário, na
vontade seguinte. Esquecer os contos de outras ideologias, das que jogam com o
prisma das emoções e sensações. Sossegar os romances pesados num canto. Deixar
para depois o quadro que conta histórias de amor. De desamor. O amor tem sempre
um lado tão mais apetecível. Para quem conta, relata. Para quem lê, escuta e,
por fim, pensa. A tragédia atrai. A felicidade de outros repele. Ler
desenfreadamente, desde cedo, é ter a convicção de que o amor e todos os seus
predicados, move interesses. Acções, por certo. Ensina-se que o amor mata. Mas
não lembram soluções, sequer opções. Ler o amor é pensar no lugar de quem está
de fora, à margem dessa medida. Viver o amor é regredir, voltar ao lugar de aprendiz.
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1.9.14
9.6.14
Maravilhas num banho de delicado caldo cor de vinho.
Partilhei
um prato requintado, um crepe atrevido e um vinho de qualidade. Derreti um
beijo de vagar demorado. Disse palavras bonitas, por serem sentidas. Sinto-me
espontaneamente romântico. Tal e qual um repentista. Quiçá, esteja certo. Já me
posso casar. Já sou um rapaz de interesse público. Vista-se a noiva a rigor.
Salte-se-lhe o ramo das mãos para lá do véu. Mas não me ofereçam máquinas.
Entendo que sou aquele que não as dispensa, mas não traz sempre consigo o que
ainda não se inventou. Tanto havia para partilhar à entrada. Vamos numa
demorada troca de olhares? O espectáculo merece-nos atenção. Rufem os tambores.
Aproveitemos a acústica. Há dias que vão. Outros tantos que se resumem a vir.
Românticos ou não.
6.5.14
Em diferido. #8
Bastam-lhe
sessenta segundos. Soa Jeff Buckley. A vidraça quadriculada, cortada pelo
alumínio, está semicerrada. O dia a recomeçar contagem, vai e vem, já lá vão as
zero horas contadas ao soarem. A varanda ao relento, forte aragem e luar
pesado, corando a rua vazia, pingada de um cinzento que lembra uma película a
preto e branco. Peca ou deprava, reforçando o contentor afogado, lá ao fundo.
Nuvens de fumo, aos pulos tremidos, a fugir do cigarro meio, segurado entre os
dedos finos da atrevidamente desajustada, desalinhada e atraente mulher. Ela
repete-se nesta rotina. Debaixo da cacimba. Em trajes menores. Desnudada. Em lingerie. Porque já lhe agonia o sexo.
Diz da boca para fora. Porque lhe levaram a companhia maior. A mulher fuma para
matar o que a corrói. Para consumir os pulmões. Para secar as entranhas.
Levaram-lhe a companhia. A companheira. Desde que as viram embarcar num trocar sentido
de um beijo no vão da escada do agastado prédio. Do lugar que escolheram para
refúgio. Para amar. Em segredo. Guardadas. Até ao momento final. Amar diferente
mata, quando não há liberdade. À espera, esta mulher fuma. Passa, assim, o
tempo morto. Morta está. Até à salvação. Até ao regresso ou ao reencontro.
Ligou, desligou. Intermitente, o candeeiro de rua, ao lado, realçando as
sombras. Focando a diferença. Ostentando a fragilidade. Um fazer de conta, golpeando
a agonia. Um dia que volta e revolta, como o que está antes. Acabou. De costas,
chorou.
14.2.14
Sessenta segundos.
A
vidraça quadriculada, cortada pelo alumínio, está semicerrada. O dia a
recomeçar contagem, vai e vem, já lá vão as zero horas contadas ao soarem. A
varanda ao relento, forte aragem e luar pesado, corando a rua vazia, pingada de
um cinzento que lembra uma película a preto e branco. Peca ou deprava,
reforçando o contentor afogado, lá ao fundo. Nuvens de fumo, aos pulos
tremidos, a fugir do cigarro meio, segurado entre os dedos finos da
atrevidamente desajustada, desalinhada e atraente mulher. Ela repete-se nesta
rotina. Debaixo da cacimba. Em trajes menores. Desnudada. Em lingerie. Porque já lhe agonia o sexo.
Diz da boca para fora. Porque lhe levaram a companhia maior. A mulher fuma para
matar o que a corrói. Para consumir os pulmões. Para secar as entranhas.
Levaram-lhe a companhia. A companheira. Desde que as viram embarcar num trocar sentido
de um beijo no vão da escada do agastado prédio. Do lugar que escolheram para
refúgio. Para amar. Em segredo. Guardadas. Até ao momento final. Amar diferente
mata, quando não há liberdade. À espera, esta mulher fuma. Passa, assim, o
tempo morto. Morta está. Até à salvação. Até ao regresso ou ao reencontro.
Ligou, desligou. Intermitente, o candeeiro de rua, ao lado, realçando as
sombras. Focando a diferença. Ostentando a fragilidade. Um fazer de conta, golpeando
a agonia. Um dia que volta e revolta, como o que está antes. Acabou. De costas,
chorou.
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