7.1.14

Despedi-me do teu corpo.

Horroriza-me que o meu país seja paupérrimo, também, e sobretudo, no que concerne à cultura. Não a permitem democratizada. Não se incita o sentido estético. Não se convida o português correcto. Por ausência de conhecimento, caricatura-se o que apelidam de ridículo. Não se vê cinema português, quando ele acontece. O teatro é, demasiadas vezes, o parente pobre. Os bailarinos mostram e atestam talento lá fora. Os artistas, plásticos ou outros, fazem nome e ganham estatuto nas grandes montras do mundo. A música, quando de autor, não é ouvida. Os museus perdem-se, por não serem primeira ou, tão pouco, segunda opção. Os livros não são um hábito, o preço não convida todos. Tanto, mas tanto que se perde por obra de macérrimos pensamentos e irrisórios orçamentos. É caso para sugerir que nos levem tudo, tudo aquilo que quiserem. Não procurem, mais tarde, as vanguardistas soluções, tão vistosas e infalíveis, porque ficamos nos primórdios da ignorância. Quando nos faltam as bases da arquitectura evolutiva de uma sociedade, esgotamo-nos, facilmente, nos actos e conceitos banais. Perdoem-me, mas gosto do cheiro, do toque e do desenho de um livro, do som de um disco a tocar num leitor, até de um bilhete guardando memórias. Enche-me de entusiasmo ver representar sobre as tábuas de um palco. Estamos pobres, porque estamos. Sabemo-lo de cor, tal a realidade. Mas privamo-nos do essencial. Não se riam porque não conhecem e, assim, vos faltam argumentos. Avancem uma virtuosa palavra. O léxico também nos importa. A saque, mas imperativos e assertivos, assim nos cultivemos.

4 comentários:

  1. ui.... nem sei se posso comentar.....pois sou culpada de todos os delitos aqui designados....
    Museu...o ultimo...museu dos coches há 2 anos... problema ...são caros e também as crianças pagam como adultos...a não ser os de colo e eu já não consigo carregar 30 Quilos... :P
    Os livros... já confessei este crime..seria masoquista...:)
    O teatro...pois...
    O cinema português... é... vou pouco ao cinema e ver um filme português ainda não fui...verdade!
    Mas, e delitos à parte, não há como o som de boa música, como o cheiro das salas de cinema antigas, os bilhetes escritos há largos anos...carregados de duvidas e sentimentos....e os livros, que nos fazem viajar, pelas linhas da imaginação de alguém....
    A internet, vai culmatando um pouco dessas falhas....mas não cheira, não sente, não vibras da mesma forma!
    Beijinhos Real!! :)

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    1. Podes comentar, com certeza!
      Deve ser difícil encontrar alguém que se dedique a 100% a todas estas áreas como espectador, leitor ou ouvinte.
      Eu, que neste texto acabo de lamentar a distância e o desinteresse de muitos de nós pela arte e pela cultura, também me devo confessar. Não sou o mais atento ou o mais dedicado, por factores vários, mas sempre que possível, estou perto.
      Não me incomoda que o tempo se consuma noutras actividades, muitas vezes é varrido pelas questões quotidianas e contra isso, embora, hajam alternativas, nem sempre é possível fazer frente.
      Não há mesmo, para mim, melhor do que tocar as coisas, cheirá-las. Mas, o mais importante a reter é que sem cultura, não há evolução. Digo eu.
      Beijinhos

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    2. e dizes muito bem, como sempre!
      A cultura, estende-se a tantas áreas... não são colocadas como parte do currículo escolar, aí sim acho que há uma falha. Pois apostam apenas nas tecnologias...o futuro, como chamam!
      mas depois falta ....tudo resto!

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    3. Agradeço! ;)
      A cultura não é estanque. Felizmente, por isso, é um bem tão relevante para uma sociedade que se quer actualizada e rica.
      Falha a visão do enquadramento curricular. Porque se pensa demais, aposta-se numas áreas em detrimento de outras. Falta coerência.
      É uma longa discussão.

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