Entre
cá e lá. Permite-me a saudade e os sentimentos revoltados que use a palavra que
continuas a imaginar colada a mim, pensar sintonizado com a picuinhice que
lembra a alma vazia, desenhar a vontade de ter certezas. Em cada palmo,
sentimentos colhidos, factos salpicados e novas perspectivas. Suspende-se a
respiração, adivinhas a loucura reinventada. Nos dedos, tintas felizes. E
desenhando, fica na pele a certeza. Na ausência forçada, um tanto instante
saborosa. Entre a distância, a despesa física e obrigada. Entre o pé aqui e o
braço ali. Entre as imperfeições de estar longe. Embrenhados nessas horas que
desassossegam a psique. Que mordem as carnes, que dão forma à fome do desejo.
Entre cá e lá. Entre nós. Nessa gigantesca ginástica, nesse áspero incómodo.
Entre cá e lá, neste mundo de disparates, desenhar-te-ia o mundo na pele.
Corpo, tela de arte elevada a qualidade. Neste percurso, percorrido entre o
espaço, por saber-te verdade, aprender-te na lealdade. Restar-nos-á, nunca a
fraquinha memória perdida em nenhures, mas sempre a pele despida, o mundo nas
mãos. Entre cá e lá, está tudo bem. Voltas de lá, como sempre, a lembrar-nos a pressa,
nesse caminho certinho e seguro. A comunicação, a presidente da união.
Mostrar mensagens com a etiqueta sentimentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sentimentos. Mostrar todas as mensagens
16.11.15
29.12.14
Desculpem a minha pantomima invertida.
Em
tempo algum, tu sabes bem, existirão coisas sumárias, sem braços acesos. É um
desassossego entre os dedos, que vais conhecendo sorrindo. As mãos cheiram a
café. Tal e qual, assim mesmo. Como se, por desaire da sanidade, tivesse feito
de uma taça um poço com fundo. Tu sabes bem. Um deslavado líquido enchendo. As
mãos, sempre que as levava ao nariz, cheiravam a café. E repetia. Qual ironia.
E voltava. A conversa, a descrição do cheiro e o levar das mãos ao nariz. Numa
tentativa repetida de, jamais, se esquecer do cheiro. Como se aquela taça fosse
o todo. Mergulhava as mãos. Sentia a temperatura morna e e brincava. E voltavam
as palavras. O cheiro a café, em nada mudo. Lembro-me deste impensável e
rebuscado momento depois de ouvir contar o amor. Como quando uma pessoa se
divide e espera a outro. Sente, amiúde, a pulsação da outra. Tu sabes bem. Não
tem, por certo, interesse. Para o outro, desligado comparsa. Nem para quem
possa ver ou ler. Mas os sentidos importam. Valorizam e dão forma. Mesmo que a
mensagem morra numa chávena de café, numas mãos que não sossegam ou num coração
que ama sem desarmar. Tu sabes bem. Coragem. Era o que tu querias. Um dia.
11.12.14
Em diferido. #24
Derramar
luz - A discrição é um facto que se recusa a deixar partir. É a velocidade de
um feitio que ganha contornos de mãos que jogam com a vergonha de expor mais do
que merece importância. A vergonha, palavra que desvenda sensações e
incoerências que dão voltas num monociclo que pensa como gente e obriga a
condução de acrobata gingão. Mas ultrapassa a vergonha. É um feitio que está
inscrito algures. E atrai esse contexto em que não é defeito, senão feitio. O
equilíbrio de um físico que se sustenta nuns saltos altos ou nuns rasos que
nada roubam, na elegância de um corpo que não procura revelação, antes
convicção. É igual ao que sente. As palavras nunca chegam ao fim, nem deseja
fechar os olhos. Gosta de ter tempo e viver numa conversa que tem um sem fim de
segundos. O afecto que partilha, sem obrigação, assenta-lhe na essência que
impõe em cada relação. Efectiva ou se situação. A discrição, conheço-a de
outros tempos. Agora, é infinita a vontade de que a partilha com a proprietária
desta discrição e conversa que me prende a atenção, jamais chegue ao fim.
Escrevi, acredita, sem receio de me esquecer. Escrevi, podes acreditar, para
voltar sempre. E acrescentar. Mesmo que não seja hoje o lugar.
27.10.14
Senta-te comigo e aprecia.
