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16.11.15

Entre nós.

Entre cá e lá. Permite-me a saudade e os sentimentos revoltados que use a palavra que continuas a imaginar colada a mim, pensar sintonizado com a picuinhice que lembra a alma vazia, desenhar a vontade de ter certezas. Em cada palmo, sentimentos colhidos, factos salpicados e novas perspectivas. Suspende-se a respiração, adivinhas a loucura reinventada. Nos dedos, tintas felizes. E desenhando, fica na pele a certeza. Na ausência forçada, um tanto instante saborosa. Entre a distância, a despesa física e obrigada. Entre o pé aqui e o braço ali. Entre as imperfeições de estar longe. Embrenhados nessas horas que desassossegam a psique. Que mordem as carnes, que dão forma à fome do desejo. Entre cá e lá. Entre nós. Nessa gigantesca ginástica, nesse áspero incómodo. Entre cá e lá, neste mundo de disparates, desenhar-te-ia o mundo na pele. Corpo, tela de arte elevada a qualidade. Neste percurso, percorrido entre o espaço, por saber-te verdade, aprender-te na lealdade. Restar-nos-á, nunca a fraquinha memória perdida em nenhures, mas sempre a pele despida, o mundo nas mãos. Entre cá e lá, está tudo bem. Voltas de lá, como sempre, a lembrar-nos a pressa, nesse caminho certinho e seguro. A comunicação, a presidente da união.

29.12.14

Desculpem a minha pantomima invertida.

Em tempo algum, tu sabes bem, existirão coisas sumárias, sem braços acesos. É um desassossego entre os dedos, que vais conhecendo sorrindo. As mãos cheiram a café. Tal e qual, assim mesmo. Como se, por desaire da sanidade, tivesse feito de uma taça um poço com fundo. Tu sabes bem. Um deslavado líquido enchendo. As mãos, sempre que as levava ao nariz, cheiravam a café. E repetia. Qual ironia. E voltava. A conversa, a descrição do cheiro e o levar das mãos ao nariz. Numa tentativa repetida de, jamais, se esquecer do cheiro. Como se aquela taça fosse o todo. Mergulhava as mãos. Sentia a temperatura morna e e brincava. E voltavam as palavras. O cheiro a café, em nada mudo. Lembro-me deste impensável e rebuscado momento depois de ouvir contar o amor. Como quando uma pessoa se divide e espera a outro. Sente, amiúde, a pulsação da outra. Tu sabes bem. Não tem, por certo, interesse. Para o outro, desligado comparsa. Nem para quem possa ver ou ler. Mas os sentidos importam. Valorizam e dão forma. Mesmo que a mensagem morra numa chávena de café, numas mãos que não sossegam ou num coração que ama sem desarmar. Tu sabes bem. Coragem. Era o que tu querias. Um dia.

11.12.14

Em diferido. #24

Derramar luz - A discrição é um facto que se recusa a deixar partir. É a velocidade de um feitio que ganha contornos de mãos que jogam com a vergonha de expor mais do que merece importância. A vergonha, palavra que desvenda sensações e incoerências que dão voltas num monociclo que pensa como gente e obriga a condução de acrobata gingão. Mas ultrapassa a vergonha. É um feitio que está inscrito algures. E atrai esse contexto em que não é defeito, senão feitio. O equilíbrio de um físico que se sustenta nuns saltos altos ou nuns rasos que nada roubam, na elegância de um corpo que não procura revelação, antes convicção. É igual ao que sente. As palavras nunca chegam ao fim, nem deseja fechar os olhos. Gosta de ter tempo e viver numa conversa que tem um sem fim de segundos. O afecto que partilha, sem obrigação, assenta-lhe na essência que impõe em cada relação. Efectiva ou se situação. A discrição, conheço-a de outros tempos. Agora, é infinita a vontade de que a partilha com a proprietária desta discrição e conversa que me prende a atenção, jamais chegue ao fim. Escrevi, acredita, sem receio de me esquecer. Escrevi, podes acreditar, para voltar sempre. E acrescentar. Mesmo que não seja hoje o lugar.

27.10.14

Senta-te comigo e aprecia.

