4.12.13

Os auto-retratos têm concorrência de rápido consumo.

As redes sociais têm o dobro dos propósitos. São uma montra de egos aumentados, por razão da idolatrada acção munida de um infindável número de likes a chamar a atenção dos mais distraídos e revela, na mesma escala, as fotografias e os enrugados textos curtos, de pequeninos e diminuídos pela coçada auto-estima. Do outro lado, estão as ofertas irrepetíveis. As que nos merecem mais do que um like desinteressado, que marca apenas, tão miseravelmente, a nossa presença. Acontece, que se mostram, de privacidade honrada, os momentos que nos reportam para vivências reais e distintas. Frases que fogem aos chavões retirados de um qualquer site manhoso. Colocam-se fotografias de escolha penalizada e personalizada, ao invés de um shot lunático de imagens fabricadas. Temos o poder, usamo-lo conforme a consequência dos nossos olhos. Estava, há uns tempos, a rever uma fotografia no Facebook. A fotografia pertence a uma amiga. Viajada, de conhecimentos importados. A fotografia, despida de um sem números de filtros da moda, distancia-se da afamada e multiplamente ampliada na rede, selfie. Fosse a minha avó sabe-la existir e arranjava definição, para a dita da selfie, chamando-lhe de auto-retrato de saída rápida sem pausa para as habituais demoras da maquilhagem da fotografia. No flash certeiro dessa minha amiga, de costas, vê-se a silhueta definida, resguardada subtilmente por um conjunto de verão. Nos pés, umas sandálias cruzadas, simples. As calças fluidas, gritavam cores que combinavam com a tela que se encontrava à sua frente. Meia escondida pela sua própria sombra. Um quadro datado, de traços vincados. A legenda, diminuída, avançava os nomes da obra e do autor. Soberbo. Tal e qual o museu que as acolheu. À tela, para a exposição e à minha amiga para uns largos minutos de pura força cultural. Transforma-se a plataforma irreal numa realidade inteligente e sensata. E não precisamos de procurar um espelho rafeiro de uma casa de banho de um centro comercial. Era mudar. Eu julgo que era mudar.

4 comentários:

  1. Tu e os pormenores circundantes......nada fica ao acaso de uma mera foto..
    Sou Culpada!! Sim... facebookiana....
    Gosto daquele espaço, o café virtual como lhe chamo quando a oportunidade de interagir com os amigos pessoalmente me é escassa...por distâncias ou por as nossas rotinas e prioridades não o permitirem.
    Sou lá aquilo que sou em norma...brincalhona e cuidadosa....
    as legendas...essas nem sempre são necessárias...os likes vêm ou não. Partilho por mim...tudo o resto é opcional e será sempre um ganho,
    Como diria o outro....Quem vier por bem...venha venha também :)
    Na certeza porém que nada daquilo é melhor, que um acto "desvirtual"...e presencial!
    Beijinhos Real!

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    1. Gosto dos pormenores circundantes :)
      Mas, de modo algum, este meu texto é um atestado de culpa ao sem número de utilizadores do Facebook ou de outra qualquer rede social. Somos mais os que a frequentamos, do que a ignoramos, julgo eu. Eu estou por lá, também.
      Centrava-me mais nas fotografias e acções, do que na rede social. Fazem parte. Como em todas as ferramentas à disposição, há todo um mundo de visões díspares em relação à sua utilização.
      Estou contigo, quem por bem vem será sempre bem recebido.
      Não vejo problema, assim o saibamos usar.
      Beijinhos

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    2. Eu sei que não julgavas e concedo-lhes às redes sociais o perigo que espreita constantemente....sejamos ou não até conscientes....e cuidadosos.
      Há muito que aprendi a ler e a ver e a ouvir na diagonal....uns chamam-lhe distracção...também será....mas também é um meio de reserva e protecção.
      nem sempre concordo com aquilo que vejo e leio....mas lá está...cada espaço tem um dono que decidiu que fazia sentido publicar aquela foto...aquele comentário...aquela frase feita...aquele "recado"....e por aí.
      resta-nos agir com a nossa consciência, também nos falha...por isso ainda nos permitem voltar atrás e carregar no botão DELETE...
      já na vida...não podemos fazer o mesmo! :)
      Beijinhos

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    3. Por mais conscientes e atentos que sejamos, nunca fugimos totalmente dos perigos, é impossível.
      Ler na diagonal parece-me mais atenção do que distracção :)
      Não temos de concordar com tudo o que vemos ou lemos, é certo, mas também por não encontrarmos concordância, é que tudo fica mais interessante. Nasce a saudável discussão e apresentação de ideias.
      Não sei se feliz ou infelizmente, mas a verdade é que na vida o que está dito e o que está feito fica para a posteridade.
      Beijinhos

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