Gosto,
se possível, de acompanhar as lides profissionais, depois das pessoais, dos
meus amigos. Parte deles é arte em cada decisão. Sem necessidade de segurar
verdades e métodos absolutos. As redes sociais amancebadas com o plural e a
pluralidade do iPhone e do iPad desta vida. Da forma de viver tão actual,
instantânea e, por razão da última, instável. Sem desdém, pois acabei de ver
inspiração em estado físico. Através das redes sociais. Já devo ter falado
sobre isto. Algures, se não ultrapassei o consumo das ideias e não perdi a
última porção de energia e memória. Porque é relevante ver a intelectualidade
desenhada em grandes telas. Essas, as telas grandes, podem, sem prejuízo alheio
e patrimonial, ser um muro desgrenhado ou uma parede velha e gasta, onde não
sobra nada senão restos de uma tinta de massas, um branco que já não é. Rei da
tela, altruísta em sessões. E é quase perturbadora, essa dicotomia. Esta minha
amiga, por quem ultrapasso o cordial experimentar sentir coisas boas, renovou
uma parede. Nasceu, algures numa cidade que já ouvi apelidar de feminina -
Lisboa, curvas e postura de mulher que canta a canção da melancolia. Sussurra a
visão com pintas. É artista de rua, esta cidade – uma parede de gesto delicado.
De verdes e imponentes imitadores de um tecido natural. A natureza de folhas
vivas, onde nem o orvalho da neblina matinal fica esquecido. E, contrariando
alguns momentos de opinião em caixa, simpatizo com a facilidade de estar ao
lado de alguém. Mesmo que tenhas ido procurar outras luzes. Quando voltas, é
como se sempre tivesses visto a evolução. Porque te sobram o motivo e a
motivação.
29.9.14
Derramar luz.
A
discrição é um facto que se recusa a deixar partir. É a velocidade de um feitio
que ganha contornos de mãos que jogam com a vergonha de expor mais do que
merece importância. A vergonha, palavra que desvenda sensações e incoerências
que dão voltas num monociclo que pensa como gente e obriga a condução de
acrobata gingão. Mas ultrapassa a vergonha. É um feitio que está inscrito
algures. E atrai esse contexto em que não é defeito, senão feitio. O equilíbrio
de um físico que se sustenta nuns saltos altos ou nuns rasos que nada roubam,
na elegância de um corpo que não procura revelação, antes convicção. É igual ao
que sente. As palavras nunca chegam ao fim, nem deseja fechar os olhos. Gosta
de ter tempo e viver numa conversa que tem um sem fim de segundos. O afecto que
partilha, sem obrigação, assenta-lhe na essência que impõe em cada relação.
Efectiva ou de situação. A discrição, conheço-a de outros tempos. Agora, é
infinita a vontade de que a partilha com a proprietária desta discrição e conversa
que me prende a atenção, jamais chegue ao fim. Escrevi, acredita, sem receio de
me esquecer. Escrevi, podes acreditar, para voltar sempre. E acrescentar.
5.6.14
Em diferido. #10
Um
beijo e um segredo - Pode, no desenrolar, não fazer sentido, mas a ocasião é
portentosa e valiosa, qual sorriso. No sossego, queremos saber do envolvimento
que faz bem ao ânimo e que sugere a pausa obrigatória. O telemóvel toca, agora
não sabemos se é uma chamada perdida, uma mensagem pendente, uma fotografia do
cão na praia ou de sushi a chegar ao Instagram ou uma novidade, mascarada de likes, marcações em fotografias ou
convites sem voz, numa qualquer outra rede social. Adiamos, por força da
procrastinação. Porque, a dada altura, não interessa assim tanto. Mas, porque
eles insistem, rendemo-nos à evidência da curiosidade, e vamos ver. Não sei bem
que respostas havemos de devolver às solicitações cruelmente repetidas. Enfim,
percebo que não. Há fotografias várias, convites sem sustento, likes a inventarem atenção, mas a
mensagem é outra. Vem de lá, do número que nos leva para o remetente que
procuramos sempre. E é tremendamente pontual, ao mesmo tempo que está carregada
de sentimento. É, inequivocamente, um sinal de lembrança. É sedutor e pesado.
Ela não sabe tudo, mas é melhor nas emoções, no seu tratamento e na forma como
as fala. Por tudo, e por muito mais, é que não deixo de querer comer algodão
doce com ela. E dizer-lho ao ouvido.
31.3.14
Não resisto.
Ver
uma pessoa, absolutamente só e à chuva, de mala no chão, sapatos alagados, à
espera de algo ou alguém, com a mesma postura e olhar de quem fica suportada
pela parede luzidia num dia de verão que conserva o calor e publica o sol mais
atrevido. Não resisto, assim, de sorrir e permitir ter no pensamento que, vida,
ambição e esperança, cada um toma a que quer.