Gosto, se possível, de acompanhar as lides profissionais, depois das pessoais, dos meus amigos. Parte deles é arte em cada decisão. Sem necessidade de segurar verdades e métodos absolutos. As redes sociais amancebadas com o plural e a pluralidade do iPhone e do iPad desta vida. Da forma de viver tão actual, instantânea e, por razão da última, instável. Sem desdém, pois acabei de ver inspiração em estado físico. Através das redes sociais. Já devo ter falado sobre isto. Algures, se não ultrapassei o consumo das ideias e não perdi a última porção de energia e memória. Porque é relevante ver a intelectualidade desenhada em grandes telas. Essas, as telas grandes, podem, sem prejuízo alheio e patrimonial, ser um muro desgrenhado ou uma parede velha e gasta, onde não sobra nada senão restos de uma tinta de massas, um branco que já não é. Rei da tela, altruísta em sessões. E é quase perturbadora, essa dicotomia. Esta minha amiga, por quem ultrapasso o cordial experimentar sentir coisas boas, renovou uma parede. Nasceu, algures numa cidade que já ouvi apelidar de feminina - Lisboa, curvas e postura de mulher que canta a canção da melancolia. Sussurra a visão com pintas. É artista de rua, esta cidade – uma parede de gesto delicado. De verdes e imponentes imitadores de um tecido natural. A natureza de folhas vivas, onde nem o orvalho da neblina matinal fica esquecido. E, contrariando alguns momentos de opinião em caixa, simpatizo com a facilidade de estar ao lado de alguém. Mesmo que tenhas ido procurar outras luzes. Quando voltas, é como se sempre tivesses visto a evolução. Porque te sobram o motivo e a motivação.

29.9.14

Derramar luz.

A discrição é um facto que se recusa a deixar partir. É a velocidade de um feitio que ganha contornos de mãos que jogam com a vergonha de expor mais do que merece importância. A vergonha, palavra que desvenda sensações e incoerências que dão voltas num monociclo que pensa como gente e obriga a condução de acrobata gingão. Mas ultrapassa a vergonha. É um feitio que está inscrito algures. E atrai esse contexto em que não é defeito, senão feitio. O equilíbrio de um físico que se sustenta nuns saltos altos ou nuns rasos que nada roubam, na elegância de um corpo que não procura revelação, antes convicção. É igual ao que sente. As palavras nunca chegam ao fim, nem deseja fechar os olhos. Gosta de ter tempo e viver numa conversa que tem um sem fim de segundos. O afecto que partilha, sem obrigação, assenta-lhe na essência que impõe em cada relação. Efectiva ou de situação. A discrição, conheço-a de outros tempos. Agora, é infinita a vontade de que a partilha com a proprietária desta discrição e conversa que me prende a atenção, jamais chegue ao fim. Escrevi, acredita, sem receio de me esquecer. Escrevi, podes acreditar, para voltar sempre. E acrescentar.

5.6.14

Em diferido. #10

Um beijo e um segredo - Pode, no desenrolar, não fazer sentido, mas a ocasião é portentosa e valiosa, qual sorriso. No sossego, queremos saber do envolvimento que faz bem ao ânimo e que sugere a pausa obrigatória. O telemóvel toca, agora não sabemos se é uma chamada perdida, uma mensagem pendente, uma fotografia do cão na praia ou de sushi a chegar ao Instagram ou uma novidade, mascarada de likes, marcações em fotografias ou convites sem voz, numa qualquer outra rede social. Adiamos, por força da procrastinação. Porque, a dada altura, não interessa assim tanto. Mas, porque eles insistem, rendemo-nos à evidência da curiosidade, e vamos ver. Não sei bem que respostas havemos de devolver às solicitações cruelmente repetidas. Enfim, percebo que não. Há fotografias várias, convites sem sustento, likes a inventarem atenção, mas a mensagem é outra. Vem de lá, do número que nos leva para o remetente que procuramos sempre. E é tremendamente pontual, ao mesmo tempo que está carregada de sentimento. É, inequivocamente, um sinal de lembrança. É sedutor e pesado. Ela não sabe tudo, mas é melhor nas emoções, no seu tratamento e na forma como as fala. Por tudo, e por muito mais, é que não deixo de querer comer algodão doce com ela. E dizer-lho ao ouvido.

31.3.14

Não resisto.

Ver uma pessoa, absolutamente só e à chuva, de mala no chão, sapatos alagados, à espera de algo ou alguém, com a mesma postura e olhar de quem fica suportada pela parede luzidia num dia de verão que conserva o calor e publica o sol mais atrevido. Não resisto, assim, de sorrir e permitir ter no pensamento que, vida, ambição e esperança, cada um toma a que quer.

