30.9.13

De malhas entre os dedos, conversam atentas.

Conversam e tricotam, à porta, num banco gasto de jardim, de madeira. Porventura, o pretexto perfeito para o exacto acto de controlar as entradas e saídas. O frenesim funesto, as pessoas a viverem. Logo depois, rematam o tricot e o movimento do dia. Sabem os nomes, dão os bons dias, as boas tardes. Sabem os andares de cada rosto. Sabem os horários e profissões. Faladoras, têm sempre um sorriso e uma pergunta fortuita. Mesmo que sejas visita. É o caso. E conversam. E tricotam. Estranhamos. Afinal, curiosidade vizinha à parte, ainda há quem fale e saiba o nosso nome. Mesmo que sejas um transeunte. Ainda há quem não se cale e baixe a cabeça. Mesmo numa grande cidade. Mesmo que, sob o pretexto da curiosidade.

4 comentários:

  1. pois ...sabem até demais diria ;)
    Lá está, são as verdadeiras pérolas da nossa ainda cultura bairrista...
    Não sei o que o futuro me destina, mas não me vejo a tricotar á porta a controlar a vida alheia..... ;)
    Ainda assim espero ser daquelas velhotas que se recusam a parar e passam a vida em excursoes e bailaricos... ;)
    beijinhos

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    1. Sabem, efectivamente, demais. Também acho.
      Não acredito que, pelo que venho lendo, te entregues à vida de atenta vizinha. A versão final, parece-me, adequa-se mais ;)
      Beijinhos

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    2. :)
      Tu não fazes ideia...do que eu gosto dessas senhoras tricotadeiras.....ah melhor... não fazes ideia da cara 1358, super afável, quando me tentam sacar alguma informação..... sou do mais Afável que pode haver!!! imaginas.....
      ehehheh
      Beijinhos

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    3. Imagino, com certeza. Elas fazem-no como ninguém. Talvez se confunda com uma actividade como outra qualquer ;)
      Elas existem, não temos dúvida. Mas só sabem o que permitimos que saibam.
      Beijinhos

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