28.11.13

Curiosidade com verdade.

Janela fora, surge um mundo, que da altura, foge ao olhar. De pés a suportar, estende-se para lá do parapeito, forçando a segurança com as pequenas mãos. O olhar, contrariando a estatura menor, abre-se excessivamente, em jeito de contradição. Qual rotina, todos os dias, insistia conhecer. Não sabia o que viria de lá nem o que assistiria para lá. Deste lado, sempre hirto e saltitando, espreitando pela janela. Um dia, novidade, conseguiu descobrir. A janela aberta, agora à sua altura, mostrou-lhe o que guardava para lá do que chamava quadrado. Para lá do que perspectivava. Nesse instante, recusando e fugindo da imaginação, conheci a paisagem das traseiras daquela casa. A casa de família. A praia, misturando pessoas, mar e areia. O sol raiando sobre o jardim, reflectindo na piscina iludida de azul deste lado dos muros. No fim de contas, era igual. Conhecia-o, havia muito. Apenas, dali não via fracções do lugar. Via de uma forma panorâmica. A curiosidade não é tacanha. Espicaça e dá frutos. Finalmente, soube-o.

6 comentários:

  1. Há coisas que vimos todos os dias e que todos os dias nos podem trazer uma perspectiva nova...diferente até das anteriores....depende do estado em que estamos, do espírito como que observamos, da atenção, e até mesmo da idade em que a fazemos.
    Felizmente que existem coisas que nos surpreendem quando as olhamos com menos ingenuidade do que do parapeito da janela à qual mal chegamos. É todo um processo de ver para lá de....
    O mar.....ai...esse mar é o tal que nos leva ao encontro de tantas curiosidades..encontros com o nosso pensamento e imensidão do que nos traz paz. Mas isto sou eu....e a minha atracção não escondida pelo mar e seus benefícios :)
    Como é bom.....poder ver para além da janela.....(ou não) ;)
    Beijinhos

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    1. Todos os dias somos confrontados com novidade. Eu, por vezes, reparo em algo que sempre esteve naquele mesmo lugar mas que, por razões várias, nunca me havia chamado a atenção. E, no final, era dos aspectos mais interessantes da rua.
      Mas acredito, precisamente, no que dizes. A nossa atenção para algo ou alguém mede-se com a capacidade de ver as coisas que temos em cada dia. O menos bom é que vamos perdendo a oportunidade de ver muitas coisas. E coisas boas. Também por tudo isto, gosto de gente curiosa pelo conhecimento.
      O mar é qualquer coisa de inexplicável, mesmo para os que lhe prestam amor. Ou se gosta e sente atracção, ou não vale a pena.
      É óptimo ter a ousadia de experimentar ver para lá do óbvio. Arriscamos é assistir ao que queremos e ao que jamais imaginamos ;)
      Beijinhos

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    2. ««É óptimo ter a ousadia de experimentar ver para lá do óbvio. Arriscamos é assistir ao que queremos e ao que jamais imaginamos»»
      plágio nr2... ;)

      esta frase diz tudo e "tanto"!!
      Arriscar...ou palavrinha chata e assustadora!! mas tão desafiante e impulsiva....
      se poderíamos ser medianos....poderíamos....mas certamente não seria a mesma coisa....e perderíamos a aprendizagem do bom e do mau. E não é só de bom que a vida é feita e as memórias são criadas.....os nossos baús são caixinhas de surpresa....;)
      beijinhos Real

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    3. Plágios desses, gosto. São elogios ;)
      Arriscar, mesmo que apenas a palavra ou a ideia de o praticar é, por si só, quase castradora. Parece, logo à partida, um empecilho.
      Na verdade, é bom que tenhamos uma balança de vivência, sob pena de as desvalorizarmos. Autênticos baús de memórias e experiências obsoletas mas que, obviamente, fazem todo o sentido ao manter-se guardadas. São, também, alicerces.
      Beijinhos :)

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  2. o nosso estado de espirito faz com que vejamos a realidade de forma diferente , basta termos tempo para apreciar e a realidade parece logo outra.

    abraço

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    1. Completamente. Cada vez, tenho mais essa sensação que se faz certeza. A realidade, quer queiramos quer não, está sempre lá. Nós, é que, pouco atentos e nada disponíveis, a deixamos passar :)
      Abraço.

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