Janela
fora, surge um mundo, que da altura, foge ao olhar. De pés a suportar,
estende-se para lá do parapeito, forçando a segurança com as pequenas mãos. O
olhar, contrariando a estatura menor, abre-se excessivamente, em jeito de contradição.
Qual rotina, todos os dias, insistia conhecer. Não sabia o que viria de lá nem
o que assistiria para lá. Deste lado, sempre hirto e saltitando, espreitando
pela janela. Um dia, novidade, conseguiu descobrir. A janela aberta, agora à
sua altura, mostrou-lhe o que guardava para lá do que chamava quadrado. Para lá
do que perspectivava. Nesse instante, recusando e fugindo da imaginação,
conheci a paisagem das traseiras daquela casa. A casa de família. A praia,
misturando pessoas, mar e areia. O sol raiando sobre o jardim, reflectindo na
piscina iludida de azul deste lado dos muros. No fim de contas, era igual. Conhecia-o,
havia muito. Apenas, dali não via fracções do lugar. Via de uma forma
panorâmica. A curiosidade não é tacanha. Espicaça e dá frutos. Finalmente,
soube-o.
Há coisas que vimos todos os dias e que todos os dias nos podem trazer uma perspectiva nova...diferente até das anteriores....depende do estado em que estamos, do espírito como que observamos, da atenção, e até mesmo da idade em que a fazemos.
ResponderEliminarFelizmente que existem coisas que nos surpreendem quando as olhamos com menos ingenuidade do que do parapeito da janela à qual mal chegamos. É todo um processo de ver para lá de....
O mar.....ai...esse mar é o tal que nos leva ao encontro de tantas curiosidades..encontros com o nosso pensamento e imensidão do que nos traz paz. Mas isto sou eu....e a minha atracção não escondida pelo mar e seus benefícios :)
Como é bom.....poder ver para além da janela.....(ou não) ;)
Beijinhos
Todos os dias somos confrontados com novidade. Eu, por vezes, reparo em algo que sempre esteve naquele mesmo lugar mas que, por razões várias, nunca me havia chamado a atenção. E, no final, era dos aspectos mais interessantes da rua.
EliminarMas acredito, precisamente, no que dizes. A nossa atenção para algo ou alguém mede-se com a capacidade de ver as coisas que temos em cada dia. O menos bom é que vamos perdendo a oportunidade de ver muitas coisas. E coisas boas. Também por tudo isto, gosto de gente curiosa pelo conhecimento.
O mar é qualquer coisa de inexplicável, mesmo para os que lhe prestam amor. Ou se gosta e sente atracção, ou não vale a pena.
É óptimo ter a ousadia de experimentar ver para lá do óbvio. Arriscamos é assistir ao que queremos e ao que jamais imaginamos ;)
Beijinhos
««É óptimo ter a ousadia de experimentar ver para lá do óbvio. Arriscamos é assistir ao que queremos e ao que jamais imaginamos»»
Eliminarplágio nr2... ;)
esta frase diz tudo e "tanto"!!
Arriscar...ou palavrinha chata e assustadora!! mas tão desafiante e impulsiva....
se poderíamos ser medianos....poderíamos....mas certamente não seria a mesma coisa....e perderíamos a aprendizagem do bom e do mau. E não é só de bom que a vida é feita e as memórias são criadas.....os nossos baús são caixinhas de surpresa....;)
beijinhos Real
Plágios desses, gosto. São elogios ;)
EliminarArriscar, mesmo que apenas a palavra ou a ideia de o praticar é, por si só, quase castradora. Parece, logo à partida, um empecilho.
Na verdade, é bom que tenhamos uma balança de vivência, sob pena de as desvalorizarmos. Autênticos baús de memórias e experiências obsoletas mas que, obviamente, fazem todo o sentido ao manter-se guardadas. São, também, alicerces.
Beijinhos :)
o nosso estado de espirito faz com que vejamos a realidade de forma diferente , basta termos tempo para apreciar e a realidade parece logo outra.
ResponderEliminarabraço
Completamente. Cada vez, tenho mais essa sensação que se faz certeza. A realidade, quer queiramos quer não, está sempre lá. Nós, é que, pouco atentos e nada disponíveis, a deixamos passar :)
EliminarAbraço.