O
portão automático abriu, depois da campainha soar. Do lado de lá, um jardim
infindável, recusava mostrar o piso zero da vivenda. Um bonito e bem tratado
jardim. Muito trabalho e horas de entrega, estão espelhados ali. Entre o
colorido das plantas, surge uma senhora. Conta, com certeza falsificada, com
mais de setenta anos. Arrisquei para mim. Sorriu-me. Pediu-me que entrasse.
Fi-lo e retribui-lhe o sorriso. Dois beijos. Gabei-lhe o bonito jardim. Estava
à minha espera. Indicou-me o caminho para o interior da casa. Disse-me o nome.
Perguntou-me o nome. Seguimos para o salão. Ao centro, uma imponente e
portentosa lareira, ladeada por uma, não menos imponente estante. As paredes de
um amarelo pálido, os sofás ao centro. Sentamo-nos. Ali, à conversa. Foi
simpática. De estilo simples e despreocupado, fomos conversando. Temos, vim a
saber, pessoas em comum. Até aqui, desde que mostrei gostar do seu jardim,
explicou-me tudo. Lamenta a quantidade de água que despende. Vive, aos setenta
anos que lhe atribui, sozinha. Naquela casa. A rua, as pessoas, as suas
plantas, o seu jardim, são, com um sorriso, a sua companhia. A cada dia, não
dispensa sair e ver. Todos os dias, com verdade, mantém a necessidade de
socializar, muito viva em si. A senhora que tem uma vivenda é, também, a
senhora que tem e cuida de um bonito jardim. Não obstante, vive. Vive para lá
do portão automático. E gosta de viver. Gosta de ver pessoas e interpelá-las.
Gosta de tudo isso, quando, do portão para fora, não se refugia no jardim.
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