19.10.12

Saí à rua.

Não quero cair na repetição mas, neste momento, é inevitável. É impressionante a forma displicente com que tratamos aqueles e aquilo que gostamos quando nos encontramos bem e felizes. Por essas alturas recusamos a necessidade de outros e recuamos aquando da verdadeira vontade de nos encontrarmos. É infalível. É recorrente. Não vale a pena contrariar. Por seu turno, quando estamos mal e infelizes, não raras vezes, corremos atrás daquilo e daqueles que negligenciamos e que optamos por colocar à margem da nossa vida. Somos assim, mas não somos iguais. Não quero generalizar, porque caímos sempre num perigo que não merece a pena, mas somos, tantas vezes, assim.
Enfim!
 
Situações rotineiras à parte, não resisto mostrar um excerto de uma conversa (sim, conversa é o termo correcto neste contexto) que tive, há uns tempos com uma senhora absolutamente encantadora. Não vou, de momento, mostrar na íntegra, porque, a seu tempo, esta conversa tomará outra vida e outro espaço.
 
"Saí à rua" e contaram-me isto:
 
"A dona N. é uma senhora septuagenária, que recusa esconder a idade e assume, entre risos, a pessoa que é mas, acima de tudo, a mulher que foi. Entre fado e risadas, apresenta-se sempre no seu melhor e recusa ser politicamente correcta."
 ...
"Voltamos à risada fácil mas verdadeira e ao tom melodioso na voz, entre uma e outra memória. Disse-me que rir e cantar é a grande e maior herança que havia recebido da mãe e, de mão posta garantiu-me, fez por guardá-los para sempre. E cumpriu, não tive dúvidas."

Gosto da dona N. E vocês?

6 comentários:

  1. UMA LADY!!!
    Já nao somos dessa massa....
    Real...já tinha saudades tuas :)
    beijinhos

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    1. Óptima definição. Obrigado!
      É isso mesmo, a dona N. é uma verdadeira lady, uma senhora que, como dizes, talvez seja cada vez mais difícil encontrar. Eu adorei passar aquelas horas sentado com ela à conversa.

      Obrigado. Eu, embora nem sempre consiga, também adoro passar pelo teu espaço. Animação e realidade, tens sempre para nos passar.

      Beijinhos

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  2. Ela é que a leva direita, grande sabedoria, e bom fim de semana.
    Oh pá acaba lá com isto de ter de provar que não somos um robot, ninguém gosta :)

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    1. A dona N. reservou toda a sabedora que veio encontrando ao longo da sua preenchida vida. Soube apreende-las e hoje é um exemplo. Adorei, francamente, estas horas de conversa.

      (Entretanto julgo ter acabado com "a prova do robot". Caso não tenho conseguido, avisem-me!

      Um excelente fim de semana.

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  3. Respostas
    1. Com toda a certeza. Já a imaginava assim, mas fiquei ainda com mais certezas. :)

      Bom fim de semana

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