Hoje
já tive oportunidade de partilhar este jogo, porque é verdade. Gosto de brincar
com as palavras. Gosto do português de mil maneiras. Opto, quando o espírito
não tem tiques de abantesma, por usar dos significados, da surpresa de nunca me
repetir. Embora, saiba tão bem, me aconteça amiúde. Num acaso que é tão acaso
como cruzar com alguém a quem conhecemos as rotinas. No caso, voltei a tomar
encontro com uma das mais ouvidas músicas, num tempo em que a idade escolhia
conforme a resposta de cada batida. A música responde. Porventura, nasce daí a
tendência de procurar, com maior ou menor frequência, um determinado estilo. Soa-me
bem o italiano. Já escrevi e já o disse. Embora, à excepção deste tema e de
outro, nunca me lembro de ouvir cantar nessa língua. Estava a ouvir música
italiana. Uma indefinição de estilo. Falam de um pop com destemidas influências. Inclusivamente, este
cantor/compositor não deixa de salpicar este pop italiano com um notório hip-hop.
Nisto, toca o telemóvel e resta-me um padronizado toque. Reduzimos as
diferenças ao ponto de, numa sala com algumas pessoas, em tocando, todos
procurarem o telemóvel.
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25.9.14
5.6.14
Em diferido. #10
Um
beijo e um segredo - Pode, no desenrolar, não fazer sentido, mas a ocasião é
portentosa e valiosa, qual sorriso. No sossego, queremos saber do envolvimento
que faz bem ao ânimo e que sugere a pausa obrigatória. O telemóvel toca, agora
não sabemos se é uma chamada perdida, uma mensagem pendente, uma fotografia do
cão na praia ou de sushi a chegar ao Instagram ou uma novidade, mascarada de likes, marcações em fotografias ou
convites sem voz, numa qualquer outra rede social. Adiamos, por força da
procrastinação. Porque, a dada altura, não interessa assim tanto. Mas, porque
eles insistem, rendemo-nos à evidência da curiosidade, e vamos ver. Não sei bem
que respostas havemos de devolver às solicitações cruelmente repetidas. Enfim,
percebo que não. Há fotografias várias, convites sem sustento, likes a inventarem atenção, mas a
mensagem é outra. Vem de lá, do número que nos leva para o remetente que
procuramos sempre. E é tremendamente pontual, ao mesmo tempo que está carregada
de sentimento. É, inequivocamente, um sinal de lembrança. É sedutor e pesado.
Ela não sabe tudo, mas é melhor nas emoções, no seu tratamento e na forma como
as fala. Por tudo, e por muito mais, é que não deixo de querer comer algodão
doce com ela. E dizer-lho ao ouvido.
3.6.14
Perdeu o chão.
Desceu
do lugar do pendura. Bateu com a porta do carro, meio desavisada, um pouco
incomodada, sem mostrar a razão. Fiquei à espera. Seguiu, bateu o portão.
Passou a porta de entrada. Bateu-a, também. Parou no hall, lembrou-se que vinha da discoteca que não visitava há algum
tempo. Daquela que toda a gente fala e que, explorada muitas vezes, perde a
graça e deixa-nos extenuados. Depressa se esqueceu. E voltou a cismar com a
razão do arrufo. Guardou-o para si. Aventurou-se nas escadas, para seguir para
o andar superior. Envolvida com as mais recentes novidades que nele seguiam
sucessivas, perdeu o chão. E o telemóvel. Caíram. Ambos. Relatou-me no dia
seguinte, quando me contava que estava sem telemóvel. A imaturidade é lixada. São
memórias. E já lá vai o tempo. Nunca me contou a razão. Nem sei por que razão me
lembro disto agora. Já não pisamos o mesmo chão. Vou deixar de ouvir,
aleatoriamente, músicas guardadas no tempo.
30.5.14
Da miopia captada à mercê de um telemóvel. #6

Doçura, candura, cores e
travessura. Espaço para, lá ao fundo, a brincadeira se desenhar no carrinho. O
entusiasmo e o carinho, apoderam-se, livres, dos olhos e dos movimentos das
mãos. Que aplaudem, enquanto sorri. Já lá vai o tempo da expressão, mas faz
sempre todo o sentido. As crianças, nossas e felizes ou longe e dos outros, são
o melhor. Do mundo.
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24.4.14
Democracia. Portugal.

