Há sensivelmente quatro anos, quando ia a passar junto de uma paragem de autocarro, saltou-me à vista um casal que se aproximava da mesma. Pergunto-me porque me chamaram a atenção. Ainda hoje acredito que o que tornava aquele casal diferente ou pelo menos especial era a forma como se deslocavam... Depois, ele visivelmente mais abatido que ela denunciava uma fragilidade que era segurada com garra pela companheira. Exalavam amor e não teriam menos de 80 anos cada um. Ah, a roupa que traziam também era especial. Ela, bastante mais baixa que ele, de cabelo para lá dos ombros, mostrando-o como um véu, totalmente branco. Envergava umas meias às riscas pretas e brancas, uns botins pretos de salto, uma saia rosa e acabava com uma blusa verde. Pode parecer excessivo, aqui, na minha descrição, mas nela, não era nem vulgar nem demasiado.
Hoje, quatro anos depois, nunca mais os vi, nem mesmo naquela paragem de autocarro. Quero acreditar que nada mudou nas suas vidas, que mantêm o amor e o respeito, a mão com mão e a ousadia no vestir.
Se calhar, um deles já não está entre nós e o outro desistiu de percorrer um caminho que já não é dele, era somente deles. Ou, quem sabe, partiram, uma vez mais, de mão com mão e, tenho a certeza, com o melhor que o roupeiro lhes deu.
Que bonito o que escreveste....
ResponderEliminarEu tenho sempre vontade de fotografar estes casais.....são especiais...mantêm-se unidos ANOS FORA..... ;)
Obrigado! :)
EliminarTambém tenho sempre vontade de "marcar" momentos como este. São excepções a algumas regras que vamos conhecendo. Afinal, o amor existe.
è verdade....Ali vence o amor e a amizade e o carinho ....e vê-los de mãos dadas...é do mais enternecedor que já vi.....;)))))
EliminarÉ isso. Deixa-nos desarmados a observa-los. É reconfortante.
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