Não
é fácil juntar pessoas numa mesa. Fingir que se conhecem, quando nunca se haviam
visto. Talvez, numa ou outra ocasião, tivessem oportunidade de ouvir o nome,
ler umas palavras sobre ou da autoria dos convivas inesperados. Nunca mais do
que isso. Mas a curiosidade matou o gato. E, em podendo, ninguém fica
indiferente à possibilidade de dividir uma qualquer refeição abstracta, num
prato de loiça fina, desenhado e pensado com o máximo e pertinente primor, com
um bom vinho nacional. Mesmo que a cumplicidade seja a única desistente da
reunião à mesa. Degustam o menu enquanto, todos eloquentes, vociferam palavras
ordenadas pela vantagem de ter um vasto – coerente ou não – currículo. No final,
se os recebêssemos à saída, dir-nos-iam que foi bastante agradável, produtivo.
Mas não sabem nada de quem os ladeou. Gabo a ginástica de forçar o ajuntamento
de pessoas. Seja à mesa, seja na cúpula de uma sociedade.
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