Bom dia, gente de trabalho. Ouvir-se-á por esse país
afora. Como já ouvi nos lugares mais inusitados. Também, e principalmente, nos
mais humildes. Gente feliz e de palavra. A complexidade apaixonante de viver o
nascer do sol no seu perfeito esplendor. Poeta de madrugada encontra recheio e
encanto em cada pedaço e, com esforço, torna-los num verso primeiro, numa
estrofe depois. Por fim, um poema de conteúdo filosófico. Já se ouvem os
pássaros lá fora. Os New Balance nos
pés, a bateria fraca do telemóvel, uma noite mal dormida e um vento que nunca
sossega. Não há tréguas e saltei da cama. Os óculos de sol preferidos e o rádio
do carro que promete ser a companhia. Na rua, as pessoas pensam e agem em
consciência com as necessidades. Um tipo corre, uma mulher com frio passeia o
cão pequeno, aquele pai leva as crianças à escola e aquela mãe prepara mais um
dia, enquanto naquela varanda corrida, faz uma pausa para acenar para os miúdos.
Duas jovens saem do mesmo prédio e seguem caminhos diferentes depois de trocarem
um beijo. Chego ao destino, ligeiramente antes da hora marcada, e dou os bons
dias a duas ou três pessoas que estavam na entrada. Devolveram-me o silêncio
beliscado pelo vento a soprar. Gente capaz, esta. A minha avó não me deixa
mentir e sempre disse que não é de valor quem não valoriza o outro. No
corredor, e não estou a brincar, está um cartaz cuja figura central é um cão e
pode ler-se por baixo: O melhor amigo nunca falha. A minha avó sempre soube muito
e carregada de razão promoveu todas as vezes que lhe foi possível, a discussão
sobre qual era o papel do ser humano. A realidade molda o pensamento.
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19.5.15
14.4.15
O que vem depois.
Começa
cedo o dia. Quarto escuro, brincadeira de outrora. Abres um olho, depois outro.
Quase a medo, em jeito de adivinha. Antecipas o toque da campainha. Dói-te a
cabeça como se o andar superior tivesse ousado cair-te em cima. Desusado o
camião, que soa lá ao fundo. Pontes com entrada e saída. Ramos em cruzamento. Segues
caminho, inventas a rotina. O céu pingado e cinzento. Apitam os carros, correm
as pessoas. Zebras no asfalto, luzes de pé. Peúgas às riscas. Casaco no lombo.
Óculos a trabalhar. Relógio com algumas histórias contadas, no pulso de sempre.
Aceleras sem tempo, esperas em cada hora marcada. Ouves música, Gorillaz falam
do outeiro melancólico. A anarquia dá sinais, parece ter dominado o processo.
Notas no e-mail. Falam-te de uma exposição valente e curiosa. Um dos melhores.
A vivência de mão dada com o produto final. É suposto não declinar o convite.
Ainda no carro, passas uma parede branca com uma frase. “O beijo persegue-me”. Impossível não pensar. O dia seguinte é
sempre o pior.
2.4.15
Contribuição para um dueto de grande rapsódia.
No
escritório do terceiro piso daquele afamado prédio de negócios variados, está
uma secretária. Melhor, está uma mulher que se dá pelo ofício de secretariar.
Quem dela precise. Digo. Maldade a minha. Ela ginga a anca marcada pela saia subida,
desenhando-lhe o corpo elegante. Calça, em cada pé, uns saltos altos negros e
afiados, que ajudam a suportar as nádegas firmes. Coloca, quando lhe apetece,
uns óculos que, hoje em dia, facilmente apelidamos de vintage. Assim é o seu desenho. Ela passeia-se pelas secretárias e
divisões seguintes, enquanto ajeita o decote avantajado. Segura folhas numa
mão, uma caneta na outra. E, por ali anda. Gingando o corpo. Inevitavelmente,
chama as atenções para si. O cabelo é negro e revoltado pelos assanhados
caracóis. Tem batom nos lábios. Sorri facilmente. É uma mulher que se conhece e
sabe agir. É uma peça do puzzle, daquele puzzle que é um prédio ligado por
escritórios. No fim do expediente, desliga o que lhe compete, chama o elevador,
desce. Passa a porta e assume a postura que agora lhe é exigida. Não sei qual é
o seu pensamento, mas nota-se a diferença. Opõem-se as posturas.
