Dou
por aberta, oficialmente, a época festiva que se vive, de gosto e de herança, por estes
dias, neste espaço com um título sóbrio, resumido e cabalmente evidente. É
natal. Tomei noção porque, cá por casa, temos uma árvore altamente decorada,
velas distribuídas aleatoriamente, Michael Bublé a soar pelas divisões, bolas e
fitas a condizer. Um admirável mundo que vem a cada ano repetir-se. Mundo de que gosto. A idade
inocente já se perdeu. Ficou lá atrás, fatalmente. Com a tenra idade, ficou o
pinheiro verdadeiro perdendo, aos poucos, as suas penadas, assente num vaso
decorado. O pai e a mãe a fazerem-se companhia dos filhos, guiando a decoração.
Fazendo lembrar a razão da data. O presépio, fora retratado. Na árvore, beijada
pelas modas da altura, carregada de bolas, fitas e até chocolates. Sobriedade
não fazia parte dos acessórios pendurados. A consoada juntava um número elevado
de companhia, a mesa adornada a rigor. A lareira, lá ao fundo, queimando lenha,
o fumo gastando-se lá fora. A família junta, fazendo muitos reunidos. Os
presentes, por força do amor e da dedicação, porventura, em número superior ao
que se fazia necessário. As felizes perspectivas. As conversas e as pequenas
histórias contadas e sabidas de cor, tão repetidas se fizeram. Os comes e
bebes, não fugiam à tradição. As faltas não aconteciam. Todos estavam
presentes. É natal, dizem a cada passo dado. Não será igual, tão pouco, o mesmo
retrato. Hoje, é igualmente natal, mantém-se praticamente tudo o que se fez
tradição nesta família, nesta casa. Na minha família. É natal, faltam membros.
Uns ausentam-se por estes dias, outros para sempre. É Dezembro, chega o fim do
ano. Repetir-se-á, novamente, no próximo ano. As histórias também. Vozes e
presenças falhadas. Que nos faltam. É natal e, aproveitando-o, partilhamos
pessoas para sempre ausentes. É natal, estamos presentes.
Época festiva e nostálgica!
ResponderEliminarpelo que já foi, pelos ausentes, pela lembrança da magia outrora vivida intensamente com os sapatinhos na árvore....com a chegada do homem das Barbas.....o dormir sem dormir....acordar às 6h00 da manhã para correr aos presentes, uns anos mais ..noutros nem por isso.. Nunca faltou o melhor, no meu caso!
Hoje, revivo-o de outra forma...em vez da menina sou a mulher...em vez da filha sou a mãe...em vez de receber ..dou...
Se bem que ao dar , também recebemos....e recebemos tanto.
Nada apagará algumas ausências da vida, tão pouco da mesa....tão pouco da memória.
Vivamos!! Hoje, amanhã e nos anos que se sigam...
O coelho já não é o mesmo dizem as más línguas...antigamente, no tempo das minhas memórias, ele ia com o pai natal e o palhaço no comboio ao circo...agora o Coelho é outro....e esse muito menos doce e afável!
Beijinhos Real*
Tal e qual, Natal é precisamente festividade e nostalgia. Acho-as inevitáveis. Na festa do ano, por excelência, cabe-nos sempre espaço para as lembranças. Para as ausências.
EliminarDepois, vamos crescendo e temos a visão de quem já experimentou o natal, porventura, de muitas formas. Chegamos à maioridade mas, assim queiramos, pudemos manter-nos crianças. Esta época é propicia.
É aconchego. Viva-se ou não, acredite-se ou não.
O coelho já não vai em brincadeiras de natal, fica-se pelas austeras medidas ;)
Beijinhos
Nostalgia, sem dúvida. Apenas porque as coisas não são as mesmas, mas as pessoas ficam connosco para sempre :)
ResponderEliminarUm beijinho e um feliz Natal!
Nostalgia é uma das palavras que me assalta quando penso no Natal. Inevitavelmente por isso, porque mudamos de alguma forma, vivenciamos diferente, mas quem partilha o momento, são os mesmos. Estejam presentes ou ausentes.
EliminarObrigado, Raquel.
Beijinho e um Natal portentosamente feliz!
o Natal ... traz sempre uma magia:)
ResponderEliminarabraço
Parece que é inevitável, que essa magia aconteça. Chega o mês da festa e parece que tudo e todos ganham outra luz e disposição. Talvez não se explique. Mas que se sente, isso, ninguém nos tira :)
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