12.11.13

As fontes das nossas cidades.

Cidade é gente. A criatividade aguça a moderna actualidade. Das pessoas e dos lugares. As pequenas cidades, assim conhecidas, guardando o passado e, recusando, a cada momento, o rotulo de ultrapassadas e paupérrimas, fazem-se novas, jovens e dinâmicas. Quando as vontades cimeiras, os cofres e as gentes se fazem empreendedoras. Quando, não se esquecem que, cosmopolita e na moda pode ser o que entendermos. Quando não têm as lojas das marcas sobejamente visitadas e comentadas, número sim, número sim. Mesmo quando o centro histórico é pouco dinâmico. Quando as grandes discotecas e bares da moda são tomados pelos salões de baile e pelos bares escuros, onde se batem copos de vidro baços e se canta karaoke alegremente. As linhas de metro cedem e, encurta-se a distância com sete ou oito linhas de autocarros, de cores vivas, cujo nome é para lá de imaginativo. Quando os hipermercados atrofiam as pequenas mercearias e estão a cada esquina. Muda apenas o nome. A pressa no andar, cabisbaixos, talvez, seja o que mais se assemelha. Os teatros, nas cidades descentralizadas, são esquecidos de receber peças de teatro. Os grandes nomes da música que ganham rotina no top de vendas, surgem de longe a longe, quando assim é. Os sotaques não esmorecem. As avenidas são pequenas. Vale-lhes a música a soar dos rádios do carro. As rotundas aparecem sempre. E calemo-nos. Porque, cidade grande ou pequena, os interesses enviesam e toldam as acções. Quando as gentes não se fazem valer e não se cultivam, não importa o nome, a área, o número de habitantes nem, tão pouco, a vida cultural. Centremo-nos, à priori, na construção de cada um. Eduquemo-nos. Sempre. Para fazermos da nossa ou da cidade que nos recebe, um centro de cultura e educação, onde de pequena e vazia, nem a fonte que tem nome de poeta.

4 comentários:

  1. Que texto lindo.....
    tão realista, assustadoramente realista.
    da cidade nua e despovoada, do andar a correr...tudo anda a correr, perde-se o contacto com o Sr. João da Mercearia, da Padaria, da Drogaria...xiiiiiiiii as drogarias....essas quase extintas...
    Perde-se tanto neste ritmo louco e desenfreado de viver!
    beijinhos

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    1. Obrigado! :)
      Fazendo parte, não é essencial, esse ritmo que tomamos como o correcto. Sob pena de não cumprirmos tudo o aquilo a que nos propomos diariamente. Pois, passando sem viver os lugares, natural é que se percam, extingam. Desapareçam. Não há milagres. Não havendo pessoas e consumo, o resto perde-se.
      As drogarias! Quase não as conhecemos já.
      Beijinhos

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  2. existe uma dimensão que chamo de dimensão oculta que faz a diferença entre a ocupação dos espaços... essa dimensão é a cultura .

    abraço

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    1. É inequívoco. Sou totalmente de acordo. Os lugares podem ser arquitectonicamente esbeltos e vividos por muitos números de pessoas, contudo, faltando-lhes, às pessoas a cultura, perde-se o fundamental.
      Abraço

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