Imagino Mozart a irromper, numa sinfonia completa. Entre vinhas vistosas e verdejantes. O soalho é terra de verdade, pisada pelos senhores sabedores e pelos analfabetos da situação. Corredores e mais corredores, tantos sem fim. Imagino galerias, que por ser lerdo, permito-me inventar e largar na mais profunda errata. As folhas têm toque de rainha abismada. E os cachos são límpidos e certos. O ambiente compõe-se, assim, ao jeito de uma sequela da sétima arte. Devolvemos a passada e é acontecimento de verdade. O horizonte é infinito e perdemos a herdade de vista. De costas para a quinta, imaginamos o norte, que os olhos já não alcançam a arquitectura esbranquiçada adornada com a pedra escura. Vamos ao jeito da vontade e da curiosidade. Conhecer e, se possível, aprender. Lá em cima, logo à chegada, um copo servido com o vinho que ganha fama de qualidade. O mote para aguçar a necessidade de saber mais. A convite de uma amiga, agora senhora erudita da vinicultura, lá fomos à descoberta. Lamento, sempre que o vinho partilha a atenção da refeição, não saber mais sobre os processos empregues na sua feitura, assim como, na evolução que o desenvolvimento da qualidade vem sofrendo. Foram, com certeza, umas horas de excelsa convivência e aprendizagem. A suficiente, espero, para não me perder numa próxima. A mesma amiga, cicerone de serviço, impecável na sua posição, foi-nos falando da actualidade. Desmente os rumores, não admite casamento. Largou tudo na cidade, o noivo, a apatia e a infelicidade. Pensar que esta jovem mulher fora, em tempos, vítima de uma relação absolutamente nefasta. Embora, recusasse o semblante lutuoso, foi, a dada altura, perceptível o mal que vinha causando. Física e, por demais, psicologicamente. Agora, brindámos ao sucesso, à vinha rainha e ao amor-próprio. De copos bem servidos, ao alto, rimos de muito. Neste instante, oiço Mozart e não me engano. A música de grau elevado favorece o guião. A ti, ao vinho bom e ao amor que é libertador. Cheers!
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24.3.16
11.9.14
Glosar enquanto toma um vinho.
Desliguei
a pretensão deste acto se tornar num mote. Pelo menos, vistoso, válido e
pertinente. Mesmo com o ambiente certo à volta. As paredes seguram molduras
para não esquecer. As paredes têm um tom gasto, propositado. O matizado de dois
tons. A moda evoluiu, a decoração de tantos espaços mantém-se fiel. Ao
proprietário, à sala, aos clientes que o procuram e, inevitavelmente, voltam.
Tenho para mim, que à essência. A madeira que sobe desde o rodapé até à medida
certa. As toalhas de ponto trabalhoso sobre a mesa. O vinho tinto que chega
como deve ser pegado. O requinte e a malvadez dão as mãos. Pernicioso, este
atentado que é a vontade de escolher sem conhecer. Perde-se o desenvolvimento,
pelo mote mal interpretado. Surpresa. Pode servir.
11.2.14
Um copo de vinho a descansar com a lareira ao fundo. E um nome cortado.
Enquanto
a lareira queima, a gosto, a lenha que lhe coube em sorte, o vinho frutado
tinto, respira. Para salientar e definir. Um tom repousado. Agora, que paro,
sei que necessito de uma formação na área dos vinhos. Infelizmente falta-me
cultura enológica. E tempo aliado à disposição. É um julgamento sentido. Mas,
enquanto o cenário se compõe, também com as horas a baterem no pesado relógio
de parede, permito-me pensar que não entendo o peso e a importância de um nome.
Ou, antes, de um sobrenome. Parece uma arma de arremesso. Uma necessidade
tacanha de deturpar vidas. Como se, porventura, um sobrenome elevasse ou fustigasse
alguém. Como se conhecêssemos e reconhecêssemos, a priori, o íntimo do outro,
assim se apresentasse apoiado num extenso ou num corriqueiro sobrenome. Galopa
o girar da incapacidade de gerir acções e emoções. Torna-se fácil e banal
apontar o dedo. Até, imagine-se, pelo peso e tamanho de um nome. Putativamente
desgastante. Também me recordo que, há uns tempos, numa situação social algo
informal, apresentaram-se e apresentei-me. Disse-lhes o meu primeiro e último
nomes. Dispensei os restantes. Como sempre faço, por força da razão e do
hábito. Retorquiram que eu era tomado de um empirismo arraçado e peneirado de
um registo altamente formal. De uma certa intelectualidade. Até para a minha
tenra idade. Tanto quanto me recordo, quando me ensinaram, chamaram-lhe
educação. E eu sorri ao cavalheiro. Mas não dispensei rematar a conversa com o
meu ponto. Tornei a apertar-lhe a mão. Vulgar como tropo. E ainda me falta
aprender tanto sobre vinhos. O meu pai esqueceu-se. Prioridades.
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