6.11.13

As datas, tratando-se de números, importam o que importam. Guardemos na memória o que resta.


 
Há sensivelmente quatro anos, quando ia a passar junto de uma paragem de autocarro, saltou-me à vista um casal que se aproximava da mesma. Pergunto-me porque me chamaram a atenção. Ainda hoje acredito que o que tornava aquele casal diferente ou, pelo menos, especial era a forma como se deslocavam... Depois, ele visivelmente mais abatido do que ela, denunciava uma fragilidade que era segurada com garra pela companheira. Exalavam amor e não teriam menos de 80 anos cada um. Ah, a roupa que traziam também era especial. Ela, bastante mais baixa que ele, de cabelo para lá dos ombros, mostrando-o como um véu, totalmente branco. Envergava umas meias às riscas pretas e brancas, uns botins pretos de salto, uma saia rosa e acabava com uma blusa verde. Pode parecer excessivo, aqui, na minha descrição, mas nela, não era nem vulgar nem demasiado.

Cinco anos volvidos, nunca mais os vi, nem mesmo naquela paragem de autocarro. Quero acreditar que nada mudou nas suas vidas, que mantêm o amor e o respeito, a mão com mão e a ousadia no vestir. Se calhar, um deles já não está entre nós e o outro desistiu de percorrer um caminho que já não é dele. Era, somente, deles. Ou, quem sabe, partiram, uma vez mais, de mão com mão e, tenho a certeza, com o melhor que o roupeiro lhes deu.

4 comentários:

  1. Tu és um Romântico!!
    Gostava de acreditar que sim...que se mantêm unidos. Seja pelo amor que exalavam, seja pelo destino que os tenha mantido "eternos"....amores.
    Que o amor não morre com a morte....
    E a roupa, será ainda mais colorida....cheia de glamour.
    Beijinhoss

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    1. Não sei, sinceramente, se sou romântico. Terei momentos. Agora, quando assisto a pessoas e momentos que me parecem raros, não deixo de prestar atenção. Nem conseguia de outra forma.
      Também me fico por essa vontade. A de acreditar, quem se gostar, juntos para lá disto tudo. E, que o amor não morre no físico esgotado.
      Glamorosa, como manda o dress code ;)
      Beijinhos

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    2. O amor, não morre....
      Eu, continuo a acreditar que o Amor, apenas se torna mutável...ajusta-se....
      A morte física, neste caso apenas leva a presença humana, o sentimento permanecerá juntamente com a saudade...
      e por isso também acredito nos que se deixaram ir.....que a saudade os levou mais rápido para junto dos seus....
      :)
      Beijinhos

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    3. São alguns os relatos que vão de encontro com isso. Numa idade considerável, um dos membros parte e, pouco depois, segue-lhe o outro. Talvez seja o amor que mata. Misturado com a saudade.
      Beijinhos

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