8.1.14

Em diferido. #2

Adoro relógios. E, garantidamente, tenho o melhor relógio de sempre em minha casa. A medo, nunca o uso. Como se o medo de perder a sua identidade e memórias fosse maior que o desejo de perpetuar no pulso, a memória de quem, merecidamente, jamais será esquecido. Adoro relógios. Tenho alguns. Apenas, não uso o melhor. Porque, desde sempre, guardo para mim o melhor. E o meu avô, quando partiu, deixou-me o melhor. O melhor relógio de sempre.

4 comentários:

  1. Parece-me que te deixou bem mais que um relógio..... o relógio apenas ajuda a perpetuar o que de físico ficou....
    Devias usa-lo...em casa... porque não importa onde o usas, aliás, minto....importa sim! E queres melhor sitio que o lar? esse lar onde também o teu avô se enquadra??!!!
    Acima de tudo, parece-me evidente o tic tac..... do amor!
    Beijinhos :)
    Até já

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    1. É bem certo, que o relógio é uma peça, um objecto que simboliza, fisicamente, a presença do meu avô. Não lhe chamaria indutor de memória, porque não é preciso. É, antes, uma certeza de que há quem fique para sempre.
      Usá-lo, ainda que, esporadicamente, podia ser simbólico. Quem sabe :)
      Obrigado.
      Beijinhos.
      Até já!

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  2. Também adoro relógios, sou absolutamente apaixonada! E melhor do que isso, peças com história... :)

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    1. É precisamente nisso que me foco, muitas vezes. As nossas paixões, muitas vezes sem razão aparente, são um conjunto de sentidos e recordações. Caso não tenham passado, ganhá-lo-á no futuro :)

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