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8.9.14

Em diferido. #17

Plano de uma peça - O carro num tom verde alface, tão chamativo como desconcertante no meio-termo e inócuo corredor de estacionados. Todos de cores iguais. Junto à praia, permitindo avistar os muitos chapéus-de-sol, também eles todos similares. Quase repetidos. Dois ou três tonalidades. Duas ou três marcas expostas. A postos, os nadadores salvadores. As ondas a rebentar levemente, os pés a conhecerem a temperatura do mar. As toalhas estendidas, os corpos a ganhar cor. O sol a dispensar detalhe, dá de oferta uma vida diferente aos lugares. Jogam à bola e não dispensam as raquetas típicas. Ouvem-se vozes sem parar. Por trás, bicicletas a passar. Elas vestem biquínis, triquínis e fazem topless. Eles optam pelos calções curtos ou a meio da perna, outros vestem ainda as importadas sungas. A bandeira exposta a anunciar calmaria. Pais e filhos, avós e netos, casais e grupos. No horizonte, a imaginação. Voltamos ao carro, aquele verde que lembra alegria. Tão chamativo. Alguém, de porta aberta, troca o que traz calçado por uns ténis de corrida. Vem equipada a rigor. Levanta-se, fecha a porta e começa a correr. O cenário é o mesmo. O propósito é diferente. As pessoas fazem e vivem os lugares. Experimentam conforme o traço. O perfeito nível de personalidade.

2.9.14

Época de cores quentes.

Volta as costas para a janela, entreaberta e de cortina a vibrar. Nasce uma silhueta sentada numa secretária de madeira. A divina postura e o divertido balanço de cores com que joga o sol. De um papel de medidas certas, cor forte. Verão num quadrado. Sol na luz e granulado da folha. Desenha um cisne com a coerência, sensatez e simplicidade de quem não pensa. Faz. Como se a candura de não ligar acções e pensamentos fosse um dado adquirido. A sala ganha tons e sombras. Este bocado de papel é um recorte de alguém. O verão é, senão outras definições, um pedaço. De alguém. De quem e a quem importa.

7.8.14

Gosto de riscas.

Há naquele toldo de riscas a condizer, qualquer coisa de atraente. Chama-nos ao pormenor. É decoração a céu aberto, bom gosto ao serviço de quem lhe souber aproveitar. Convida a atenção a sossegar-se ao seu lado. Lista sim, lista não. Risca de uma cor, risca seguinte de outra. Repetem-se os dois tons. Característica de verão quente. Recuamos décadas, mas esquecemos, por ora, um fragmento da história deste país. Verão quente, mas noutros moldes. O branco é rei. Cheira a mar desassossegado na temperatura, cordial no vai-vém. Algumas pessoas, de corpos vestidos com o rigor da estação, olham o toldo e sorriem. Outros, deixam-se parar. E comprar. É pura memória. É dos tempos de uma linha onde os ascendentes tinham, por esta altura, vida com vagar. É um toldo, mas faz recordar. Verão, na linha ou noutro ponto, é um gelado na mão. Uma família a passear, um toldo por onde passar. No fundo, memórias que, sem esforço, fazemos por guardar.

4.8.14

De soslaio num Algarve de agitação sem fim.

Praia, sol de quando em vez, esplanadas carregadas de gente, conversas e bebidas frescas, uma típica aragem de fim de tarde num dia de céu mais buliçoso. Pelo Algarve de pessoas sem fim. No Algarve que vive o ano inteiro, mas exprime excelso movimento por esta altura. Verão quente, como dantes. Verão desregrado, como agora. Chegados ao portão grande, aguardamos que a câmara de vigilância nos anunciasse. Aguardamos no carro. Havia sossego, do que nos era possível entender. Contudo, esperar-nos-ia uma festa. Por fim, abriu-se o portão. Entramos. Fomos recebidos e convidaram-nos a entrar. Bem-vindos, desfrutem. Disse-nos o dono da casa enquanto nos encaminhava para o jardim, um patamar acima da piscina. As colunas estrategicamente colocadas pelo espaço, salpicavam o ambiente. O resto, quando for propositado, saber-se-á. De qualquer modo, não deixou de ser um agradável amuse bouche para o aniversário que se seguiria. Algarve, mar de qualquer destino.

11.7.14

Plano de uma peça.