25.3.14

Um beijo e um segredo.

Pode, no desenrolar, não fazer sentido, mas a ocasião é portentosa e valiosa, qual sorriso. No sossego, queremos saber do envolvimento que faz bem ao ânimo e que sugere a pausa obrigatória. O telemóvel toca, agora não sabemos se é uma chamada perdida, uma mensagem pendente, uma fotografia do cão na praia ou de sushi a chegar ao Instagram ou uma novidade, mascarada de likes, marcações em fotografias ou convites sem voz, numa qualquer outra rede social. Adiamos, por força da procrastinação. Porque, a dada altura, não interessa assim tanto. Mas, porque eles insistem, rendemo-nos à evidência da curiosidade, e vamos ver. Não sei bem que respostas havemos de devolver às solicitações cruelmente repetidas. Enfim, percebo que não. Há fotografias várias, convites sem sustento, likes a inventarem atenção, mas a mensagem é outra. Vem de lá, do número que nos leva para o remetente que procuramos sempre. E é tremendamente pontual, ao mesmo tempo que está carregada de sentimento. É, inequivocamente, um sinal de lembrança. É sedutor e pesado. Ela não sabe tudo, mas é melhor nas emoções, no seu tratamento e na forma como as fala. Por tudo, e por muito mais, é que não deixo de querer comer algodão doce com ela. E dizer-lho ao ouvido.

28.2.14

Vinte e duas horas e vinte e dois minutos.

O enquadramento é o requinte de saber quem é, de saber quem sou, de saber quem somos. Querendo, dava destaque à tela cuja pintura inteira vinga em toda a parede. Mas não consigo. Também, não sou o mais entendido na matéria. Do tecto caem lustres deslumbrantes. Ainda assim, difíceis de roubar a atenção. Mas absorvo-me nela. Nos cabelos compridos, à solta, a cobrirem-lhe parte do busto. O rosto brilhante e maquilhado. As jóias sóbrias e discretas. O olhar que me cruza. As pernas cruzadas entre a bainha do vestido e os saltos altos. A postura que, em tudo, converge com o esqueleto do discurso e do pensamento. Estava a olhá-la e fiquei a pensar no quão me influência os pensamentos e os sentimentos. Não os baralha. Antes, une-os e excita-os. No melhor do sustento de ambos. Como me tolda a escrita e protagoniza a raiz de onde me inspiro. Sempre. Desde que nos deixamos conhecer. Por ela, para ela. Estava a olhá-la e, por fim, não restaram dúvidas. Faz sentido.

10.1.14

A miúda da franja.

Não conheço a miúda da franja, senão pelo que vou ouvindo dizer, senão de a ver passar. Tem passadas rebeldes, sorriso escancarado, estilo próprio. A miúda da franja avança estrada fora de forma descoordenada, mas como se a sua missão fosse apanhar o mundo. Tem uma história, estória talvez, que corrobora a sua vontade de mudar. Seja o terreno que foge com a estrada, seja o mundo inteiro. Porque a idade lhe foi roubada, assim aconteceu o nascimento. A desatenção vem daí. A miúda da franja é julgada, todos os dias, pelo ausente filtro nas palavras. Nos actos. Não se permitem conhecê-la. Porque conhecer alguém é trabalhoso. Conhecer alguém que precisa de atenção, redobra. É penoso. A miúda da franja não é entendida. Não lhe olham pelo coração. Chocalham-lhe os sentimentos, quando a reprovam. Só porque é. E, jamais, querem parar para compreender. A miúda da franja, nesses actos e palavras resistentes e musculadas, esconde o forte escudo que vem construindo. Pois, não aparenta, mas consome-lhe as ideias. Come-lhe os sonhos e o quotidiano. Depois de um coração feito em farrapos, ressarcir-lhe a auto-estima e a confiança nos outros é doloroso. As teias impedem. Contudo, há surpresas. Há quem se preocupe com os outros e nunca se aborreça com o caminho. Há quem integre a miúda da franja. Há quem a faça sentir-se parte. Parte de um grupo. Quem a inclua. E, nesses momentos, a miúda da franja agradece, denunciando a fragilidade que esconde, com a doçura de uma menina. A menina que é. Agora, envolvida que estava com a amizade, afastaram-na. Não quem lhe mostrou o que é gostar. Foram outros. Não conheço a miúda da franja, senão de ouvir contar, senão de a ver por ali, todos os dias. Mas, não me podem pedir que não me incomode com acções deficientes como esta. Não se afastam pessoas. Não se escondem pessoas. À miúda da franja, o meu mais sincero desejo de que seja feliz. De que, a partir de ontem, o seu caminho seja mais meigo. Ah! E, não te esqueças, miúda da franja, apanha o mundo.HH

13.11.13

Apresente-se, jubilação.