25.3.14
Um beijo e um segredo.
Pode,
no desenrolar, não fazer sentido, mas a ocasião é portentosa e valiosa, qual
sorriso. No sossego, queremos saber do envolvimento que faz bem ao ânimo e que
sugere a pausa obrigatória. O telemóvel toca, agora não sabemos se é uma
chamada perdida, uma mensagem pendente, uma fotografia do cão na praia ou de sushi a chegar ao Instagram ou uma novidade, mascarada de likes, marcações em fotografias ou convites sem voz, numa qualquer outra
rede social. Adiamos, por força da procrastinação. Porque, a dada altura, não
interessa assim tanto. Mas, porque eles insistem, rendemo-nos à evidência da
curiosidade, e vamos ver. Não sei bem que respostas havemos de devolver às
solicitações cruelmente repetidas. Enfim, percebo que não. Há fotografias
várias, convites sem sustento, likes
a inventarem atenção, mas a mensagem é outra. Vem de lá, do número que nos leva
para o remetente que procuramos sempre. E é tremendamente pontual, ao mesmo
tempo que está carregada de sentimento. É, inequivocamente, um sinal de
lembrança. É sedutor e pesado. Ela não sabe tudo, mas é melhor nas emoções, no
seu tratamento e na forma como as fala. Por tudo, e por muito mais, é que não
deixo de querer comer algodão doce com ela. E dizer-lho ao ouvido.
28.2.14
Vinte e duas horas e vinte e dois minutos.
O
enquadramento é o requinte de saber quem é, de saber quem sou, de saber quem
somos. Querendo, dava destaque à tela cuja pintura inteira vinga em toda a
parede. Mas não consigo. Também, não sou o mais entendido na matéria. Do tecto
caem lustres deslumbrantes. Ainda assim, difíceis de roubar a atenção. Mas
absorvo-me nela. Nos cabelos compridos, à solta, a cobrirem-lhe parte do busto.
O rosto brilhante e maquilhado. As jóias sóbrias e discretas. O olhar que me
cruza. As pernas cruzadas entre a bainha do vestido e os saltos altos. A
postura que, em tudo, converge com o esqueleto do discurso e do pensamento. Estava
a olhá-la e fiquei a pensar no quão me influência os pensamentos e os
sentimentos. Não os baralha. Antes, une-os e excita-os. No melhor do sustento
de ambos. Como me tolda a escrita e protagoniza a raiz de onde me inspiro.
Sempre. Desde que nos deixamos conhecer. Por ela, para ela. Estava a olhá-la e,
por fim, não restaram dúvidas. Faz sentido.
10.1.14
A miúda da franja.
Não conheço a miúda da franja, senão pelo que vou
ouvindo dizer, senão de a ver passar. Tem passadas rebeldes, sorriso
escancarado, estilo próprio. A miúda da franja avança estrada fora de forma
descoordenada, mas como se a sua missão fosse apanhar o mundo. Tem uma
história, estória talvez, que corrobora a sua vontade de mudar. Seja o terreno
que foge com a estrada, seja o mundo inteiro. Porque a idade lhe foi roubada,
assim aconteceu o nascimento. A desatenção vem daí. A miúda da franja é
julgada, todos os dias, pelo ausente filtro nas palavras. Nos actos. Não se
permitem conhecê-la. Porque conhecer alguém é trabalhoso. Conhecer alguém que
precisa de atenção, redobra. É penoso. A miúda da franja não é entendida. Não
lhe olham pelo coração. Chocalham-lhe os sentimentos, quando a reprovam. Só porque
é. E, jamais, querem parar para compreender. A miúda da franja, nesses actos e palavras
resistentes e musculadas, esconde o forte escudo que vem construindo. Pois, não
aparenta, mas consome-lhe as ideias. Come-lhe os sonhos e o quotidiano. Depois
de um coração feito em farrapos, ressarcir-lhe a auto-estima e a confiança nos
outros é doloroso. As teias impedem. Contudo, há surpresas. Há quem se preocupe
com os outros e nunca se aborreça com o caminho. Há quem integre a miúda da
franja. Há quem a faça sentir-se parte. Parte de um grupo. Quem a inclua. E,
nesses momentos, a miúda da franja agradece, denunciando a fragilidade que
esconde, com a doçura de uma menina. A menina que é. Agora, envolvida que
estava com a amizade, afastaram-na. Não quem lhe mostrou o que é gostar. Foram
outros. Não conheço a miúda da franja, senão de ouvir contar, senão de a ver
por ali, todos os dias. Mas, não me podem pedir que não me incomode com acções
deficientes como esta. Não se afastam pessoas. Não se escondem pessoas. À miúda
da franja, o meu mais sincero desejo de que seja feliz. De que, a partir de
ontem, o seu caminho seja mais meigo. Ah! E, não te esqueças, miúda da franja,
apanha o mundo.HH
13.11.13
Apresente-se, jubilação.