O carro num tom verde alface, tão chamativo como desconcertante no meio-termo e inócuo corredor de estacionados. Todos de cores iguais. Junto à praia, permitindo avistar os muitos chapéus-de-sol, também eles todos similares. Quase repetidos. Dois ou três tonalidades. Duas ou três marcas expostas. A postos, os nadadores salvadores. As ondas a rebentar levemente, os pés a conhecerem a temperatura do mar. As toalhas estendidas, os corpos a ganhar cor. O sol a dispensar detalhe, dá de oferta uma vida diferente aos lugares. Jogam à bola e não dispensam as raquetas típicas. Ouvem-se vozes sem parar. Por trás, bicicletas a passar. Elas vestem biquínis, triquínis e fazem topless. Eles optam pelos calções curtos ou a meio da perna, outros vestem ainda as importadas sungas. A bandeira exposta a anunciar calmaria. Pais e filhos, avós e netos, casais e grupos. No horizonte, a imaginação. Voltamos ao carro, aquele verde que lembra alegria. Tão chamativo. Alguém, de porta aberta, troca o que traz calçado por uns ténis de corrida. Vem equipada a rigor. Levanta-se, fecha a porta e começa a correr. O cenário é o mesmo. O propósito é diferente. As pessoas fazem e vivem os lugares. Experimentam conforme o traço. O perfeito nível de personalidade.

24.3.14

Aumentar a parada.

Olha, senta-te aí. Ficamos a olhar. Senta-te no passeio, sobreposto. Deixas, sem medo, os pés a marcar a estrada. Afagas a máquina fotográfica no colo. Aqueces-te com o cachecol, as luvas e o sobretudo. Atinas a vista, fugindo do sol invernoso, com os óculos de sol. Do lado de lá está uma montra pejada de livros. Carregada de títulos. Sobrecarregada de quadros na parede. Acumulando memórias. Vamos namorá-la antes de entrar. Aprecio convites súbitos. Aceito, claro. Temos tempo.

13.3.14

Café da manhã.

A janela fica sempre a descoberto. Não cerra as portadas, porque lhe roubam mais sol do que o pretendido. Não usa cortinas porque desmaiam a luz. O despertador, contava-me, toca sempre no momento mais inoportuno. No instante contado em que o melhor da metamorfose acontece. Em que, estendido na cama de todos os dias, avesso na postura, o corpo cede tempo. Eleva-se-lhe, disse-me tal e qual assim, eleva-se-lhe o espírito e entra numa zona possessa, rítmica, desconstruída, sexuada, pujante e descontraída. Sem artimanhas banais. É possível. Acontecem-lhe, com frequência, os sonhos que lhe excitam a mente e o corpo. E nem precisa de sexo ficcionado no cardápio. Reduzir excitação e prazer ao sexo teórico, não compensa. É travestir. E, tudo volvido e vivido, são horas de levantar. Guardou a memória. Mas não esquece. Não consegue esquecer que, até no sonho, ficou pela metade. Entendes, perguntava-me enquanto o açúcar fugia-lhe das mãos, antes de envolver e casar com o café. Vou-me embora.

17.2.14

Faixa dois.

Prazeres em revista, rematou ela. As noites não correm sempre. Só para não perder, só para não dar hipóteses. Deslumbrante, justa, flexível. Vem do recobro. Uma manhã destas, das que oferecem sol no imediato do nascer, começou cedo. O compasso acompanhado. Mitiga o frio, que luta pelo título maior. Da porta para dentro é diferente. O iPod ligado às colunas, passa, entre outras, uma faixa de Adriana, a portuguesa. A televisão está muda, propositadamente sem pio. Mas repete um episódio de uma série intemporal. Sobre relações. Opina, desobediente, sobre elas e eles. Das que são talhadas, ao pormenor, para mulheres mas que, não se iludam, os homens espreitam. Apreciam, de quando em vez. Não vou fazer referência às legendas. Senão esta. E segue-se outra faixa de Adriana, a portuguesa. Que conta vidas corridas em sopros, com a melodia de quem é bafejado pelo dom. Na televisão discutem-se frivolidades. Que são o motor, bem sabemos. Contra factos, não há argumentos. Podem andar de mãos dadas, aqui ao vivo, ou na televisão em repetições em bruto. Qual diamante. As vozes também. Não há lados nem lugares certos. Ouve o que quiseres. E dá a mão a quem bem entenderes.

20.12.13

O detector de estudantes internacionais.

Num cumprimento quase desconhecido, dizem-me que tenho ar de quem estudou fora, noutro país. Logo no dia em que dispensei as lentes de contacto e que me permiti oferecer destaque aos meus excepcionais óculos graduados. O dia espalha sol sublinhado, aos molhos, por um feito paralisante, tanto é o frio que nos assalta. O cabelo, trago-o num desarrumado trabalhado. A barba, aparada num digno subjectivo. Sinto-me internacional e nem saí do lugar. Não viajei para estudar. Passem-me para cá o passaporte. Tenho carimbos pendentes. Ficamos assim?