Sobrancerias à margem, distantes como só o aconchego e a fraternidade da partilha e da intimidade nos oferecem. Encerram-se, sem mais conversa, os valores que nos são caros. De tão caros não nos faltam. Não sendo um objectivo, surgem e seguram-se. Seguram-te. Só quem é e se permite ter, apossa-se do sentimento. Temos a receita. Seguros. Sirvam-se, enquanto pertencem.

28.10.13

A cadeira perde para o tailleur.

A cadeira, quando permitem, é objecto de grande atracção e encanto. Resvala para plano inferior quando, quem dela se ocupa, é digna do título de sumidade. Estatura média, suportando um tailleur vistoso de tecido nobre, o cabelo irrepreensivelmente armado, instala-se na extremidade, tal qual lhe ensinaram. As pernas juntas, apartadadas para a esquerda, os braços ligeiramente justapostos e as mãos entrelaçadas. Recusa tomar chá. Apenas por hoje. Não pede scones. Não simpatiza, por aí além, com tudo o que se faz cliché. Fala, quando encontra justificação. Permanece a aliança. Memória residente na mão esquerda. Aceita tomar uma bebida espirituosa. Há excepções que merecem lugar. É inteligente. Também nos actos. Olhando-a, desta forma, sentado ao redor, no cadeirão datado, poder-se-ia julgá-la arrefecida e ociosa. Falácia! É, garanto, modesta, da mesma forma como nos sentamos numa cadeira. Ensinou-me, desde cedo, que homem ou mulher, não nos esgotamos na aparência, muito menos naquilo que possuímos.

15.10.13

Tornar a dizer o que já se disse não objecta o bom senso. Porque é real(mente) provido de verdade segura.

6 de Agosto de 2013

Desde aquela noite, que a recordo de forma diferente, toleravelmente diferente. Não a conheci novamente, conheci-a um pouco mais. Fiz por estar com ela. Ela percebeu e reconheceu. Disse-mo. Hoje volto a lembrá-la. Estava impecavelmente vestida no centro da pista, ornada a rigor, como sempre, para o momento. O negro que envergava no tronco, brilhando no lugar certo. Os  saltos elevavam, ainda mais, a sua beleza e elegância reais. Entre a multidão que nos rodeava, ela destacava-se, de forma natural, sem precisar de forçar a sua presença. Lembro cada gesto, cada movimento, cada sorriso e olhar. Movia-se como guardava vê-la mover-se. Dançava ao som da música que, ao fundo, na cabina, o DJ colocava. Cada palavra que trocamos não esqueci. Os sussurros e as respirações compassados que trocamos, igualmente registados. O que me contou, dizia, em jeito de segredo. E ela dançou. E ela moveu-se por ali. E, agora, volto a lembrá-la. Volto a vê-la. E apetece-me, dizer-lhe, uma vez mais, que ela não imagina nem reconhece o que é. Apetece-me recordar-lhe que a sua beleza, postura e presença ultrapassam, em larga escala, o que ela vê. Porque ela é muito mais do que mostra e do que vê. Porque, ao contrário, do que acredita, as que a acompanham ficam muito aquém, quando comparadas com ela. Porque ela é beleza e conteúdo. E ela dançou. E ela moveu-se como jamais me esqueceria. E fiquei a vê-la dançar. E perdi-me a assistir ao que, a dado momento, seria um verdadeiro espectáculo, sem ensaio ou preparação. E ela dançou. E ela moveu-se como ela. E eu, neste preciso momento, enquanto recordo o momento e o movimento, sinto impreterivelmente o que senti ali.

14.10.13

Um acto despudorado.

Pedir que a ajude a fechar o fio que me mostrou há instantes e que agora pende no seu atraente colo não é repetitório debilitado. Quando a elegância e fisionomia dançam em concupiscência. No momento em que, lhana, solta o cabelo e cobre parte das costas despidas. Aí, a totalidade ganha estatuto de existência. Obrigado!