De lá para cá. Do vinte e cinco
de Abril, do tão revolucionário ano de mil novecentos e setenta e quatro. Da
Democracia em Portugal, tenra no percurso. De estrutura manca, por lhe faltar
experiência e experientes. Do mesclado de intentos vários. Contudo, que nunca
se castre, mesmo que se questione, o que nasceu daí. Mesmo que nos surja
desfocado. Mesmo que nos vendam o percorrer da miopia ideológica. Há questões
de uma vida que se espalham por aí. Porque nem tudo o que nos servem numa
bandeja adornada, é elegância. E a sobranceria que se opõe, tantas vezes se
sobrepõe.
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25.3.14
Um beijo e um segredo.
Pode,
no desenrolar, não fazer sentido, mas a ocasião é portentosa e valiosa, qual
sorriso. No sossego, queremos saber do envolvimento que faz bem ao ânimo e que
sugere a pausa obrigatória. O telemóvel toca, agora não sabemos se é uma
chamada perdida, uma mensagem pendente, uma fotografia do cão na praia ou de sushi a chegar ao Instagram ou uma novidade, mascarada de likes, marcações em fotografias ou convites sem voz, numa qualquer outra
rede social. Adiamos, por força da procrastinação. Porque, a dada altura, não
interessa assim tanto. Mas, porque eles insistem, rendemo-nos à evidência da
curiosidade, e vamos ver. Não sei bem que respostas havemos de devolver às
solicitações cruelmente repetidas. Enfim, percebo que não. Há fotografias
várias, convites sem sustento, likes
a inventarem atenção, mas a mensagem é outra. Vem de lá, do número que nos leva
para o remetente que procuramos sempre. E é tremendamente pontual, ao mesmo
tempo que está carregada de sentimento. É, inequivocamente, um sinal de
lembrança. É sedutor e pesado. Ela não sabe tudo, mas é melhor nas emoções, no
seu tratamento e na forma como as fala. Por tudo, e por muito mais, é que não
deixo de querer comer algodão doce com ela. E dizer-lho ao ouvido.
20.3.14
Da miopia captada à mercê de um telemóvel. #4

Abandonar uma cama nunca é
igual, nem é um refúgio da simetria. Depende do que lateja para lá dos lençóis,
aqui brancos e de suave trato. Importa se deixarmos amor e vida. Como um hotel,
em ocasiões, jamais será, apenas e só, mais um hotel. Vale-lhe o propósito. A
companhia ou a ausência. Batemos a porta, descemos no elevador, e esquecemos. À
primeira.
12.3.14
Da miopia captada à mercê de um telemóvel. #3

Sei que, às vezes, ele vai
tirar umas fotografias junto ao rio. Ou ao mar, depende do tempo. Leva uma
daquelas máquinas fotográficas maiores. E pretas. De bom ar. Já o vi algumas
vezes. Ainda mal vai o dia nascendo, já para lá caminha. E parece um fotógrafo.
Trocamos umas palavras. É um miúdo moderno de cabeça no sítio. Bom rapaz, é um
bom rapaz. Frisou o senhor a alguém que me é junto. E, mesmo sem ele saber,
agradeço-lhe. Obrigado!
5.3.14
Da miopia captada à mercê de um telemóvel. #2
AAAHHH! Fá-lo com ganas. Como
se vivesse tudo ao redor do tom. Dos decibéis. Até no silêncio. Começa tudo no
ênfase da entrega. Começa tudo no desenho da letra. Do A. Do A que inicia a
palavra amizade. Toda ela é amizade. Toda ela começa por A. AAAHHH!
A protagonista vai perdoar-me a exposição.
A protagonista vai perdoar-me a exposição.
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