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23.10.14

Nomes ao vento.

A vida, se não induzida pelo espicaçar de gostar de observar, não foge da rotina. De fotografar o ambiente que tem raça. A fotografia que não vai de encontro com a comodidade de viver naquele número, naquela porta e rua concretas. Desviar um segundo da monotonia, conhecer o passeio de outras bandas. As costas quase nuas daquele corpo sobem e descem a rua com o prazer de quem escolheu na noite anterior. A farpela, o trajecto repetido, a ausência de vergonha, a vontade de ser e permanecer como é. Não é rapariga de evitar, temendo que nunca resulte. Que fuja do certo. Faz a cara da moda, mudou as pontas do cabelo longo. É discreta na conversa. Não quer saber de vós. De nós, se mesmo visita, me juntar ao camarote. Não chama a atenção para o relato da vida que nunca será igual, como o trajecto que volta e repete. Do chão nasce o seu estilo que tem ginga. As costas um tanto despidas daquele corpo descem e sobem a rua. Parece-me, do que nos deixa ver, com a verdade e consolo de quem jamais se importa com os ruídos das muitas vozes que se juntam à esquina. É, também disto, que se fazem os lugares típicos. Tão castiços. O bairro ali tão perto. Não lhe conheço o nome. Todavia, quem me acompanhava chamou-lhe Carmo.

21.2.14

Interjeição.

Una persona grata, cujo flirt humilha a comédia enraizada pela prima-dona que dirige e encabeça um espectáculo relacional. É desenhada por si só. Desenha-se para se recomendar. Veste a figura, enquanto despe a pele. Canta solenemente. É uma personagem sem autor maior. Talvez, Tim Burton a esculpisse, depois de lhe escolher a figura. Faz-me todo o sentido. O perfume que escolheu e exala sem esforço, é forte quanto baste, pois serve-lhe o reforço da soberba aparência. Só é escura no princípio. Nos primórdios. Guarda hilariantes experiências. Sombras também. É verdade. Conheci-a hoje. Conversamos num sofá bordô, imitando os de hotel. Marcou-me por tudo isto. Há mais. Para quê apressar o sossego?

8.11.13

Por ruas. Pela música.

Quando, por ruas estreitas, oiço a música a tocar, de uma das casas, vejo-me ali. Porque os lugares pequenos deixam-te ouvir alto. De janelas abertas. Sem medo de incomodar. Quando estou ali, oiço sem condições. O volume assume o seu nível, consoante a música. O fado é maior quando o oiço, de janela aberta, com o volume que quero. Com a brisa a passar. Com a paisagem do outro lado.

19.10.12

Saí à rua.

Não quero cair na repetição mas, neste momento, é inevitável. É impressionante a forma displicente com que tratamos aqueles e aquilo que gostamos quando nos encontramos bem e felizes. Por essas alturas recusamos a necessidade de outros e recuamos aquando da verdadeira vontade de nos encontrarmos. É infalível. É recorrente. Não vale a pena contrariar. Por seu turno, quando estamos mal e infelizes, não raras vezes, corremos atrás daquilo e daqueles que negligenciamos e que optamos por colocar à margem da nossa vida. Somos assim, mas não somos iguais. Não quero generalizar, porque caímos sempre num perigo que não merece a pena, mas somos, tantas vezes, assim.
Enfim!
 
Situações rotineiras à parte, não resisto mostrar um excerto de uma conversa (sim, conversa é o termo correcto neste contexto) que tive, há uns tempos com uma senhora absolutamente encantadora. Não vou, de momento, mostrar na íntegra, porque, a seu tempo, esta conversa tomará outra vida e outro espaço.
 
"Saí à rua" e contaram-me isto:
 
"A dona N. é uma senhora septuagenária, que recusa esconder a idade e assume, entre risos, a pessoa que é mas, acima de tudo, a mulher que foi. Entre fado e risadas, apresenta-se sempre no seu melhor e recusa ser politicamente correcta."
 ...
"Voltamos à risada fácil mas verdadeira e ao tom melodioso na voz, entre uma e outra memória. Disse-me que rir e cantar é a grande e maior herança que havia recebido da mãe e, de mão posta garantiu-me, fez por guardá-los para sempre. E cumpriu, não tive dúvidas."

Gosto da dona N. E vocês?