Sobrancerias
à margem, distantes como só o aconchego e a fraternidade da partilha e da
intimidade nos oferecem. Encerram-se, sem mais conversa, os valores que nos são
caros. De tão caros não nos faltam. Não sendo um objectivo, surgem e
seguram-se. Seguram-te. Só quem é e se permite ter, apossa-se do sentimento.
Temos a receita. Seguros. Sirvam-se, enquanto pertencem.
28.10.13
A cadeira perde para o tailleur.
A
cadeira, quando permitem, é objecto de grande atracção e encanto. Resvala para
plano inferior quando, quem dela se ocupa, é digna do título de sumidade.
Estatura média, suportando um tailleur vistoso
de tecido nobre, o cabelo irrepreensivelmente armado, instala-se na
extremidade, tal qual lhe ensinaram. As pernas juntas, apartadadas para a
esquerda, os braços ligeiramente justapostos e as mãos entrelaçadas. Recusa
tomar chá. Apenas por hoje. Não pede scones. Não simpatiza, por aí além, com
tudo o que se faz cliché. Fala, quando encontra justificação. Permanece a
aliança. Memória residente na mão esquerda. Aceita tomar uma bebida
espirituosa. Há excepções que merecem lugar. É inteligente. Também nos actos.
Olhando-a, desta forma, sentado ao redor, no cadeirão datado, poder-se-ia
julgá-la arrefecida e ociosa. Falácia! É, garanto, modesta, da mesma forma como
nos sentamos numa cadeira. Ensinou-me, desde cedo, que homem ou mulher, não nos
esgotamos na aparência, muito menos naquilo que possuímos.
15.10.13
Tornar a dizer o que já se disse não objecta o bom senso. Porque é real(mente) provido de verdade segura.
6 de Agosto de 2013
Desde
aquela noite, que a recordo de forma diferente, toleravelmente diferente. Não a
conheci novamente, conheci-a um pouco mais. Fiz por estar com ela. Ela percebeu
e reconheceu. Disse-mo. Hoje volto a lembrá-la. Estava impecavelmente vestida
no centro da pista, ornada a rigor, como sempre, para o momento. O negro que
envergava no tronco, brilhando no lugar certo. Os saltos elevavam, ainda mais, a sua beleza e
elegância reais. Entre a multidão que nos rodeava, ela destacava-se, de forma
natural, sem precisar de forçar a sua presença. Lembro cada gesto, cada
movimento, cada sorriso e olhar. Movia-se como guardava vê-la mover-se. Dançava
ao som da música que, ao fundo, na cabina, o DJ colocava. Cada palavra que
trocamos não esqueci. Os sussurros e as respirações compassados que trocamos,
igualmente registados. O que me contou, dizia, em jeito de segredo. E ela
dançou. E ela moveu-se por ali. E, agora, volto a lembrá-la. Volto a vê-la. E
apetece-me, dizer-lhe, uma vez mais, que ela não imagina nem reconhece o que é.
Apetece-me recordar-lhe que a sua beleza, postura e presença ultrapassam, em
larga escala, o que ela vê. Porque ela é muito mais do que mostra e do que vê.
Porque, ao contrário, do que acredita, as que a acompanham ficam muito aquém,
quando comparadas com ela. Porque ela é beleza e conteúdo. E ela dançou. E ela
moveu-se como jamais me esqueceria. E fiquei a vê-la dançar. E perdi-me a
assistir ao que, a dado momento, seria um verdadeiro espectáculo, sem ensaio ou
preparação. E ela dançou. E ela moveu-se como ela. E eu, neste preciso momento,
enquanto recordo o momento e o movimento, sinto impreterivelmente o que senti
ali.
14.10.13
Um acto despudorado.
Pedir
que a ajude a fechar o fio que me mostrou há instantes e que agora pende no seu
atraente colo não é repetitório debilitado. Quando a elegância e fisionomia
dançam em concupiscência. No momento em que, lhana, solta o cabelo e cobre
parte das costas despidas. Aí, a totalidade ganha estatuto de existência.
Obrigado!
Subscrever:
Mensagens (Atom)