Podia
contar-te uma história. Dizer-te que o sexo é sempre um compromisso e que
amanhã será a realização de todas as convicções e ilusões de hoje. Pedir-te que
acredites como se tivesse esse direito. Porque é o amor, sempre o amor. Ou a
necessidade física a ir contra a questão fundamental, a lealdade. Estava a
pensar nisto, depois de me cruzar com ele. Conheci-o através de uma amiga muito
próxima. Foi-me apresentado já como seu namorado, embora, tenha ouvido algumas
coisas sobre ele antes de o conhecer. Na boca dela, querida amiga, era um tipo
alto, bonito e inteligente. Era formado em medicina e era de boas famílias. Era
calado, mas tinha sempre a palavra certa. Imaginei uma capa de revista e
nessas, reza a história, há muito pouco conteúdo real por onde apalpar. Mas
acabámos por marcar um jantar de amigos. Não foi difícil identificá-lo, pois
entrou com ela e as informações anteriores pareciam estar correctas. Boa amiga
esta, verdade seja assinalada, sempre foi bastante pragmática. O homem de todas
as relações, aventa ela e eu não digo que não. Confirmou-se, então, a timidez.
Ainda assim, e sem darmos por isso, foi fazendo cada vez mais parte do grupo.
Até ao momento em que numa das vezes em que ele ia tocar para nós, serão
garantidamente longo, e ela chegou sozinha. Chegou ao fim, o espectáculo de
cordas e o namoro. Estive com ele depois disso um punhado de vezes. Soube fazer
as coisas e, ficou-se somente, pelo lamento do fim da relação. A boa amiga
tomou outro rumo, porque sexo é incompatível com a necessidade de sinceridade
que uma relação exige. Estamos num bom caminho, estamos a conseguir ser fieis a
nós. Com a verdade me enganas. Não obstante, podia contar-te uma história.
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25.5.15
4.2.15
Em diferido. #27
A
berma de um Portugal igual - Na generalidade, que é por onde tudo vem, até ao
ponto da individualidade. Há pudor, como quando subimos a rua e desviamos o
olhar. É uma incerteza no contexto da mistura de vontades. Do receio de
enfrentar verdades. Há pudor em cada esquina. Como quando descemos a rua e
preferimos passar sem ver. Falávamos de sexo. Há pudor e uma sentença de
geração. Às vezes é preferível assim. Como se escolher desculpar-se com
palavras que embrulham velhas convicções, fosse a concretização. Quem cala
suporta a inexistência. Não voltamos ao tema em cada conversa. É a proporção da
necessidade. Alheia ou da interna trincheira. Mas elas assumem posição. Diz-se,
ouve-se por aí, são elas as mais autênticas no discurso. Mais próximas da
realidade. Eles enganam conforme a falta do que é imprescindível. Nisto, falar
de sexo é a berma deste país. Aponta-se o dedo, passa-se sem olhar. No fim, todos,
sem excepção, são aliciados. Da berma, riem-se para quem passa. Piscam o olho e
ajeitam o decote generoso. Até lá voltar e gastar o que sobrou. Há sempre quem
negue a verdade num tom majestoso, típico de quem não gostou.
9.12.14
A berma de um Portugal igual.
Na
generalidade, que é por onde tudo vem, até ao ponto da individualidade. Há
pudor, como quando subimos a rua e desviamos o olhar. É uma incerteza no
contexto da mistura de vontades. Do receio de enfrentar verdades. Há pudor em
cada esquina. Como quando descemos a rua e preferimos passar sem ver. Falávamos
de sexo. Há pudor e uma sentença de geração. Às vezes é preferível assim. Como
se escolher desculpar-se com palavras que embrulham velhas convicções, fosse a
concretização. Quem cala suporta a inexistência. Não voltamos ao tema em cada
conversa. É a proporção da necessidade. Alheia ou da interna trincheira. Mas
elas assumem posição. Diz-se, ouve-se por aí, são elas as mais autênticas no
discurso. Mais próximas da realidade. Eles enganam conforme a falta do que é
imprescindível. Nisto, falar de sexo é a berma deste país. Aponta-se o dedo,
passa-se sem olhar. No fim, todos, sem excepção, são aliciados. Da berma, riem-se
para quem passa. Piscam o olho e ajeitam o decote generoso. Até lá voltar e
gastar o que sobrou. Há sempre quem negue a verdade num tom majestoso, típico
de quem não gostou.
13.3.14
Café da manhã.
A
janela fica sempre a descoberto. Não cerra as portadas, porque lhe roubam mais
sol do que o pretendido. Não usa cortinas porque desmaiam a luz. O despertador,
contava-me, toca sempre no momento mais inoportuno. No instante contado em que
o melhor da metamorfose acontece. Em que, estendido na cama de todos os dias,
avesso na postura, o corpo cede tempo. Eleva-se-lhe, disse-me tal e qual assim,
eleva-se-lhe o espírito e entra numa zona possessa, rítmica, desconstruída, sexuada,
pujante e descontraída. Sem artimanhas banais. É possível. Acontecem-lhe, com
frequência, os sonhos que lhe excitam a mente e o corpo. E nem precisa de sexo
ficcionado no cardápio. Reduzir excitação e prazer ao sexo teórico, não
compensa. É travestir. E, tudo volvido e vivido, são horas de levantar. Guardou
a memória. Mas não esquece. Não consegue esquecer que, até no sonho, ficou pela
metade. Entendes, perguntava-me enquanto o açúcar fugia-lhe das mãos, antes de
envolver e casar com o café. Vou-me embora.
31.10.13
Sexo, q.b.
Engana-me que eu
gosto, uma
expressão tomada por muitos. Por outros, os que a estranham, ignorando-a,
sabe-lhes a fel, de tão apoucada. Contudo, há intervalo para tudo, assim queiramos.
O sexo, tal como expressões e acções, ajusta-se na perfeição do que não está
terminado. O sexo, na voz, é um medo social, que toma o susto religioso no seu
encalço. Amigos falam de sexo. Amigos contam sexo. Amigos inventam sexo. Porque
é tabu. Porque foi tabu. Talvez, porque vai continuar a ser tabu. Parecem
indissociáveis. Sexo e tabu. Recusam falar dos objectos, do prazer. Sob pena de
serem achincalhados. Serem gozados. Provavelmente, porque sexo não é certeza.
Resolvidos, são poucos. Sex shop’s, impensável. O sexo. Assim mesmo, como o
conhecemos. Recheado de pruridos.
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