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25.5.15

Narração dos acontecimentos.

Podia contar-te uma história. Dizer-te que o sexo é sempre um compromisso e que amanhã será a realização de todas as convicções e ilusões de hoje. Pedir-te que acredites como se tivesse esse direito. Porque é o amor, sempre o amor. Ou a necessidade física a ir contra a questão fundamental, a lealdade. Estava a pensar nisto, depois de me cruzar com ele. Conheci-o através de uma amiga muito próxima. Foi-me apresentado já como seu namorado, embora, tenha ouvido algumas coisas sobre ele antes de o conhecer. Na boca dela, querida amiga, era um tipo alto, bonito e inteligente. Era formado em medicina e era de boas famílias. Era calado, mas tinha sempre a palavra certa. Imaginei uma capa de revista e nessas, reza a história, há muito pouco conteúdo real por onde apalpar. Mas acabámos por marcar um jantar de amigos. Não foi difícil identificá-lo, pois entrou com ela e as informações anteriores pareciam estar correctas. Boa amiga esta, verdade seja assinalada, sempre foi bastante pragmática. O homem de todas as relações, aventa ela e eu não digo que não. Confirmou-se, então, a timidez. Ainda assim, e sem darmos por isso, foi fazendo cada vez mais parte do grupo. Até ao momento em que numa das vezes em que ele ia tocar para nós, serão garantidamente longo, e ela chegou sozinha. Chegou ao fim, o espectáculo de cordas e o namoro. Estive com ele depois disso um punhado de vezes. Soube fazer as coisas e, ficou-se somente, pelo lamento do fim da relação. A boa amiga tomou outro rumo, porque sexo é incompatível com a necessidade de sinceridade que uma relação exige. Estamos num bom caminho, estamos a conseguir ser fieis a nós. Com a verdade me enganas. Não obstante, podia contar-te uma história.

4.2.15

Em diferido. #27

A berma de um Portugal igual - Na generalidade, que é por onde tudo vem, até ao ponto da individualidade. Há pudor, como quando subimos a rua e desviamos o olhar. É uma incerteza no contexto da mistura de vontades. Do receio de enfrentar verdades. Há pudor em cada esquina. Como quando descemos a rua e preferimos passar sem ver. Falávamos de sexo. Há pudor e uma sentença de geração. Às vezes é preferível assim. Como se escolher desculpar-se com palavras que embrulham velhas convicções, fosse a concretização. Quem cala suporta a inexistência. Não voltamos ao tema em cada conversa. É a proporção da necessidade. Alheia ou da interna trincheira. Mas elas assumem posição. Diz-se, ouve-se por aí, são elas as mais autênticas no discurso. Mais próximas da realidade. Eles enganam conforme a falta do que é imprescindível. Nisto, falar de sexo é a berma deste país. Aponta-se o dedo, passa-se sem olhar. No fim, todos, sem excepção, são aliciados. Da berma, riem-se para quem passa. Piscam o olho e ajeitam o decote generoso. Até lá voltar e gastar o que sobrou. Há sempre quem negue a verdade num tom majestoso, típico de quem não gostou.

9.12.14

A berma de um Portugal igual.

Na generalidade, que é por onde tudo vem, até ao ponto da individualidade. Há pudor, como quando subimos a rua e desviamos o olhar. É uma incerteza no contexto da mistura de vontades. Do receio de enfrentar verdades. Há pudor em cada esquina. Como quando descemos a rua e preferimos passar sem ver. Falávamos de sexo. Há pudor e uma sentença de geração. Às vezes é preferível assim. Como se escolher desculpar-se com palavras que embrulham velhas convicções, fosse a concretização. Quem cala suporta a inexistência. Não voltamos ao tema em cada conversa. É a proporção da necessidade. Alheia ou da interna trincheira. Mas elas assumem posição. Diz-se, ouve-se por aí, são elas as mais autênticas no discurso. Mais próximas da realidade. Eles enganam conforme a falta do que é imprescindível. Nisto, falar de sexo é a berma deste país. Aponta-se o dedo, passa-se sem olhar. No fim, todos, sem excepção, são aliciados. Da berma, riem-se para quem passa. Piscam o olho e ajeitam o decote generoso. Até lá voltar e gastar o que sobrou. Há sempre quem negue a verdade num tom majestoso, típico de quem não gostou.

13.3.14

Café da manhã.

A janela fica sempre a descoberto. Não cerra as portadas, porque lhe roubam mais sol do que o pretendido. Não usa cortinas porque desmaiam a luz. O despertador, contava-me, toca sempre no momento mais inoportuno. No instante contado em que o melhor da metamorfose acontece. Em que, estendido na cama de todos os dias, avesso na postura, o corpo cede tempo. Eleva-se-lhe, disse-me tal e qual assim, eleva-se-lhe o espírito e entra numa zona possessa, rítmica, desconstruída, sexuada, pujante e descontraída. Sem artimanhas banais. É possível. Acontecem-lhe, com frequência, os sonhos que lhe excitam a mente e o corpo. E nem precisa de sexo ficcionado no cardápio. Reduzir excitação e prazer ao sexo teórico, não compensa. É travestir. E, tudo volvido e vivido, são horas de levantar. Guardou a memória. Mas não esquece. Não consegue esquecer que, até no sonho, ficou pela metade. Entendes, perguntava-me enquanto o açúcar fugia-lhe das mãos, antes de envolver e casar com o café. Vou-me embora.

31.10.13

Sexo, q.b.

Engana-me que eu gosto, uma expressão tomada por muitos. Por outros, os que a estranham, ignorando-a, sabe-lhes a fel, de tão apoucada. Contudo, há intervalo para tudo, assim queiramos. O sexo, tal como expressões e acções, ajusta-se na perfeição do que não está terminado. O sexo, na voz, é um medo social, que toma o susto religioso no seu encalço. Amigos falam de sexo. Amigos contam sexo. Amigos inventam sexo. Porque é tabu. Porque foi tabu. Talvez, porque vai continuar a ser tabu. Parecem indissociáveis. Sexo e tabu. Recusam falar dos objectos, do prazer. Sob pena de serem achincalhados. Serem gozados. Provavelmente, porque sexo não é certeza. Resolvidos, são poucos. Sex shop’s, impensável. O sexo. Assim mesmo, como o conhecemos. Recheado de pruridos.