Propositadamente, talvez. Não importa. Não conhecemos alguém, homem ou mulher,
pelo seu gingar. Parece-me tão redutor como dispensar um champanhe pela embalagem.
27.2.14
Em diferido. #5
É
rotina, quando se proporciona. Um diplomado de recordações. As capas dos jornais acontecem como um painel desbragado na cara
de alguém, não arrisco uma abusada e detalhada gargalhada. Tenho-lhes gosto e
respeito. A alguns. Na banca, em papel. No computador ou tablet, no digital. A nova era, chamam-lhes. A procura de uma
qualquer desculpa para não se repetir. Ou repetirem. Disfarçados os minutos,
perdido na leitura matutina de não muitas capas e notícias seguras de
interesse. Desci a rua, voltei à direita, em direcção ao lugar de sempre.
Coisas há, que não mudam. Rotinas de quem designa um poucochinho de nada. Já no
interior, conhecem-me o pedido, acenam-me afirmativamente com a cabeça,
respondo-lhes igual. Sento-me. O companheiro de rotina está na mesa ao lado.
Cumprimentei-o. E voltou-me a saudação. Já havia terminado, depois de usar o
telemóvel para obrigações frívolas, quando o meu cúmplice de café me pergunta
se quero ler as boas novas ou as velhas maranhas. Questão que me põe amiúde.
Agradeço-lhe e torno a responder-lhe que não, que já golpeei a brasa das
novidades que abraçaram as publicações diárias. E, de jeito esquecido a
tomar-lhe o rosto e as palavras, diz-me “É
verdade”. Para trás, porque não me importo. Gosto de sair e ver estas
pessoas, ouvi-las, conversar. Termina, pedindo-me a opinião sobre as gordas dos
desportivos. E, em minutos, agitamos o vai e vem do futebol. Benfica, sempre o
Benfica. Hoje há mais, logo à noite. Confirmou-me o horário. Quando não é em
sinal aberto, prefere ouvir no rádio. Assim, não lhe teimam a ansiedade. Obrigado. Vai lá, rapaz. Volta para os
braços do que te espera.
5.2.14
Um diplomado de recordações.
As
capas dos jornais acontecem como um painel desbragado na cara de alguém, não
arrisco uma abusada e detalhada gargalhada. Tenho-lhes gosto e respeito. A
alguns. Na banca, em papel. No computador ou tablet, no digital. A nova era, chamam-lhes. A procura de uma
qualquer desculpa para não se repetir. Ou repetirem. Disfarçados os minutos,
perdido na leitura matutina de não muitas capas e notícias seguras de
interesse. Desci a rua, voltei à direita, em direcção ao lugar de sempre.
Coisas há, que não mudam. Rotinas de quem designa um poucochinho de nada. Já no
interior, conhecem-me o pedido, acenam-me afirmativamente com a cabeça,
respondo-lhes igual. Sento-me. O companheiro de rotina está na mesa ao lado.
Cumprimentei-o. E voltou-me a saudação. Já havia terminado, depois de usar o
telemóvel para obrigações frívolas, quando o meu cúmplice de café me pergunta
se quero ler as boas novas ou as velhas maranhas. Questão que me põe amiúde.
Agradeço-lhe e torno a responder-lhe que não, que já golpeei a brasa das
novidades que abraçaram as publicações diárias. E, de jeito esquecido a
tomar-lhe o rosto e as palavras, diz-me “É
verdade”. Para trás, porque não me importo. Gosto de sair e ver estas
pessoas, ouvi-las, conversar. Termina, pedindo-me a opinião sobre as gordas dos
desportivos. E, em minutos, agitamos o vai e vem do futebol. Benfica, sempre o
Benfica. Obrigado. Vai lá, rapaz. Volta
para os braços do que te espera.
17.9.13
Música.
Na
sequência da rotina, pelo mesmo espaço adentro, ligo o som e, embora, as mesmas
músicas dos últimos tempos, surpreendo-me. Todos os dias, ao ouvir música,
surpreendo-me. Porque gosto e preciso desse momento. Talvez da inspiração
desenfreada e, mais ou menos, frívola. Ao computador, enquanto me perco nos
afazeres, a cada dia, oiço música. Tentando não me manter física e mentalmente
por ali. A seguir, desligo-a. E vou à minha vida. Talvez beber café. Talvez,
apenas porque sim, apanhar ar. Amanhã, música, novamente. Até já.
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